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Categoria: Diversos
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 Por Jornalista Responsável: Rogério Mendelski
Foi no reveillon de 1958 que o ditador Fulgêncio Batista anunciou que estava deixando o país, depois que suas forças militares sofreram seguidas derrotas no mês de dezembro pelos rebeldes de Sierra Maestra. Batista já tinha separado um fundo especial para essa emergência que dia a dia era cada vez mais real e sem retorno e saiu às pressas da festa de fim de ano diretamente para o aeroporto de Havana. Com ele estavam 200 assessores especiais, ministros, secretários, familiares e um baú com 300 milhões de dólares. O destino era a República Dominicana, governada pelo ditador Rafael Leônidas Trujillo (assassinado em 1961, numa emboscada, por opositores do regime).

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Dois filmes produzidos em Hollyhood mostram os momentos finais da ditadura de Fulgêncio Batista e de suas ligações com a máfia norte-americana que controlava o jogo e seus efeitos colaterais na sociedade cubana. "O Poderoso Chefão – parte 2" traz detalhes das negociações de Batista com a máfia e "A Cidade Perdida", dirigida por Andy Garcia, além de revelar a presença da máfia nos cassinos de Havana, desnuda os dias que se seguiram à tomada de poder pelos castristas. A entrada de duas tropas de guerrilheiros em Havana ocorreu sem resistência das desmoralizadas forças militares de Batista, depois de anunciada a sua fuga. Che Guevara e Camilo Cienfuegos comandavam essas unidades de combate e Fidel Castro só entrou triunfalmente na capital cubana no dia 8 de janeiro de 1959. Não houve no século passado revolução mais simpática que essa porque ela tinha a cara dos oprimidos de toda a América Latina. As revoluções russa e chinesa foram mais importantes que a cubana pela importância geopolítica dos países que as viveram e sofreram suas conseqüências, mas a cubana, decorada pelas montanhas de Sierra Maestra e pelo visual barbudo de seus combatentes, tornou-se a mais romântica, a mais poética e a mais glamurizada do mundo. Mas como toda a revolução que derruba um ditador, a cubana se transformou numa outra ditadura, mais sanguinária, mais assassina e mais totalitária do que a que fora derrubada pelas armas. A revolução cubana está comemorando 50 anos neste mês de janeiro. As desigualdades existentes na ditadura de Fulgêncio Batista – pouco ricos e muitos pobres – foram substituídas pela igualdade revolucionária de Fidel Castro: todos os cubanos ficaram mais pobres e apenas a direção artística do Movimento de Sierra Maestra enriqueceu. Foi um réveillon e tanto aquele de 1958.

CHARME É TUDO

A revolução cubana soube aproveitar a simpatia mundial e sobretudo o colaboracionismo de intelectuais famosos como Jean Paul Sartre e Gabriel Garcia Marques. Fidel ficou amigo de influentes escritores e jornalistas, inclusive de militantes esquerdistas brasileiros, todos completamente cegos às atrocidades cometidas pelo regime castrista. Mais de 100 mil cubanos perderam a vida nestes 50 anos de revolução e outros tantos passaram pelas prisões da ilha por crimes de opinião, um delito gravíssimo do ponto de vista revolucionário. Nunca de leu ou se viu qualquer opinião desses intelectuais sobre a liberdade de expressão em Cuba e muito menos qualquer palavra de reprimenda a tais atos contra os direitos humanos de cubanos que ousaram discordam dos métodos ditatoriais de Fidel Castro. Cuba, numa definição de Sartre, era um país diabético que só produzia açúcar, run e charutos. Fidel seria a redenção de uma nova Cuba socialista.

AGORA, NEM ISSO

A revolução em seus 50 anos só produziu miséria. Açúcar, charutos e run já não são exclusividade e qualidade de Cuba. A produção de açúcar que era de seis milhões de toneladas caiu para menos de quatro. O run mais famoso do mundo, o Bacardi, deixou a ilha em 1960 quando a família responsável pela sua produção apavorou-se com os fuzilamentos comandados por Che Guevara. Os charutos continuam famosos e sendo produzidos na ilha, mas a República Dominicana fabrica "puros habanos" com a mesma qualidade. A propósito, a famosa medicina cubana não conhece a tomografia nem a ressonância magnética.

O EMBARGO

Há uma lei nos EUA que determina embargo econômico para o país que nacionalizar empresas norte-americanas sem o devido ressarcimento. Fidel Castro nacionalizou essas empresas e não indenizou os seus proprietários. Essa é a razão do embargo. O Brasil não entende essa posição dos EUA porque não reagimos assim. Recentemente, Evo Morales desapropriou bens da Petrobrás, na Bolívia, mas indenizou a nossa estatal pelos valores que achou conveniente. Rafael Correa fez o mesmo com a Odebrecht, mas quer dar um calote em nós. São reações que cada país tem o direito de interpretar como bem entender.

PRESSÃO

Duas gerações de cubanos que nasceram nos EUA, filhos e netos de exilados do regime castrista, são responsáveis pela pressão permanente junto ao governo de Washington para que não remova o embargo contra o regime de Fidel Castro. Além da força eleitoral da comunidade cubana com direito a voto, na Flórida, os cubano-americanos, segundo o cientista político Daniel Erikson, já elegeram dois senadores e quatro deputados no Congresso. São políticos que não esqueceram o que seus pais passaram quando tiveram que sair de Cuba. "O castrismo é o símbolo contra o qual sempre vão querer lutar", disse Erikson.