Não parece título de historinha infantil? No entanto, é um dos mais poderosos exércitos em qualquer país do mundo. Tem arma? Sim e também aparência a mais inofensiva possível. Ninguém tem medo de entregá-la a qualquer criança. O cuidado é, apenas, que não seja destruída. Mas é a «arma» mais temida pelos políticos. Pagam qualquer preço por ela, mas fazem questão de não esclarecer seu valor.

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Onde está escondido esse exército que ninguém vê, nem tem notícia? Guardados em nossas gavetas e só lembrado de quatro em quatro anos. A perigosa arma chama-se Título de Eleitor. Quando instituíram não pensaram que um dia, poderia vir a ser seu maior inimigo. O povo sabe do poder que tem em mãos? Claro que não. Campanhas de esclarecimento sobre doenças, meio ambiente e alguns outros assuntos tidos como de utilidade pública, são feitas carreando bilhões de reais para as agências de publicidade. Mas, nunca foi feita uma conscientizando ao portador, do valor daquele papel. Falam que o voto é precioso, que é sinal de cidadania e outras palavras bonitas que não esclarecem o portador, do valor daquele pedaço de papel.
 
Sempre achei que não se deve subestimar a inteligência do inimigo. Querem estratégia mais ardilosa, pois enquanto bajula o eleitor das formas mais abjetas, posto que falsas e traiçoeiras,. nem uma palavra é dita sobre o valor do «papelinho». Ninguém lhe diz o valor que tem, para o político, sua aparente inofensiva arma.
 
Poderosa, ás vezes mortífera, mas criminosamente deram ao menor com 16 anos o poder de usá-la. È a mais pura e maquiavélica manobra.

Conhecem muito de psicologia os que conceberam essa lei. Aproveitaram a petulância, a arrogância dessas crianças grandes que acham que sabem como fazer um mundo melhor, mas não ensinaram como usa-la. E para ganhar mais a confiança dessa criançada, nos comitês eleitorais costumam dar missões inócuas, mas de charme para aproveitar a «mão de obra» barata e fiel. Que adolescente não quer fazer parte de um comitê de político? Quanta gente importante passa por ali? Dirigem-se a eles como iguais, superestimam sua ajuda e participação. Não há ego que resista tanta atenção, tanto prestígio.
 
No entanto, nada fizeram para que esse «herói» fosse conscientizado dos deveres correspondentes.
 
Se houvesse honestidade no propósito de cidadania, esse direito viria acompanhado do dever de responder por todos os seus atos. Porque se pressupõem que quem pode escolher presidente, senador, deputado tem consciência suficiente para saber o que está fazendo quando comete um crime. A todo cidadão, a cada direito, corresponde um dever.
 
Sinto muita pena desse enorme e temido exército de papel, guardado numa gaveta, e o efetivo dele não ser instruído como usar essa poderosa arma. Mas, tenho fé que também esse gigante engavetado, um dia perceba a sua força, arrebente a gaveta e saia em praça pública reivindicando seu real valor.
Glacy Cassou Domingues
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