O Estado de S. Paulo 
PARIS. A União Européia (UE) quer que o Brasil assuma agora o compromisso de uma meta para redução de suas emissões de gases poluentes, como fez o bloco na semana passada, em Bruxelas, ao decidir diminuí-las em 20% até 2020. O governo brasileiro sempre se opôs à idéia, alegando o princípio das "responsabilidades diferenciadas": cabe aos grandes poluidores pagar a maior parte da conta do estrago e dar o primeiro passo. O presidente francês Nicolas Sarkozy não concorda. Em entrevista, seu conselheiro diplomático, Jean-David Levitte, disse que "países como o Brasil podem e devem fazer mais", e entrou em terreno delicado para nacionalistas brasileiros, dizendo que a Amazônia "é de todos":

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- O Brasil tem que aceitar a negociação e aceitar fazer um esforço traduzido por números precisos. A Amazônia está desaparecendo e pertence a todos nós, ao contrário do que o Brasil defende. O Brasil vai precisar se mexer e se engajar mais.


Este será um dos desafios de Sarkozy nos dois dias de sua visita oficial ao Brasil, a partir de segunda-feira: convencer o governo Lula a mudar sua política sobre o assunto. Mas há outros temas delicados, como a reforma do Conselho de Segurança da ONU. O Brasil batalha há anos para obter uma cadeira permanente no conselho. França, Inglaterra e Alemanha apóiam a reforma, para incorporar Brasil e outras potências, como Japão e a própria Alemanha. Mas Itália e Espanha - porque vão ficar de fora - são contra.


Levitte disse ontem aos jornalistas que a Itália "aceitou fazer um pequeno gesto". Não disse qual. Mas o tema será discutido entre Lula e Sarkozy:


- São negociações duras e difíceis, porque a União Européia não tem posição única.  Uma coisa é certa: com ou sem oposição dos países, o governo brasileiro quer uma menção à ampliação no Conselho de Segurança no documento da cúpula Brasil e União Européia.
- O que não pode é não entrar (uma menção) - comentou um negociador brasileiro.

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