O Estado de São Paulo
Por Tiago Décimo e José Maria Tomazela

Cerca de 100 integrantes de dez áreas quilombolas de municípios como Santo Amaro e Maragogipe, no Recôncavo Baiano, ocuparam ontem parte do prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Salvador. Em Salto de Pirapora, perto de Sorocaba (SP), um grupo de quilombolas da comunidade Cafundó invadiu uma fazenda vizinha para protestar contra a demora na regularização de suas terras.

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Líderes dos quilombolas da Bahia aproveitaram o início da Semana Nacional da Consciência Negra - no dia 20 é lembrada a morte de Zumbi dos Palmares - para cobrar do governo a oficialização da posse das terras quilombolas por seus ocupantes. Além disso, reivindicam o acesso da população das áreas a serviços como esgoto sanitário e energia elétrica. Segundo eles, das dez áreas representadas na manifestação, metade ainda não é contemplada pelos serviços.

Acabou no final da noite uma reunião entre representantes dos invasores e do Incra. Segundo a assessoria do órgão, ficou acertado que haverá mais rapidez na análise das reivindicações dos quilombolas, que se comprometeram a desocupar o prédio hoje pela manhã.

Em Salto de Pirapora, 105 quilombolas se revezam desde sexta-feira na ocupação dos barracos montados na área de pastagens da fazenda invadida. As terras pertencem à pecuarista Maria Soares, que até a tarde de ontem ainda não havia ingressado na Justiça com pedido de reintegração de posse.

De acordo com o líder quilombola Marcos Norberto de Almeida, no passado todas as áreas do entorno pertenciam aos negros e foram tomadas pelos fazendeiros. "Estamos no que é nosso por direito", disse.

Os moradores de Cafundó preservam uma espécie de dialeto de origem africana. A área foi tombada em 1990 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado (Condephaat). Em 2006, uma portaria do Incra reconheceu o território do Cafundó com 218,4 hectares. A comunidade, no entanto, continua confinada em apenas 21 hectares.

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