Recado do Exército mostra que intervenção militar é uma possibilidade concreta
 Tribuna da Internet - 05/08/2017
Villas Bôas anexou a foto da reunião do Estado Maior
Carlos Newton
Em países minimamente civilizados, comandantes das Forças Armadas não fazem comentários sobre assuntos políticos. Por isso, quando se manifestam, todo cuidado é pouco. Aqui no Brasil, poucas horas depois de a Câmara Federal ter rejeitado a abertura de processo criminal contra o presidente Michel Temer, o comandante do Exército mandou um duro recado ao governo. Através de sua conta no Twitter, disse o general Eduardo Villas Bôas: “Conduzo seguidas reuniões sobre a gestão dos cortes orçamentários impostos ao Exército. Fazemos nosso dever de casa, mas há limites”.

    BOM DIA, COMANDANTE!
O fato concreto é que, na noite em que o presidente Temer escapou de ser afastado do governo por acusação de corrupção passiva, o general Villas Bôas dormiu pouco. Na madrugada de quinta-feira, já estava em plena atividade. E antes mesmo do sol nascer, às 5h26m, o chefe militar usava o computador para transmitir seu recado ao governo de uma forma aberta, para que chegasse ao conhecimento de todos os possíveis interessados.
 
 
NOTA OFICIAL – Os jornalistas logo buscaram informações junto à Assessoria de Comunicação do Exército, e o general Villas Bôas mandou distribuir uma nota oficial da maior importância. O texto adverte que o contingencionamento de verbas impede o Exército de reforçar a segurança pública e desenvolver outras atividades de interesse social, como apoio em situações de calamidade pública.
 
A nota oficial anuncia também a redução das atividades de patrulhamento nas áreas de fronteiras, “onde o Exército é a única presença do Estado e presta apoio às populações locais”. E comunica que haverá “quebra de contratos e obrigações assumidas pelo Exército, com consequente pagamento de multas e encargos decorrentes”.
 
Portanto, fica explicado por que o Exército já abandonou as ruas do Rio de Janeiro, mal iniciara o reforço da segurança pública local.
 
TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Os comandantes das Forças Armadas não falam. Quando falam, devem ser ouvidos. No ano passado, os três, isoladamente, deixaram claro que não aceitariam redução na aposentadoria dos militares, e o governo imediatamente concordou.
 
Recentemente, em 28 de junho, o general Villas Bôas ainda estava animado com a promessa de o governo reajustar os salários dos militares, muito defasados em relação aos servidores civis, e anunciou no Twitter que “o Estado-Maior do Exército estuda modificações para a carreira dos graduados. Assim que tenhamos posição final faremos a comunicação”.
 
Mas agora a ficha caiu. O governo teve recursos de sobra para manter a gastança administrativa dos ministérios, derrubou o teto de gastos estabelecido pela Fazenda, conseguiu comprar a consciência de dezenas de deputados federais, mas não tem dinheiro para as Forças Armadas e contingenciou de 43% de suas despesas discricionárias, embora a média histórica seja de apenas 17,5%.  E além de não haver reajuste salarial, volta-se a falar que a aposentadoria dos militares precisa ser revista. E agora?

Comentários  

0 #2 Of SIP honestos 23-08-2017 22:55
Favor publicar as nossas críticas construtivas! Obrigado! Selva! Brasil Acima de Tudo!
A nossa moral e ética são os priNcípios da "Alma do Soldado" - vide Estatuto dos militares - nossos parAbéns ao Gen Refo GUEIROZ!
+1 #1 Dalton C. Rocha 07-08-2017 11:26
O Regime Militar prestou grandes serviços ao Brasil. Dois deles foram: tranquilidade política e, imensos investimentos em infraestrutura.
A produção brasileira de petróleo cresceu mais de 8 vezes, a capacidade de refino de petróleo multiplicou-se mais de 12 vezes, a produção de soja aumentou mais de 60 vezes, extinguiu-se a varíola, decuplicou-se o número de vagas em escolas públicas, universalizou-s e a previdência social, multiplicou-se a produção de eletricidade mais de dez vezes, etc.
Tudo correu bem, até o final do governo Médici, em março de 1974. Só que sob Geisel e Figueiredo (1974 – 1985), a dívida externa cresceu mais de dez vezes, a inflação estava em cerca de 10% ao mês, de 1982 em diante e o desemprego era alto. A partir daí a queda do Regime Militar tornou-se inevitável.

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