Por Altino Machado, direto de Cobija (Bolívia)

O Exército brasileiro decidiu reforçar a segurança na fronteira com a Bolívia e 400 homens foram deslocados agora do 4.º BIS (Batalhão de Infantaria de Selva), em Rio Branco, para Brasiléia, cidade vizinha de Cobija, capital do departamento de Pando, onde ao menos 17 pessoas morreram no dia 11 durante um massacre cuja autoria intelectual é atribuída pelo Ministério Público boliviano ao governador de Pando, Leopoldo Fernández, que está preso em La Paz.

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O coronel Derza, do Exército boliviano em Cobija, se encontrou ontem em Brasiléia com o capitão A. Costa, comandante da 2.ª Companhia de Fuzileiros de Selva Destacada. Derza pediu ao capitão a detenção dos bolivianos que atravessaram a fronteira em busca de refúgio.

- Não posso fazer isso porque os bolivianos que estão em território brasileiro são refugiados políticos. Nós vamos fazer um cadastramento e esperar por uma ordem do comando maior - argumentou A. Costa.

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Nove horas após o encontro dos dois militares, homens do Exército brasileiro começaram a ocupar posições nas cabeceiras das duas pontes de Epitaciolância e Brasiléia. O reforço chegou nesta manhã num comboio que percrreu a BR-317, formado por um ônibus, dois caminhões e duas caminhonetes. Um projétil de armamento do Exército boliviano que atingiu a sala de uma casa em Epitaciolândia incomodou ao comando do Exército brasileiro em Brasiléia. O caso foi comunicado pelo comando local aos seus superiores.

Todas as lojas do comércio da Zona Franca de Cobija reabriam hoje normalmente.  Havia muitos brasileiros comprando produtos importados. As duas maiores importadoras, de propriedade de empresários brasileiros, não reabriram, tampouco as lojas que foram saqueadas e incendiadas um dia após o massacre dos camponeses.

Cobija, Brasiléia e Epitaciolândia (foto panorâmica a partir de Cobija) amanheceram imersas numa densa nuvem de fumaça  resultante de queimadas de florestas e pastagens na Amazônia boliviana e brasileira. A umidade está muito baixa e crianças e adultos sofrem com problemas respiratórios. Uma das bandeiras do movimento dos camponeses bolivianos é barrar a destruição das florestas de Pando.

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