Por Aluísio Madruga de Moura e Souza
         O emprego da prática do “justiçamento” de companheiros pelas organizações comunistas não teve origem com os terroristas de 1964. Já antes mesmo do eclodir   da Intentona Comunista de 1935, o Partido Comunista Brasileiro(PCB) justiçou alguns de seus militantes, entre eles Elvira Cupelo Colônio, Elvira Fernandes ou simplesmente “Garota”, amante do Secretário- Geral do Partido. Elvira foi julgada por um Tribunal Vermelho, sob a infundada suspeita de estar colaborando com a polícia, depois de ter sido liberada da prisão por ser menor de idade. 

 

assassinada fria e premeditadamente, com interferência direta de Luís Carlos Prestes, ante o que considerou “falta de resolução ou vacilação” dos companheiros, que tinham dúvidas se a traição era da “Garota” ou de seu amásio. Quem bem descreve este e outros crimes do Partido é o General Agnaldo Del  Nero Augusto(já falecido) em seu livro “A Grande Mentira” às páginas 51 a 54. Muitos outros homicídios foram perpetrados nessa época, como os de Bernadino Pinto Almeida, Afonso José dos Santos, Maria Silveira ou Neli e Domingos Antunes Azevedo, todos, naturalmente depois de julgados pelo Tribunal Vermelho. Na região de Trombas e Formoso, no norte do antigo Estado de Goiás, onde o PCB chegou a criar uma área liberada antes de 1964, muitos crimes idênticos também foram perpetrados e que só após  1964, foram esclarecidos em Inquérito Policial Militar instaurado pela 3ª Brigada de Infantaria Motorizada e que se encontra arquivado no Superior Tribunal Militar. No entanto, dos crimes do PCB, o que mais chama a atenção pela sordidez foi o cometido contra o jovem de 17 anos, Tobias Warchavski, aluno da Escola de Belas Artes, assassinado com o concurso do seu companheiro de quarto, também militante. Com certeza, a relação de crimes praticados pelos militantes do PCB contra seus companheiros de viagem  não está completa. Como também não está completa a existente abaixo, citada como exemplo, sendo que esta última de “justiçamentos” praticados  após 1964.

            - Antônio Nogueira da Silva Filho, da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares(Var- Palmares), condenado ao “justiçamento” em 1969( a sentença não foi efetivada por ter o condenado fugido para o exterior;

            - Geraldo Ferreira Damasceno, militante da Dissidência da Var-Palmares(DVD), “justiçado” em 29 de maio de 1970, no Rio de Janeiro;

-Ari Rocha Miranda, militante da Ação Libertadora Nacional(ALN), “justiçado” em 11 de junho de 1970, por seu companheiro Eduardo Leite, codinome “Bacuri”, durante uma ação em São Paulo;

            -Antônio Lourenço, militante da Ação Popular(AP), “justiçado” em fevereiro de 1971, no Maranhão;

            - Márcio Leite Toledo, da Ação Libertadora Nacional(ALN), “justiçado” em 23de março de 1971;

            -Amaro Luiz de Carvalho, codinome “Capivara”, militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário(PCBR)  e, posteriormente, do Partido Comunista Revolucionário  (PCR), “justiçado” em 22 de agosto  de 1971, em Recife, dentro do presídio onde cumpria pena;

            -Carlos Alberto Maciel Cardoso, da ALN, “justiçado” em 13 de novembro de 1971, no Rio de Janeiro;

            - Francisco Jacques Moreira de Alvarenga, da Resistência Armada Nacionalista (RAN), “justiçado” em 28 de junho de 1973, dentro da escola onde era professor, por um comando da ALN. Maria do Amparo Almeida Araújo , então militante da organização e, pelo menos, até algum tempo atrás presidente do “Grupo Tortura Nunca Mais”, em Pernambuco, participou dos levantamentos que permitiram a realização do referido “justiçamento”. No livro “Mulheres que foram à Luta”, do jornalista Luís Maklouf de Carvalho – 1998, ela declara não saber quem realizou a ação, embora seja evidente que, para que o “justiçamento” pudesse ser realizado, ela devesse ter passado este levantamento para alguém;

            - Salatiel Teixeira Rolins, do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário(PCBR), “JUSTIÇADO” em 22 de julho de 1973 por militantes da organização. Segundo o comunista e historiador Jagob Gorender, também fundador do PCBR em 1967, em seu livro “Combate nas Trevas”, os assassinos não poderiam intitular-se “militantes do PCBR, porque nesta época o PCBR não mais existia”;

            Durante a Guerrilha do Araguaia(1972 a meados de 1975), foram justiçados pelo Partido Comunista do Brasil- PC do B:

            - “Mundico”- Rosalino Cruz Souza, guerrilheiro; Osmar; Pedro Mineiro e José Pereira, sendo os três últimos moradores da região. Estes por suspeita de estarem colaborando com as Forças Armadas. O guerrilheiro “Paulo”, dado como desertor pelo PC do B, também teria sido “justiçado”, no entanto, não existem dados que confirmem esta versão.

           Finalmente não podemos esquecer que muitos desses “justiçadores”, por força da Lei de Anistia que somente está valendo para eles, aí estão exercendo funções públicas e sendo indenizados pelos crimes que cometeram.

 

 

 

 

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar



Anti-spam: complete the taskJoomla CAPTCHA
You didn't specify KeyCAPTCHA plugin settings in your Joomla backend.