54 anos da reação democrática de 31 de março de 1964
Marco Antonio Esteves Balbi
Acabei de ler a obra A corrupção da inteligência de autoria de Flávio Gordon. Ela ajuda a explicar muito do que nos aconteceu nos últimos 50 anos, assim como traz à luz referências que ajudam a compreender melhor o passado.
Dizem que para se analisar um fato histórico é necessário se guardar um certo distanciamento temporal do mesmo. Assim é que hoje pode-se entender melhor os fatos que antecederam o evento "reação democrática" de março de 1964, feliz definição do ilustre constitucionalista Dr Ives Gandra da Silva Martins.

A obra do Flávio Gordon faz referências a episódios narrados em compêndios de autores diversos cujo conhecimento me parece bastante restrito e que seria interessante difundir para um número maior de pessoas e que influenciaram ou ajudam a explicar melhor a definição do Dr Ives.
Denise Rollemberg, em seu livro intitulado O apoio de Cuba à luta armada no Brasil: o treinamento guerrilheiro, explicita o seguinte: "quanto à revolução brasileira, Cuba apoiou a formação de guerrilheiros, desde o momento em que assumiu a função de exportar a revolução, quando o Brasil vivia sob o regime democrático do governo João Goulart [...] Cuba apoiou, concretamente, os brasileiros em três momentos em diferentes. O primeiro, como disse, foi anterior ao golpe civil militar. Nesse momento, o contato do governo cubano era com as Ligas Camponesas [...] Cuba viu nesse movimento e nos seus dirigentes o caminho para subverter a ordem no maior país da América Latina.

A autora relata ainda trecho das memórias de Flávio Tavares, que, "em fins de 1962, o Serviço de Repressão ao Contrabando, por acaso, desbaratou o plano de formação de um campo de treinamento das Ligas, no interior de Goiás, Dianópolis. Pensando se tratar da entrada ilegal de eletrodomésticos, o Serviço "encontrou algumas armas e muitas, muitas bandeiras cubanas, retratos e textos de Fidel Castro e do deputado pernambucano Francisco Julião, manuais de instrução de combate, além dos planos de implantação de outros focos de sabotagem e uma minuciosa descrição dos fundos financeiros enviados por Cuba para montar o acampamento e todo o esquema de sublevação armada das Ligas Camponesas noutros pontos do país". E o que fez Jango? Entrega todo o material apreendido a um ministro cubano especialmente enviado ao Brasil para este fim. O avião que o mesmo retornava, caiu antes de aterrissar numa escala em Lima, no Peru, e a pasta que carregava foi encontrada e entregue às autoridades da CIA.

Resumo, pois, que o presidente do Brasil no ano de 1962, João Goulart, toma conhecimento de um plano intervencionista de um governo estrangeiro, socialista, com a implantação de bases de guerrilha para conduzir uma luta armada e, sorrateriamente, chama o diplomata daquele governo para devolver as provas da intervenção criminosa, de acordo com a obra já citada da Denise Rollemberg.
Destaque-se, também, que já se tem conhecimento que, em 1963, a China já treinava guerrilheiros do PC do B para a luta armada.

A fantasiosa história que a esquerda revisionista hoje tenta reescrever não resiste a documentos e fatos que aos poucos vão sendo melhor conhecidos.

Estamos em 2018, passados 50 anos do famoso 1968. Este foi o ano que, após a reação democrática, grupos de esquerda acirraram a luta armada na tentativa de implantar a ditadura do proletariado, para a qual, como vimos, já vinha se preparando anteriormente, tentando derrubar o regime de exceção. A reação dos agentes do Estado, com o apoio da população, levou 6 anos para derrotar os grupos e retomar o rumo para restituir ao país a plena democracia.

Os brasileiros se orgulham da decisão tomada pela sociedade naqueles anos em que se afastou a ameaça de transformar a nossa pátria numa grande Cuba da América do Sul, inclusive pela força das armas. Honrem, pois, hoje, aqueles que nos antecederam.

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