25/01/2016
O empresário Eike Batista afirmou, em sua autobiografia “O X da questão”, que não possui diploma de curso superior. Eike é alvo de um mandado de prisão, expedido nesta quinta-feira durante a Operação Eficiência, braço da Lava-Jato no Rio de Janeiro. Sem o diploma, o empresário pode dividir espaço entre presos comuns caso sua prisão seja realizada. A decisão sobre qual presídio o empresário ocupará cabe à secretaria estadual de Administração Penitenciária.
“Estudei engenharia metalúrgica na Universidade de Aachen, na Alemanha. Rodei o mundo. Falo cinco idiomas. Sou engenheiro por formação, ainda que não tenha completado a graduação. Fui vendedor de seguros”, escreveu o empresário, dono do grupo EBX, no primeiro parágrafo da introdução do livro publicado em 2011.
O empresário não foi encontrado por policias federais em casa na manhã desta quinta e é considerado “foragido”. Eike embarcou para Nova York na última terça-feira. Segundo o Ministério Público Federal, o empresário teria utilizado um passaporte alemão. Autoridades brasileiras acionaram a Interpol na busca pelo empresário.
 
 
LAVAGEM DE DINHEIRO – Eike teve prisão decretada por participar do esquema de desvio e lavagem de dinheiro de contratos do governo do Estado do Rio na gestão do ex-governador Sérgio Cabral. As investigações apontam o pagamento de propina de US$ 16,5 milho?es ao ex-governador por Eike e Fla?vio Godinho, braço-direito do empresário, usando a conta Golden Rock no TAG Bank, no Panama?.
 
Segundo o MPF, apesar de ainda não ter sido apresentada denúncia, o empresário pode ser investigado por corrupção e lavagem de dinheiro. Ainda não está claro para os investigadores se ele fazia parte da organização criminosa.
 
OPERAÇÃO CALICUTE – A Operação Eficiência é uma segunda fase da Operação Calicute, um desmembramento da Lava-Jato no Rio de Janeiro. Segundo as investigações, o grupo desviou cem milhões de dólares para paraísos fiscais no exterior. Os mandados foram expedidos pelo juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, Marcelo Bretas.
 
Eike já prestou depoimento à PF em pelo menos duas oportunidades no âmbito das investigações da Lava-Jato. Ele foi ouvido pelos policiais no Rio e em Curitiba. Eike, porém, não estava negociando um acordo de delação premiada. No Rio, ele negou ter pago qualquer tipo de propina a Cabral.