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Categoria: Diversos
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 A crise na Bolívia não é um teste qualquer da capacidade que os mecanismos de multilateralidade do continente têm para evitar rupturas institucionais e golpes de Estado na região. O que está em questão é se países como Brasil, Argentina, Chile e Colômbia conseguem manejar com êxito situações explosivas deflagradas pelo projeto autoritário e populista "bolivariano". Como acontece no país vizinho, em que o avanço de Evo Morales sobre instituições historicamente frágeis atiçou o projeto separatista da europeizada Meia Lua (Santa Cruz de La Sierra, o mais importante departamento da região, à frente), e no qual podem ser identificados traços de racismo contra a outra Bolívia, a indígena, de Morales.

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É estratégica a missão da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), reunida ontem em Santiago, por convocação, em boa hora, feita pela presidente chilena, Michelle Bachelet. É necessário que a Unasul e, mais especificamente, o Grupo de Amigos da Bolívia - Brasil, Argentina e Colômbia - patrocinem um entendimento entre a Meia Lua e Morales que evite o fracionamento do país e qualquer tentativa de golpe, de lado a lado.

No final de semana, pareceu haver motivos para algum otimismo, com as negociações entre o governo e líderes oposicionistas. As conversas, em que Morales é representado pelo vice-presidente, Álvaro García Linera, e os oposicionistas, pelo governador do departamento de Tarija, Mario Cossío, têm de ser estimuladas. Se La Paz e a oposição se entenderem em torno da futura Constituição e da concessão de alguma autonomia à Meia Lua, terá sido esvaziada a crise.

Um dos maiores riscos está na ação desagregadora do mentor de Morales, o caudilho Hugo Chávez, cuja retórica se torna mais cáustica à medida que aumentam seus problemas na Venezuela. Não passou despercebida a expulsão do embaixador americano em Caracas, em alegada solidariedade a Morales - que também havia expulsado o representante dos Estados Unidos em La Paz -, ter acontecido no momento em que a Casa Branca acusava formalmente autoridades venezuelanas de se relacionarem com o narcoterrorismo das Farc e o tráfico de drogas. Entre elas está Ramón Rodríguez Chacín, ministro do Interior de Chávez. O caudilho agora investe contra o comandante das Forças Armadas bolivianas, general Luis Trigo, por ele ter reagido à altura à tresloucada ameaça de invasão da Bolívia em defesa de Morales. Necessita-se de uma camisa-de-força diplomática para conter Chávez