Por Rui Nogueira
Já era tempo de se discutir a Amazônia.

Pena que  esta abertura esteja direcionada para meia dúzia  de frases, freqüentemente repetidas, mais com a conotação de propaganda, do que no sentido de avaliar o que realmente está acontecendo.
 
 
 

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Há coisas notórias: a Amazônia é rica, está despovoada, é objeto de muita ambição estrangeira e das transnacionais, está infestada de ONGs com ligações internacionais e falsos cristãos, santos do pau-oco  ou geólogos disfarçados com bíblias.

Há polarizações na história das demarcações, contínua  ou descontínua; na questão delas afetarem ou não a nossa soberania e muita centralização sobre a Raposa Terra do Sol, sem lembrarem que a Amazônia está toda retalhada e demarcada com áreas gigantescas  como a do rio Javari que tem mais de oito milhões de hectares  para 3600 índios (vacinação da FUNAI).

É nítido que toda a divulgação sobre reservas, demarcações, preservação de etnias, área para sobrevivência têm uma unidade e um direcionamento que não tem permitido maior aprofundamento nas questões nem quais os fundamentos para as ações divulgadas.

O que haverá por trás de toda  essa historia de demarcação?

Falam de ONGs com interesse estrangeiro. A CPI do Senado, sobre o assunto, demonstrou  que há necessidade de se rever esta história das ONGs na Amazônia.

Mas será que todo o reboliço sobre o assunto seja só por causa das ONGs?

Observemos, então, a dinâmica, a facilidade, com que líderes indígenas circulam na Europa para estar com governantes ou de braços com cantor popular. Por quê?

Tudo começa com o G7, os sete países mais industrializados do mundo, que têm consciência de que minério é o bem essencial para a indústria e ficaram de olho na região mais rica do planeta.

O  G-7 criou um projeto piloto para proteger as florestas tropicais e isto se desdobrou no PPG-7, um projeto piloto de proteção das florestas tropicais brasileiras.

É inatacável se desejar proteger florestas, pois representam preservar um futuro, aos olhos da população. As florestas representam água, biodiversidade e estão sobre subsolos riquíssimos.

Sob a alegação de proteção de florestas tropicais brasileiras e sob a capa de cooperação técnica e colaboração para o  desenvolvimento, convenceram o Governo brasileiro a criar o PPTAL, que é o principal projeto da FUNAI/Ministério da Justiça - Projeto Integrado de Proteção das Populações e Terras Indígenas da Amazônia Legal.

Agora, pasmem os brasileiros!

 

A FUNAI  criou um cartaz em que divulga quais são os gestores, controladores, financiadores do projeto para toda à Amazônia LEGAL, metade de todo o nosso território.

 

Eis a lista: KfW (KfW é o Banco de Reconstrução da Alemanha), Banco Mundial, Ministério Federal de Educação e Pesquisa da Alemanha, PENUD, GTZ. .

 O Banco Mundial, sob a capa de interessado em incentivar o desenvolvimento das populações carentes, tem regimento que o direciona para incentivar a iniciativa privada em vários locais do mundo e participa da sociedade das concessionárias que assumem as estatais privatizadas.

Há relato, em Fórum Livre Internacional, de que todo  o vale do Amazonas foi dado   como garantia para os créditos de financiamentos a partir da construção de Brasília.

O PENUD é o Projeto das Nações Unidas para o  Desenvolvimento, que reúne professores, técnicos, e estudiosos capazes de elaborar trabalhos que podem oferecer bases doutrinárias para atender aos planos do G-7.

O GTZ é uma empresa de direito privado cujo principal emissor é o governo alemão e que é ligada ao Ministério Federal de Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha.

GTZ tem um escritório em Brasília e salas na sede da FUNAI de onde , efetivamente, controla, fiscaliza, planeja e executa todas as atividades de demarcações  das áreas indígenas com o PPTAL.

Eis a dura realidade!

Todas as atividades da proteção das populações de terras indígenas da Amazônia legal são absolutamente controladas, de dentro da FUNAI, por ministérios estrangeiros e o Banco Mundial.

Poderão dizer  que a FUNAI está presente. Isto em realidade é figurativo, pois todos os funcionários que são contratados têm sua admissão por encaminhamento de uma empresa privada, em todas as 62 regionais.

As atividades de saúde entregues à Funasa foram terceirizadas para ONGs com ligações com o exterior (CPI das ONGs do Senado Federal). A educação indígena está com ONGs e organizações religiosas, infelizmente, algumas em versão moderna de santo do pau-oco, ou então, portam a Bíblia para disfarçar a formação de geólogo.

Categoricamente há o estrangeirar da Administração Pública.

Um absurdo inaceitável, surrealismo, total desprezo pelas construções refletidas, ausência dos encadeamentos lógicos, descalabro, ameaça de grandes perdas para a Nação Brasileira por culpa dos que têm que zelar pelo bem público, mas não o fazem como deviam.

Alerta brasileiros!

Resistir é preciso.

 

Rui Nogueira

Médico, pesquisador e escritor.

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