La Paz, 8 set (EFE).- Grupos de opositores ao presidente da Bolívia, Evo Morales, fecharam hoje as fronteiras com o Brasil na região de Santa Cruz (leste) e anunciaram a expulsão dos voluntários e funcionários cubanos e venezuelanos que trabalham no departamento (estado) autonomista.

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"As saídas para o Brasil e os postos alfandegários estão fechados, e os escritórios de migração foram tomados", disse à Agência Efe o presidente da União Juvenil de Santa Cruz (UJC), David Sejas.

Ainda segundo o líder, a medida será "radicalizada" com sua extensão às outras regiões opositoras.

Com os bloqueios de estradas nas regiões de Santa Cruz, Beni, Tarija e Pando, a oposição exige que o Governo volte a liberar os recursos provenientes de imposto sobre petróleo destinado a financiar benefícios a maiores de 60 anos.

Essas ações, que em alguns casos derivaram em ocupações violentas de instituições estatais e em interrupções de rodovias, são impulsionadas pelos governadores e por líderes civis dos quatro departamentos de maioria opositora.

Há 15 dias, o bloqueio de estradas no leste e no sul da Bolívia provocou uma grave crise no fornecimento de combustíveis nas quatro regiões.

Em Beni, os líderes civis disseram que nas próximas horas "não permitirão" as saídas para o Brasil "por Guayaramerín", ao passo que, em Pando, as pontes Internacional e da Amizade, que fazem ligação com o território brasileiro, também foram fechadas, informou a imprensa local.

"Faremos todo o possível para que restituam o IDH, reconheçam a autonomia departamental", e para que o Governo "detenha essa Constituição (...) que quer nos impor", disse Sejas.

O ativista lembrou que amanhã termina a "trégua" de 72 horas dada pelas organizações civis, após a qual as medidas de pressão serão intensificadas.

Segundo Sejas, não estão descartadas a ocupação de aeroportos e o corte nas exportações de gás ao Brasil e à Argentina.
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