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Categoria: Diversos
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 Blog do Josias
Como se sabe, a estratégia adotada no Brasil para combater a proliferação da Aids tornou-se, por exitosa, uma referência mundial. Porém, o sucesso do programa convive com uma distorção que envenena os custos impostos ao erário. Os remédios genéricos anti-retrovirais produzidos no Brasil chegam a custar até sete vezes mais do que os similares fabricados em outros países.

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O problema não é ignorado pelo Ministério da Saúde. Ali, alega-se que os remédios brasileiros são mais caros porque a produção é feita em menor escala.

Alega-se, de resto, que há dificuldades para a compra de matéria-prima e que faltaria ao país uma política industrial para o setor farmacêutico.

Suspeita-se que, sob o cipoal de desculpas, dorme um certo comodismo que infelicita a atividade dos laboratórios oficiais.

O grosso da verba do programa de combate à Aids (72%) é usado para comprar remédios protegidos por patentes.

Como os genéricos consumem uma fatia menor do orçamento, o debate sobre os custos acaba sendo negligenciado. Passa da hora de levar os números à mesa.

Deve-se ao ex-ministro José Serra (Saúde) o movimento que levou à quebra de patentes de medicamentos anti-aids. Vem daí o início da produção nacional.

O gesto desceu à crônica do combate à Aids no Brasil como raro exemplo de coragem na administração pública.

Arrisca-se a virar mero capricho se o gostinho da afronta continuar impondo custos adicionais ao contribuinte brasileiro.