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Categoria: Contra Revolução de 1964
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ZUENIR E O “OS ANOS DE CHUMBO”...
Luiz Sérgio Silveira Costa - 16/06/2018
No O Globo de hoje, 2º Caderno, título “Zuenir e o Vazio Cultural dos Anos de Chumbo, a notícia de um ciclo de conferências, “A Cultura em Processo”, que a ABL promove neste mês. Na reportagem, a jornalista Paula Autran mostra resultado de sua entrevista com Zuenir, antes da sua palestra de hoje, quando ele disse:
- “Hoje vivemos um período politicamente difícil. Nossa democracia é imperfeita, mas você pode apontar as suas mazelas sem ser preso...”. Acho que falta algo. Devia ter dito que a “democracia é imperfeita, mas é o melhor sistema, pois a alternativa é muito pior, a autocracia. E não disse, mas eu, sim, que, dentro das autocracias, a de esquerda é um horror, muito pior do que as de direita, pois, além de tudo, exterminou parte de seu próprio povo, como as de Stalin, Pol Pot, Fidel, Mao, Ceasescu, etc, mais de 70 milhões de pessoas.

E, se não fosse a intervenção militar de 64, instada pelo povo brasileiro, teríamos uma ditadura comunista, e ninguém sabe até quando. Como disse Roberto Campos, comparando o paredón de Fidel aos mortos no regime militar, em 21 anos, “Comparados ao carniceiro profissional do Caribe, os militares brasileiros parecem escoteiros destreinados, apartando um conflito de subúrbio”... Faz sentido, pois, no Relatório da Comissão da Verdade, reconhecidamente com maioria de membros esquerdistas, informou 434, entre mortos e desaparecidos.... Na revolução cubana, no período de 1959 a 2004, foram 136 mil, sendo 56 mil no paredón e 77 mil em tentativas de fuga pelo mar, e outros mortos em prisões ou assassinados...

- E Zuenir, em seguida, disse que “...Diante desse quadro, ainda tem quem olhe para trás e queira aquele período de horror de volta. Pois eu não desejo aquele tempo de volta nem para o meu pior inimigo”. Imagine, Zuenir, se fosse uma ditadura de esquerda. Será que você não sabe como é a vida em Cuba, ou na Venezuela? Ou no Vietnã ou na Coreia do Norte? Isso é desfaçatez, pois, como escritor e jornalista, sabe muito bem o que é horror! Você está é sendo magnânimo com os seus piores inimigos!

Por falar nisso, por coincidência, estou lendo um livro de Theodore Dalrymple, um dos pseudônimos do médico britânico Anthony Daniels, “Viagens aos Confins do Comunismo”, que narra as suas viagens a países comunistas, de abril de 1989 a janeiro de 1990, à: Albânia (Tirana), do ditador Enver Hoxha (por 42 anos); Coreia do Norte ( Pyongyang), do então ditador Kim Il Sung; Romênia (Bucarest), do ditador Ceasescu; Vietnã (Ho Chi Min, ou Saigon), do ditador Nguyen Van Linh; e Cuba (Havana), de Fidel.

No Prefácio, o autor diz: “.... Fui aos países periféricos do mundo comunista, então em processo de colapso, movido primeiro pela curiosidade, e, depois, pelo desejo de acrescentar minha migalha ao testemunho dessa época. Tirando os massacres, as mortes e as fomes pelas quais o comunismo foi responsável, a pior coisa do sistema era a mentira oficial, isto é, a mentira, de que todos eram obrigados a participar, por repetição, por consentimento ou por não contradizê-la. Cheguei à conclusão de que o objetivo da propaganda nos países comunistas não era persuadir, e muito menos, informar, mas humilhar e emascular...”

Em uma parte do livro, Dalrymple diz: “.... A reflexão que se faz nos países comunistas é ao poder de ordenar que os cidadãos tomem parte em uma performance enorme e enganosa, não uma vez, mas um dia após o outro, sem que qualquer um dos atores jamais indique, pelo menor sinal, que está ciente do seu engano, ainda que seja impossível que não, esteja. Pode-se atribuir um senso de humor macabro e sádico ao poder, na medida em que a performance ordenada apresenta uma dessemelhança total em relação à experiência real e às condições de vida dos atores. É como se o diretor de uma colônia de leprosos ordenasse a encenação de um concurso de beleza. A humilhação produzida nas pessoas que tomam parte nela, longe de ser uma limitação, é um benefício essencial ao poder; afinal, os escravos obrigados a participar de sua própria escravização, sinalizando para os outros a felicidade de sua condição, são tão humilhantes que jamais vão rebelar-se...”.

Não é nem necessário recomendar que Zuenir leia o livro, pois ele, aos seus 87 anos, bem sabe o que é uma ditadura comunista.
É mais um “escravo obrigado a participar de sua própria escravização”, dessa lavagem cerebral esquerdista, que despreza a História e não vê a realidade!
O livro de Zuenir, “1968- O Ano que não terminou” trata dos chamados "Anos de Chumbo", a designação do período mais repressivo da ditadura militar no Brasil, iniciado em 1968, com a edição do AI-5, em 13 de dezembro daquele ano, e que durou até o final do governo Médici, em março de 1974.

Zuenir não deve dizer, em sua palestra de hoje, que os "Anos de Chumbo" foram também os anos do chamado milagre econômico brasileiro, período de intenso crescimento econômico, pois, de 1968 a 1973 o PIB do Brasil cresceu acima de 10% ao ano, em média.
Como se vê, só fala sobre o que a ideologia determina e escraviza....


Rio de janeiro, 7 de junho de 2018