REFLEXÕES SOBRE A INTERVENÇÃO FEDERAL NO RIO DE JANEIRO
Gen Ex  José Carlos Leite Filho – Reformado - Natal - 17/02/2018
A Constituição Federal dispõe que a União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, ressalvando situações extremas que ultrapassem a capacidade dos entes federados solucionar.
A intervenção federal na área da segurança pública no Rio de Janeiro, hoje anunciada, evidencia o fracasso de governantes eleitos que foram incapazes de gerenciar adequadamente área tão sensível ao bem comum e à paz social. Recursos financeiros abundantes foram dilapidados e muitos responsáveis ainda desfrutam de liberdade. O desassossego da população com a assistência à saúde não é menor do que o causado pela insegurança pública.


A transferência de responsabilidade para o Exército Brasileiro escancara para toda a nação a eficácia e o valor dessa Instituição militar ao mesmo tempo em que induz reflexões sobre as causas da continuada corrosão da segurança pública carioca.
Sou forçado a confessar a minha decepção com o governo estadual, embora sem surpresa, e também com o governo federal, pela falta de acompanhamento e coordenação constantes indispensáveis à eficácia dos órgãos arrolados no Art. 144 da Constituição Federal (polícia federal, polícia rodoviária federal, polícia ferroviária federal, polícia civil, polícia militar e corpo de bombeiros militares), impossibilitando a esperança de melhores dias para a população do Rio de Janeiro.Em caso de guerra, as Forças Armadas são instruídas e adestradas visando a destruição do inimigo ou a eliminação de sua vontade de lutar, tendo para tanto liberdade de ação no seu Teatro de Operações, o que não acontecerá no caso da intervenção em causa quando a ação de pretensos defensores dos direitos humanos se constituirá em obstáculo, como soe acontecer.

Sem mobilização e sem disponibilidade de recursos financeiros não será possível contar com um efetivo adequado à missão. O interventor federal terá de comandar sem tempo suficiente para conhecer seus novos subordinados e para promover eventuais mudanças de comando.

Na atualidade, o crime compensa no Rio de Janeiro e alhures, razão fundamental da indesejável conjuntura social vivida no país, sendo indispensável dispor de uma nova legislação que desestimule os criminosos, difícil de se tornar realidade em um ano de campanha eleitoral com os legisladores nela mergulhados.

Para a conquista do eleitor, os políticos dispõem sem dificuldade de recursos financeiros específicos. Para o êxito de uma intervenção federal, há que se contemplar igualmente de verbas adequadas a força empenhada, o que não parece provável acontecer, resultando em prejuízo dos objetivos traçados, inclusive a manutenção da população informada, indispensável à obtenção de sua permanente confiança e apoio.

Resta-me confiar em Deus e no glorioso Exército de Caxias, O Pacificador!

Adicionar comentário

Código de segurança
Atualizar