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Categoria: Corrupção
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Nova sede do Instituto Lula foi paga pela Odebrecht
Cleide Carvalho - O Globo
O juiz Sergio Moro marcou para 13 de setembro o segundo depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 13ª Vara Federal de Curitiba. Lula falará na segunda ação movida pela força-tarefa de Curitiba, na qual é acusado de ter recebido vantagens indevidas da Odebrecht na forma de um prédio para abrigar o Instituto Lula, no valor de R$ 12 milhões, e uma cobertura vizinha ao apartamento onde mora em São Bernardo do Campo (SP).
Moro ofereceu à defesa para fazer o depoimento de Lula por videoconferência, com o ex-presidente comparecendo à Justiça Federal de São Paulo. O juiz afirmou que o primeiro interrogatório de Lula envolveu gastos necessários, mas indesejáveis, com medidas de segurança. Ele deu prazo de cinco dias para que os advogados de Lula se manifestem
.NOVA SEDE – O ex-presidente nega e o Instituto Lula afirma que nunca mudou de endereço. Seus diretores dizem ter visitado vários prédios, entre eles o comprado pela Odebrecht, todos considerados inadequados.
 
O empresário Marcelo Odebrecht afirmou que o valor do prédio foi debitado da conta corrente de propina que a empreiteira mantinha para o PT, mais especificamente da subconta “Amigo”, reservada a atender o ex-presidente Lula depois que ele deixou o Palácio do Planalto.
 
Marcelo Bahia Odebrecht vai prestar depoimento no dia 4 de setembro, mesma data reservada a Demerval de Souza Gusmão Filho, da DAG Construções. O imóvel para o Instituto Lula foi comprado em nome da DAG, uma terceirizada da Odebrecht sediada na Bahia. Marcelo e Demerval são amigos de longa data.
 
PALOCCI SERÁ OUVIDO – No dia 6 de setembro serão ouvidos Antônio Palocci Filho, Roberto Teixeira e Glaucos da Costa Marques. O ex-ministro Palocci e advogado e amigo Roberto Teixeira teriam participado da negociação do imóvel para nova sede do Instituto Lula, com participação direta de Glaucos da Costa Marques, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente e já condenado na Lava-Jato. Está em nome dele a segunda cobertura atribuída a Lula em São Bernardo do Campo e ele recebeu valores repassados pela empreiteira em datas próximas à compra do imóvel.
 
Os advogados de Lula dizem que a cobertura foi alugada pela família, mas não apresentou comprovantes de pagamento do aluguel.