Atribuir valor a quem não tem
Marco Antonio dos Santos
Coronel EB e analista de informações.
Lições da palestra do General Hamilton Mourão
Repercutir as manifestações contrárias às oportunas, certeiras e corretas avaliações do Gen Hamilton Mourão, na palestra que ministrou em 15 de setembro pp, é atribuir valor a quem não tem.
Imaginar que o grupo dominante na atual política nacional, seja capaz de dar um rumo ou governabilidade ao Brasil, é acreditar em Saci Pererê ou Mula Sem Cabeça.
Mais importante que o posicionamento do Gen Mourão, equivocamente interpretado, quanto à possibilidade de o Exército (e as demais Forças Armadas, óbvio) terem que intervir, novamente, como o fizeram muitas vezes na História deste país, em defesa da sociedade diante do caos instalado, foi a competente análise da conjuntura nacional por ele empreendida.


Emílio Odebrecht, em depoimento à Justiça Federal, foi contundente ao afirmar que , em 1985, na saída dos militares do poder, a válvula da corrupção foi aberta e o país caminhou célere para o atual patamar de desgoverno, desordem e beira do abismo econômico.

Não há planejamento estratégico capaz de colocar o Brasil em um caminho condizente com seu porte geopolítico e as caraterísticas do Séc XXI; não há defesa dos objetivos, valores e princípios materializados na Constituição Federal; a fragilidade institucional é evidente; a insegurança campeia em todos os quadrantes e dimensões; atores não governamentais e criminosos dominam setores nos quais o Estado desapareceu; e saúde e educação são dignas do Séc XVIII. Constatações ainda mais críticas estão nas telas que o General bem analisou.

Enquanto isso, as Orcrim, assim nomeadas pela Polícia Federal e pela Justiça, dividem os nacos do butim daquele pouco de riqueza e esperança que restam e estabelecem as regras que lhes assegurem a própria sobrevivência política.

É isso e mais disso que se pode depreender da brilhante lição que o General legou à sociedade nacional no dia 15 de setembro.
Os poucos homens honestos que porventura ainda estejam nos Poderes da República deveriam se concentrar no conteúdo do tratado de futuro que a análise do general Mourão projeta, caso as decisões começarem a ser tomadas agora.

O Brasil precisa sair do nada em que está se tornando.
Talvez, em 2018 não exista mais país a salvar.


Aproveitando um trecho de canção que marcou época nos anos 1970: "quem sabe faz a hora, não espera acontecer".
O pais deve ser grato ao Gen Hamilton Mourão por alertar que é preciso fazer um momento diferente deste que está posto ou as consequências podem ser ainda piores que as análise permitem visualizar.

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