Chefes militares podem tratar de quase todos os assuntos, inclusive publicamente.
O problema não é sobre o que falam, mas como falam.Em determinadas situações críticas, em que o silêncio ou a omissão possam trazer graves consequências à nação, à instituição ou gerar grave injustiça, o chefe militar precisa correr riscos, posicionando-se nos limites da disciplina.
São decisões de caráter moral ou patrióticas, que valem também para autoridades civis. Vide o Juiz Sergio Moro, quando divulgou a gravação da conversa telefônica entre Dilma e Lula, que impediu ao último assumir a Casa Civil para "melar" a lava-jato e o impeachment.

Segue uma corajosa manifestação do então General Castello Branco - Chefe do Estado-Maior do Exército, num momento de extrema tensão política em março
de 1964.

Vê-se que ele não faz nenhuma crítica direta, embora dê um claro alerta à nação. Não feriu a disciplina em nenhum momento. O segundo parágrafo não menciona que o governo e Brizola apoiavam e apoiavam-se nos sindicatos, que eram liderados pelo ilegal PCB (subordinado ao PC da URSS), liderado por Prestes.

O alerta está no último parágrafo. Os militares ainda legalistas viram que teriam que tomar uma posição a qualquer momento e Jango não ouviu ou não quis ouvir.

A História é sempre uma preciosa mestra.

Gen Rocha Paiva

CIRCULAR RESERVADA DO CHEFE DO ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO
GENERAL CASTELLO BRANCO – 20 DE MARÇO DE 1964
“Os meios militares nacionais e permanentes não são [-] para defender programas de Governo, muito menos a sua propaganda, mas para garantir os poderes constitucionais, o seu funcionamento e a aplicação da lei. Não estão instituídos para declararem solidariedade a este ou àquele poder.
Não sendo milícia, as FA não são armas para empreendimentos antidemocráticos. Entrarem as FA numa revolução para entregar o Brasil a um grupo que quer dominá-lo para mandar e desmandar e mesmo para gozar o poder? Para garantir a plenitude do grupamento pseudo-sindical, cuja cúpula vive na agitação subversiva cada vez mais onerosa aos cofres públicos? Para talvez submeter à Nação ao comunismo de Moscou?
Isto, sim, é que seria anti-pátria, anti-nação e anti-povo. Não. As FA não podem atraiçoar o Brasil. Defender privilégios de classes ricas está na mesma linha anti-democrática de servir a ditaduras fascistas ou síndico-comunistas”.
A partir desse posicionamento, a grande maioria dos oficiais do Exército, legalistas por formação, mas que tinham consciência de que a aliança Jango, Brizola e Prestes levava o país para um golpe comunista, tomaram posição e ficaram à espera da convocação para salvar o Brasil de se tornar uma República Comuno-Sindicalista. O estopim foi aceso em Minas Gerais por chefes militares e pelo governador do Estado – Magalhães Pinto.

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