Carlos Lacerda contra o comunismo
Por Carlos Azambuja*
28/11/2015 -
ARTIGOS - CULTURA
"...pois já são muitos os subjugados pelo medo, o medo de parecer reacionários e o medo de lutar contra o inevitável. O medo de se opor e o medo de não se opor. O comunismo é que é reacionário. E não é inevitável."
"O domínio pela coação psicológica e intelectual prepara monstros de conformismo, como os aleijões intelectuais que, mal saídos de uma universidade católica, vão dirigir a União Nacional dos Estudantes, ramo brasileiro da União Internacional com sede em Praga, ninho de filhotes de quinta-coluna; e de lá saem, pela mão do presidente em exercício da República, para dirigir a Reforma Agrária, em cujo nome tantos crimes se cometem – crimes contra a Constituição, contra a produção, contra a educação."
O comunismo é um sistema de poder totalitário no qual uma casta burocrática e privilegiada, reunindo pela primeira vez no mundo moderno todos os instrumentos do poder nas mesmas mãos, possui ao mesmo tempo os meios de produção e de troca e todos os meios de enquadramento político e cultural, dos quais se serve ditatorialmente.

 

Eis uma síntese para recordar o que o maior brasileiro de seu tempo, Carlos Frederico Werneck de Lacerda, escreveu no prefácio do livro "Em cima da Hora”, de Suzanne Labin, editado no Brasil em 1964, traduzido por Lacerda antes de março de 64.

No prefácio, Carlos Lacerda escreveu que o livro “Em Cima da Hora” é uma importante contribuição à luta pela democracia no Brasil, pois são impressionantes a ignorância e a candura com que se faz o jogo dos soviéticos, na infiltração, na propaganda e na conquista deste país, decisivo para a América Latina e para o próprio destino da liberdade no mundo.

"Os liberais arrependidos, os socialistas retardados, os religiosos tomados de surpresa, os ensaístas deslumbrados, os jornalistas alfabetizados, os intelectuais ressentidos, os desajustados da liberdade, os novos-ricos de certos bancos e os novos-pobres de certo espírito, formam as mais estranhas combinações para abrir caminho à propaganda, ao sofisma, às idéias-força da Guerra Subversiva que os soviéticos movem contra o mundo livre."

"Sem defesa adequada, com os partidos em dissolução, as Forças Armadas intrigadas e perplexas, a própria Igreja Católica ameaçada de divisão e de se colocar, em vários setores, a serviço da subversão pensando que assim se renova, o que mais admira é como o Povo, o simples e bom Povo do Brasil ainda não se convenceu, de vez, que o regime soviético é o melhor. Pois, de todos os lados, os responsáveis pela sua formação cultural, espiritual, econômica, e pela sua defesa militar, ou tentam convencê-lo a se entregar ou se omitem, com o pavor de não serem admitidos no paraíso soviético que pretende abrir aqui uma sucursal."

"Um Presidente da República tem o desplante de dizer que a Constituição que jurou defender e nunca respeitou nem cumpriu, está superada. E contra ela mobiliza, numa aliança natural, os negocistas e os comunistas, igualmente interessados em saquear o Brasil, privando-o da ordem democrática, da ordem com liberdade, da liberdade com responsabilidade."

"Há os que dizem: é inútil combater o comunismo, o que há a fazer é combater a miséria. Supondo que a miséria acabe no mundo antes do comunismo, tomemos o argumento: o comunismo só vence onde há miséria. Logo, ele precisa da miséria para vencer. Portanto, cada vez que se aceita a colaboração dos comunistas e seus auxiliares na alegada luta contra a miséria, está-se trazendo um balde de gasolina para apagar o incêndio."

"Outro argumento apresentado com freqüência é o da “coexistência pacífica”. Supor que a ditadura soviética se deixará confinar nos territórios já ocupados, e uma nova linha de Tordesilhas dividirá o mundo entre zonas de influência dos Estados Unidos e da Rússia, que se respeitarão entre si, é uma versão nova do espírito de Munique."

"Com deplorável leviandade, fruto da aflição servida pela ignorância, certos prelados confundem economia social com assistência social, e Jesus Cristo com Jean Jacques Rousseau. Uma epidemia de oportunismo, agravada pela ignorância e pelo pedantismo se apossa do Brasil. Este é bem o momento de fazer ouvir a voz clara e sincera de uma inteligência poderosa, leal à missão que se impôs."

"Certo, há que lutar pelo bem-estar social. Mas, a condição de êxito dessa luta é a eliminação do comunismo. Não é só a miséria a estimular o comunismo. É o comunismo a estimular a miséria."

