Yunes quer acareação com Padilha, mas espera que ele fique no governo…
 O Tempo
O advogado José Yunes, ex-assessor especial da Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (dia 24) que o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, tem de prestar depoimento aos investigadores da Operação Lava Jato. Ele se colocou à disposição para uma eventual acareação com os envolvidos no episódio em que afirmou ter atuado como “mula involuntária” de Padilha.
“Ele (Padilha) tem que ser ouvido. Você não pode ficar se escondendo atrás da notícia porque isso gera muita especulação”, disse. “Acho que ele tem que esclarecer porque ele não tratou comigo de dinheiro nem nada”, salientou.
Amigo do presidente Michel Temer, ele disse que recebeu, em setembro de 2014, um envelope do operador financeiro Lúcio Funaro, ligado ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a pedido de Padilha. Yunes afirmou desconhecer o que havia no “pacote”. A PGR deve pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito para apurar a conduta do ministro.
 
 
VERSÃO DE YUNES – O ex-assessor de Temer procurou espontaneamente a Procuradoria-Geral da República (PGR) para apresentar sua versão sobre as afirmações do ex-executivo da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, que, em delação premiada, afirmou que Yunes recebeu R$ 1 milhão em espécie em seu escritório de advocacia em São Paulo. O valor, segundo Melo Filho, era parte da propina de R$ 10 milhões a ser repassada, a mando de Eliseu Padilha, para o PMDB na campanha de 2014. Os recursos teriam saído do caixa 2 da empreiteira.
 
Após vir à tona a delação do ex-executivo, Yunes deixou o governo. E o ex-assessor da Presidência que deu uma série de entrevistas nos últimos dias com o objetivo de esclarecer o episódio. Apesar de considerar que Temer deve estar “muito aborrecido com essa história”, o advogado disse não acreditar que ela será suficiente para a derrubar o chefe da Casa Civil.
 
MINISTRO LICENCIADO – Padilha tirou uma licença médica na última sexta-feira para se submeter a uma cirurgia na próstata, que deve ocorrer até a próxima segunda-feira, dia 27. O ministro informou que deve voltar ao trabalho em 6 de março. Mas aumentam as articulações para o que Padilha deixe o cargo após a licença.
 
“Acho que não cai. E não deveria cair porque foi um episódio bobo”, afirmou Yunes. “Ele é um sujeito muito eficiente, fiel e organizado. É muito útil para o presidente”, disse Yunes.
 
Na PGR, a avaliação é de que o depoimento de Yunes reforça a necessidade de que o ministro seja alvo de um inquérito. Uma investigação já estava prevista desde quando o ministro foi citado na delação de Melo Filho. 
 
O MINISTRO FICA? – O presidente Michel Temer deve manter Padilha no cargo e avalia “que há questões que precisam ser melhor esclarecidas, caso do conteúdo do pacote entregue pelo doleiro Lúcio Funaro aos cuidados de Padilha”, afirmou a Presidência da República, em entrevista ao jornal “O Globo”.
 
Na mesma entrevista, o presidente manteve sua posição de repúdio frente as acusações de Cláudio Melo Filho que afirmou que as doações feitas pela Odebrecht ao PMDB foram todas por transferência bancária e declaradas ao TSE.
 
Da mesma forma, o presidente negou que houve caixa 2 na campanha presidencial de 2014 e que não conhece e nunca conversou com o doleiro Lúcio Funaro.
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