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Ouça a belíssima versão, em alemão, da canção " Noite Feliz"

 http://www.youtube.com/watch?v=oUb8ySdERKs

 NOITE FELIZ - SAIBA A ORIGEM DA CANÇÃO
 Em 24 de dezembro,  milhares de turistas irão mais uma vez para Oberndorf,  perto de Salzburgo (região central da Áustria), onde há  185 anos foi composta "Noite Feliz", uma das mais  conhecidas canções natalinas."Stille Nacht, Heilige  Nacht" em alemão, "Noite Feliz" em   português, "Silent Night" em inglês, "Douce  Nuit" em francês: hoje traduzida para 330 idiomas, a  canção de Natal austríaca foi criada por acaso, quando  quebrou o órgão da igreja do povoado de 6.000  habitantes. 

Em 1818, dois dias antes  do Natal, o antigo órgão da igreja de São Nicolau, a   paróquia do padre Joseph Mohr, parou de tocar. Para não  decepcionar os fiéis, o sacerdote pediu ao amigo Franz  Xaver Gruber, maestro e organista do vizinho povoado de  Arnsdorf para compor uma melodia para um texto de Natal que  ele havia escrito dois anos antes.Na Missa do Galo de 24 de  dezembro, o padre Joseph Mohr, com sua bela voz de tenor e que tocava violão, e Gruber, com sua bela voz de baixo, interpretaram pela primeira vez, em alemão, a canção.

 "Noite Feliz".
O fato era totalmente  incomum na época, quando os textos religiosos ainda eram  escritos em latim. Mas Mohr achava que uma letra simples e  fácil de entender era o mais adequado para seus fiéis, na  grande maioria barqueiros e camponeses.

Em 1831, um coral que se  dedicava a executar cantos populares tiroleses incorporou a  canção natalina do padre Mohr a seu repertório durante  uma viagem pela Rússia. Dali, a canção viajou para Nova  York, onde foi interpretada por um coral tirolês em 1839,  mas onde seus autores e sua origem permaneceram  desconhecidos.

Trinta e seis anos > depois, a corte prussiana, que procurava a partitura  original da canção, consultou o pároco de São Pedro de  Salzburgo que, para surpresa geral, disse que Mohr e Gruber,  mortos no anonimato em 1848 e 1863, respectivamente, eram os  autores daquela canção que tinha sido atribuída ao  compositor austríaco Michael Haydn.

Hoje, Oberndorf vela para  que os dois homens não sejam esquecidos. Em 1937 foi  construída uma capela no mesmo local onde, no século  anterior, ficava a paróquia de São Nicolau, que foi  destruída em 1913 por uma inundação. A ela foi dado o  nome de "Noite Feliz" e em seus vitrais aparecem  os retratos de Mohr e Gruber.A capela é hoje uma atração turística que recebe 150 mil visitantes por  ano.

Mas, como a capela só  tem capacidade para 20 pessoas, em 24 de dezembro o padre  Nikolaus Erber celebra a missa ao ar livre, visto que  tradicionalmente 7.000 pessoas acompanham a Missa do Galo em  Oberndorf.

 Noite Feliz na 1º Guerra  Mundial
 Finalmente parou de chover. A noite está clara, com céu  limpo, estrelado, como os soldados não viam há muito  tempo. Ao contrário da chuva, porém, o frio segue sem dar trégua. Normal nesta época do ano. O que não seria normal  em outros anos é o fedor no ar. Cheiro de morte, que invade  as narinas e mexe com a cabeça dos vivos – alemães e britânicos, inimigos separados por 80, 100 metros no  máximo.

Entre eles está a “terra de ninguém”, assim chamada porque não se  sobreviveria ali muito tempo. Cadáveres de combatentes de  ambos os lados compõem a paisagem com cercas de arame  farpado, troncos de árvores calcinadas e crateras abertas  pelas explosões de granadas.

O barulho delas é  ensurdecedor, mas no momento não se ouve nada. Nenhuma  explosão, nenhum tiro. Nenhum recruta agonizante gritando  por socorro ou chamando pela mãe. Nada.