"Poucos fatores podem ser tão decisivos, na guerra política, quanto um livro. Foi com livros que Lênin deu saída à Revolução Russa. É com livros, é com idéias que podemos fazer a Revolução Brasileira."

"Quem quiser entender o que se está passando no Brasil, e contribuir para mudar esses acontecimentos terríveis, deve ler este livro. Os inimigos também. Ele só não adianta aos tolos."

 

Carlos Azambuja, historiador, é autor de A Hidra Vermelha. - Leitura recomendada

Comentários  

0 #7 Leandro Pereira 31-01-2016 03:58
Citando Milton:
Estamos juntos nessa! Cansamos de alertar sobre a confusão popular entre Jesus Cristo, que pediu-nos para doarmos espontaneamente, e Marx que determina o saqueamento como doação sangrenta!!!! Deus nos livre de um Estado assim (...) " o capitalismo histórico" fulmina os inocentes (...) - pior que a carta do PT, do PC se igualam por simples oportunismo e deslealdade aos brasileiros (...)
Parabéns pelo excelente texto de alerta e pelo livro - leremos (...)
Morreremos antes da hora, de tristeza (...)


Olá Milton, o pessoal da RádioVox, Mídia Sem Máscara está preparando uma nova edição do desta grande obra do mestre Azambuja. Sai este ano pela Editora Observatório Latino. Fique ligado na rádio.
+1 #6 Carlos I.S.Azambuja 02-12-2015 10:42
Meu caro Catunda: Comparar Lacerda,o maior brasiliro de seu tempo, com um reles Paulo Maluf é de uma imbecilidade tamanha!
0 #5 Carlos I.S.Azambuja 01-12-2015 10:24
Sr Dalton Catunda Rocha: pelo que o sr escreveu vejo que não conheceu Carlos Lacerda, o maior brasileiro de seu tempo. Eu conheci, pessoalmente. Compará-lo com Maluf é o supra sumo da babaquice!
Não coneço nenhum outro texto contra o comunismo melhor do que este.
+1 #4 CECILIA G.LANZONI 29-11-2015 22:17
O QUE ME DEIXA PERPLEXO E OUVIR DOS JORNALISTAS E APRESENTADORES DE PROGRAMAS INFORMATIVO NA TV
DIZENDO QUE É HORA DE LIMPAR OS PODERES MAS NÃO QUEREM QUE A DIREITA RESSURJA.
É O MESMO QUE RECOMENDAR A DIARISTA FAZER A FAXINA E NÃO JOGAR O LIXO FORA POIS O LIXO É DE ESTIMAÇÃO
+1 #3 MARCELO 29-11-2015 21:26
Sr. Azambuja. Excelente artigo. Gostaria de saber onde compro esse. "A HIDRA VERMELHA.
0 #2 Milton 29-11-2015 20:45
Estamos juntos nessa! Cansamos de alertar sobre a confusão popular entre Jesus Cristo, que pediu-nos para doarmos espontaneamente , e Marx que determina o saqueamento como doação sangrenta!!!! Deus nos livre de um Estado assim (...) " o capitalismo histórico" fulmina os inocentes (...) - pior que a carta do PT, do PC se igualam por simples oportunismo e deslealdade aos brasileiros (...)
Parabéns pelo excelente texto de alerta e pelo livro - leremos (...)
Morreremos antes da hora, de tristeza (...)
0 #1 Dalton Catunda Rocha 29-11-2015 19:55
O autor deveria ter usado, algum outro texto contra o comunismo vindo de alguém melhor que Carlos Lacerda(1914-19 77). Carlos Lacerda foi em sua época, alguém como Paulo Maluf seria depois: um "rouba mais faz", que se diz anticomunista e depois se faz de mero pequeno fantoche de marxistas. Carlos Lacerda se dizia o maior inimigo de Jango; depois se disse seu grande aliado. Maluf se dizia o maior inimigo de Lula e das esquerdas, mas depois, se disse seu grande aliado. Tanto Maluf, quanto Lacerda tentaram ser presidentes do Brasil e, fracassaram rotundamente, sendo tal fracasso um começo de um ocaso não apenas político, mas uma constante inflexão a ponto de terminarem ambos aliados, que os marxistas apenas fingiam não desprezar. Ao contrário de Lacerda, Maluf ainda não morreu e é deputado Federal. No entanto, Maluf vai acabar como Lacerda acabou. Como um lixo político e histórico. Lacerda morreu no bolso do paletó do cadáver de Jango. E Maluf seguirá no bolso do paletó Armani de Lula.

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