Planalto fica aliviado com a delação da Odebrecht mantida sob sigilo
Folha de São Paulo
A expectativa de que a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, homologasse a delação premiada dos 77 executivos da Odebrecht incomodava o Planalto.  Assessores do presidente Michel Temer chegaram a declarar que enxergavam na “pressa” da ministra mais um sintoma de que ela busca proeminência para se firmar como líder nacional. Afirmavam ainda que Cármen Lúcia, agindo dessa forma, buscaria criar um fato “político”, ampliando a ansiedade sobre o tema.
FOI UMA SURPRESA – A decisão de Cármen Lúcia, de homologar a delação, mas manter em sigilo os depoimentos, foi uma boa surpresa para o Planalto. Entre integrantes do governo, a leitura era de que a presidente do STF acabaria dando ares ainda maiores de excepcionalidade ao episódio caso de fato chamasse para si a responsabilidade da homologação antes do retorno oficial dos trabalhos do Judiciário, que está em recesso e o Supremo só volta ao ritmo normal na quarta-feira, dia 1º.
 
 
Cármen Lúcia passou o sábado em seu gabinete em Brasília estudando o material da delação. Não se sabia se, além de homologar a documentação, a presidente do STF também decidirá levantar o sigilo dos depoimentos prestados pelos executivos da empreiteira, tornando público o conteúdo dessas falas.
 
NOVO RELATOR – A delação da Odebrecht é apontada como a mais importante da Lava Jato. Foram mencionados até agora nas negociações nomes do governo Temer, incluindo o próprio presidente, além dos ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, os tucanos José Serra e Geraldo Alckmin e parlamentares. Todos negam irregularidades.
 
Entre advogados e políticos, a expectativa é que a delação da Odebrecht amplie substancialmente o alcance da Lava Jato. Integrantes do Congresso e do governo já dão como certo o fato de que esse acordo trará uma série de implicações.
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