De repente, o boquirroto Gilmar Mendes fica discreto e agora “só fala nos autos”
Vinicius Sassine -  Globo - 05/12/2017
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes evitou partir para um primeiro confronto direto com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, mas defendeu a decisão de soltar pela terceira vez o empresário Jacob Barata Filho, o “rei do ônibus” no Rio. Em parecer enviado ao STF nesta segunda-feira, Raquel defendeu que Barata volte a ser preso preventivamente.

Segundo a procuradora-geral, a competência para analisar um habeas corpus não era de Gilmar, mas do ministro Dias Toffoli, que vem relatando os casos da Operação Cadeia Velha. Gilmar é responsável pelos casos da Operação Ponto Final, e decidiu de ofício conceder habeas corpus ao “rei do ônibus”, preso tanto em uma quanto na outra operação.

SEM COMENTÁRIOS – Depois de um evento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na noite desta segunda-feira, Corte presidida por Gilmar, o ministro foi questionado sobre o agravo apresentado ao STF por Raquel. Ele tentou evitar alimentar uma polêmica: “Essas conversas só se dão nos autos. Vamos discutir isso nos autos”, desconversou.

Os jornalistas insistiram e perguntaram ao ministro se ele tinha competência para analisar a liberdade de Barata na Cadeia Velha. “Como eu lhe respondo? Você acha que alguém toma uma decisão achando-se incompetente?’ — contestou Gilmar.

Na gestão de Rodrigo Janot à frente da Procuradoria Geral da República (PGR), Gilmar partiu para o confronto direto e aberto com o procurador-geral por inúmeras vezes. O ministro chegou a chamar Janot de “delinquente”, atribuiu a ele a pior gestão à frente da PGR na história e disse que o então procurador-geral “chantageava” o STF. Janot denunciou por duas vezes o presidente Michel Temer, com quem Gilmar tem sólida amizade – uma por corrupção passiva e outra por organização criminosa e obstrução de Justiça. Nos dois casos, a Câmara barrou o andamento das denúncias.

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