Ditadura da Democracia
Carlos José Pedrosa
A democracia é um regime tão estranho quanto interessante. Começa pretendendo ser o império da vontade popular, mas o que vemos é a vontade das elites democraticamente sobrepujando a soberania da Nação. "Todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido", era o que estava escrito lá na antiga constituição, até mesmo na ditadura militar. Os constituintes (?) de 1988 mudaram para "todo o poder emana do povo, que o exercerá através dos seus representantes". Só faltam dizer que quando venderam o País estavam democraticamente cumprindo a vontade popular.


Os políticos, as figuras mais nocivas deste País, fazem suas campanhas prometendo certos programas e democraticamente iludindo a boa-fé do eleitorado. Passada a eleição, fingem desconhecer esses programas por eles mesmos difundidos. Os eleitores - coitados - vêem fazer em seu nome o oposto da sua vontade. Pior que isto, nada mais podem fazer. Em todo mandato, o outorgante constitui seu legítimo representante, que pode ser um advogado, um procurador, um preposto nos negócios ou coisa que o valha. Se o outorgado não cumprir fielmente o mandato, o outorgante poderá revogá-lo. Na democracia de pilro é o contrário. O mandatário democraticamente faz o contrário do que foi pactuado, democraticamente zomba do outorgante (o eleitor) e democraticamente permanece por todo o mandato, usufruindo das benesses e das negociatas que o poder democraticamente proporciona. Não é um mandato popular: é o sufoco popular realizado através do voto, uma instituição tão desmoralizada que se tornou um meio de barganha entre eleitores e candidatos. Já é uma moeda de troca, como outra qualquer. Democraticamente!

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