Confirmado: Funaro fecha acordo de delação e leva o Planalto ao desespero
Jailton de Carvalho  - O Globo - 22/08/2017
Depois de meses de negociação e após uma reunião que só terminou por volta da meia-noite, advogados do operador Lúcio Bolonha Funaro e integrantes do Ministério Público Federal (MPF) acertaram os termos do acordo de delação premiada. Segundo pessoas com acesso às negociações, o acordo será assinado ainda nesta terça-feira.
Após a formalização entre as duas partes, o material, incluindo os anexos em que o futuro delator promete apresentar provas sobre crimes de que teve conhecimento e/ou participação, será enviado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o acordo seja homologado.
“AINDA TEM” – Funaro agia como operador do PMDB. Há uma semana, após acompanhar audiência na Justiça Federal, onde responde a processo junto com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que teve o mandato cassado, Funaro foi abordado por jornalistas.
 
Indagado se tinha algo a falar sobre o presidente Michel Temer, limitou-se a dizer que ainda tem o que dizer. No entanto, ainda não há detalhes sobre o conteúdo da delação do operador e qual a extensão da lista de envolvidos do mundo político citados por ele.
 
Na última segunda-feira, o doleiro foi transferido do presídio da Papuda para a carceragem da Polícia Federal (PF). Foi a segunda vez desde o início do mês passado que Funaro foi levado à carceragem da polícia, onde pode prestar depoimentos com mais facilidade. Normalmente, quem negocia acordo de delação é levado para lá.
 
TEMPO DE PRISÃO – Na última semana, fontes vinculadas ao caso disseram ao Globo que o acordo estava em fase final de negociação e só não tinha sido assinado até então porque as partes ainda divergiam sobre o tempo em que Funaro ficaria preso. Investigadores da Lava-Jato exigiam 12 anos de prisão para o operador. O doleiro entendia que, pelas informações oferecidas, teria direito a deixar a cadeia até o fim deste ano.
 
Os investigadores decidiram estabelecer regras mais duras para o operador porque ele só se dispôs a colaborar quando boa parte da suposta estrutura de corrupção a que pertencia já era conhecida da Lava-Jato. Conta também contra Funaro o fato de que este seria o segundo acordo de delação dele. O operador fez acordo de colaboração durante as investigações do mensalão, mas não cumpriu o compromisso de não voltar a cometer crimes.
 
TEMER NA MIRA – As revelações de Funaro podem atingir um expressivo número de políticos, entre eles o presidente Michel Temer. Antes de ser preso, no início de julho do ano passado, o operador do PMDB era considerado um dos principais cúmplices dos negócios do ex-deputado Eduardo Cunha e de outros políticos do partido.
 
Um único depoimento que o doleiro prestou à PF, por exemplo, já serviu de base para a prisão do ex-ministro da Secretaria de Governo Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que era um dos ministros mais influentes na primeira fase do governo Temer.
 
Geddel foi acusado de tentar impedir acordo de delação premiada do ex-deputado Eduardo Cunha e do operador financeiro Lúcio Bolonha Funaro. Ele foi preso em Salvador e está em prisão domiciliar.
 
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