E de repente o  silêncio é quebrado. Das trincheiras alemãs, ouve-se  alguém cantando. Os companheiros fazem coro e logo há  dezenas, talvez centenas de vozes no escuro. Cantam“Stille Nacht, Heilige Nacht”. Atônitos, os britânicos  escutam a melodia sem compreender o que diz a letra. Mas nem   precisam: mesmo quem jamais a tivesse escutado descobriria que a música fala de paz. Em inglês, ela é conhecida como  “Silent Night”; em português, foi batizada de “Noite  Feliz”. Quando a música acaba, o silêncio retorna. Por  pouco tempo.“Good, old Fritz!”, gritam os britânicos.

Os “Fritz” respondem com “Merry Christmas,  Englishmen!”, seguido de palavras num inglês arrastado:

“We not shoot, you not shoot!”(“Nós não atiramos,  vocês também não”).

Estamos em algum lugar de Flandres, na Bélgica, em 24 de  dezembro de 1914. E esta história faz parte de um dos mais  surpreendentes e esquecidos capítulos da Primeira Guerra Mundial: as confraternizações entre soldados inimigos no  Natal daquele ano. Ao longo de toda a frente ocidental –  que se estendia do mar do Norte aos Alpes suíços, cruzando a França –, soldados cessaram fogo e deixaram por alguns  dias as diferenças para trás. A paz não havia sido  acertada nos gabinetes dos generais; ela surgiu ali mesmo  nas trincheiras, de forma espontânea. Jamais acontecera  algo igual antes. É o que diz o jornalista alemão Michael  Jürgs em seu livro Der Kleine Frieden im Grossen Krieg –  Westfront 1914: Als Deutsche, Franzosen und Briten Gemeinsam  Weihnachten Feierten (“A Pequena Paz na Grande Guerra –  Frente Ocidental 1914: Quando Alemães, Franceses e  Britânicos Celebraram Juntos o Natal”, inédito no  Brasil).  

Quando chovia forte, a água batia na altura dos joelhos.  Dormia-se em buracos escavados na parede e era comum acordar  assustado no meio da noite, por causa das explosões ou de uma ratazana mordiscando seu rosto. Durante o dia, quem  levantasse a cabeça sobre o parapeito era um homem morto.

Os franco-atiradores estavam sempre à espreita (no final da  tarde, praticavam tiro ao alvo no inimigo e, quando  acertavam, diziam que era um “beijo de boa-noite”). O  soldado entrincheirado passava longos períodos sem ter o  que fazer. Horas e horas de tédio sentado no inferno. Só  restava esperar e olhar para céu – onde não havia  ratazanas nem cadáveres. 

 Ainda assim, era difícil imaginar o que estava por vir. Na  noite do dia 24, em Fleurbaix, na França, uma visão deixou  os britânicos intrigados: iluminadas por velas, pequenas árvores de Natal enfeitavam as trincheiras inimigas. A  surpresa aumentou quando um tenente alemão gritou em  inglês perfeito: “Senhores, minha vida está em suas  mãos. Estou caminhando na direção de vocês. Algum  oficial poderia me encontrar no meio do caminho?”

Silêncio.

Seria uma armadilha? Ele prosseguiu: “Estou sozinho e  desarmado. Trinta de seus homens estão mortos perto das  nossas trincheiras. Gostaria de providenciar o enterro”.

Dezenas de armas estavam apontadas para ele. Mas, antes que  disparassem, um sargento inglês, contrariando ordens, foi  ao seu encontro. Após minutos de conversa, combinaram de se  reunir no dia seguinte, às 9 horas da manhã.  

 No dia seguinte, 25 de dezembro, ao longo de toda a frente  ocidental, soldados armados apenas com pás escalaram suas  trincheiras e encontraram os inimigos no meio da terra de ninguém. Era hora de enterrar os companheiros, mostrar  respeito por eles – ainda que a morte ali fosse um acontecimento banal. O capelão escocês J. Esslemont Adams  organizou um funeral coletivo para mais de 100 vítimas. Os  corpos foram divididos por nacionalidade, mas a separação  acabou aí: na hora de cavar, todos se ajudaram. O capelão  abriu a cerimônia recitando o salmo 23. “O senhor é meu  pastor, nada me faltará”, disse. Depois, um soldado  alemão, ex-seminarista, repetiu tudo em seu idioma. No fim,  acompanhado pelos soldados dos dois países, Adams rezou o  pai-nosso. Outros enterros semelhantes foram realizados  naquele dia, mas o de Fleurbaix foi o maior de  todos.


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