O CRIME ORGANIZADO E A SEGURANÇA NACIONAL
Gen Bda Paulo Chagas
Caros amigos
Diferentemente do que pensam ou querem alguns, a ação das FFAA no Rio de Janeiro nada tem a ver com "intervenção militar na politica", porquanto esta última, para cumprir as condições de legalidade, legitimidade e de preservação da estabilidade, fixadas pelo Comandante do Exército, Gen Villas Bôas, e claramente esplanadas pelo Gen Mourão, em recente palestra para a Maçonaria, pressupõe uma situação de ANOMIA, isto é, ausência de autoridade do Estado, com falência dos Poderes da União, configurando um quadro de desordem generalizada.


Em casos de grave perturbação da ordem e iminente instabilidade institucional, situação mais consentânea com uma Intervenção Federal, quando é decretado o Estado de Defesa ou de Sítio, o emprego das FFAA é feito de forma similar a que lhes é peculiar, com as características e os efeitos colaterais semelhantes aos de uma guerra. Na situação atual, não enquadrada no caso de Intervenção Federal, onde se verifica não mais do que uma grave anormalidade da ordem, esse emprego deve limitar-se ao cerco e ao apoio às operações policiais e especiais. No caso específico da Rocinha, o conflito entre facções será resolvido da forma como está sendo tratado, isto é, com o mínimo de efeitos colaterais para a população, com o máximo de perdas possíveis para os criminosos, com o menor número de baixas nas Forças Policiais e o menor engajamento possível para as FFAA. Emprega-se o princípio da "massa" no cerco e o da "ofensiva", através das Forças Policiais, no confronto com os bandidos.

De qualquer forma, sempre haverá desgaste para todos, na medida em que operações como as desenvolvidas no Rio de Janeiro pouco contribuem para a solução do problema como um todo, o qual, como se sabe, não é apenas o que se vê, mas, principalmente, o que não se vê e que está por traz e por cima do crime organizado e que requer investigações e operações conjuntas e coordenadas que envolvam, além das FFAA e dos órgãos de segurança estaduais, o MPF, a PF e a ABIN, ou seja, a Procuradoria Geral da República, os Ministérios da Justiça e da Defesa, o Gabinete de Segurança Institucional e os segmentos do Estado voltados ao desenvolvimento e à solução de carências sociais.

Salvo outro juízo, a criminalidade organizada no Rio de Janeiro e no Brasil só terá solução quando for tratada como problema de segurança nacional.
É como eu enxergo o problema e a solução.

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