Rodolfo Buhrer - 11/09/2017
Antonio Palocci
O ex-ministro Antonio Palocci, na época da prisão, em 2016
GUILHERME SETO-São Paulo
Desde 1988, quando foi eleito vereador em Ribeirão Preto – onde nasceu e se formou como médico–, Antonio Palocci, 56, construiu uma trajetória sempre ligada ao PT, que ele ajudou a fundar em 1980.
Nesta quarta-feira (6), ele afirmou ao juiz Sergio Moro que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalizou um "pacto de sangue" no qual a Odebrecht se comprometeu a pagar R$ 300 milhões em propinas ao PT entre o final do governo Lula e os primeiros anos do governo Dilma, segundo seus advogados.
Palocci ganhou destaque no partido em 1992, quando foi eleito prefeito de Ribeirão Preto. Em 1998, tornou-se deputado federal por São Paulo.
Em 2002, foi alçado ao protagonismo no partido ao coordenar o programa de governo da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência. Coordenou a "Carta ao Povo Brasileiro", com sinalização pró-mercado do PT.
 
 
Com a vitória, foi nomeado ministro da Fazenda, ocupando função de estabelecer diálogo com o empresariado, que, temeroso diante da possibilidade de radicalização, foi tranquilizado pela postura moderada de Palocci na economia.
 
Palocci foi acusado, em 2006, de se encontrar com empresários para fazer lobby numa casa do Lago Sul, zona nobre de Brasília, alugada por seus assessores mais próximos.
 
Ele sempre negou ter participado desses encontros. Mas o caseiro Francenildo dos Santos Costa, que cuidava do imóvel, disse ter visto o ministro em eventos no local.
 
Logo após o depoimento, o blog da revista "Época" publicou reportagem que mostrava um extrato da conta do caseiro na Caixa Econômica Federal, que apontava R$ 35 mil em depósitos em seu favor. Francenildo ganhava pouco mais de R$ 500 de salário.
 
Os parlamentares da base do governo Lula acusaram o caseiro de ter recebido dinheiro da oposição para depor contra Palocci.
 
Não demorou para que se percebesse que na divulgação do extrato da conta do caseiro havia uma ilegalidade: a quebra de sigilo bancário sem autorização judicial.
 
Palocci foi chamado a explicar a ilegalidade, mas nunca deu uma resposta satisfatória para o caso e perdeu o cargo de ministro.
 
Em 2011, também ocupou cargo no governo Dilma Rousseff, mas não durou seis meses como ministro da Casa Civil. Ele pediu afastamento após a Folha revelar que ele havia multiplicado o patrimônio por 20 com sua empresa de consultoria. 
 
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