Bolsonaro e a sabatina da Globo News
Texto de Filipe G Martins:
“A sabatina da Globo News com o Deputado Jair Bolsonaro funciona como uma grande metáfora da situação que vivemos hoje no Brasil.
De um lado, um bando de "intelectuais mas idiotas", que fingem dominar assuntos que não dominam, que não possuem nenhum contato efetivo com a realidade e que nunca arriscam a própria pele em nada, mas que se vêem como donos de uma sabedoria superior.

Do outro, um homem comum, que se expressa como todo homem comum e que tem humildade e sinceridade o bastante para não fingir saber o que não sabe, respondendo todas as perguntas que lhe são feitas a partir da sabedoria do dia-a-dia, e colhendo suas respostas do tesouro do senso comum do qual se socorrem os nossos pais e as nossas mães. 

Há um abismo entre esses dois lados. Duas perspectivas. Dois imaginários. Duas formas de entender o mundo. Duas atitudes perante os problemas e os desafios da realidade. 

E, ao analisar esse confronto à luz do teorema do Scott Adams — que pode ser resumido na constatação de que, na política eleitoral, a identidade supera a analogia, a analogia supera argumentos racionais e os argumentos racionais não superam nada — podemos identificar facilmente qual dos dois

lados (das duas perspectivas!) leva vantagem: o do político que fala como falam todas pessoas e não o dos jornalistas e especialistas que se refugiam numa linguagem hermética, rebuscada e cheia de jargão. 

Se duvidam disso, façam um teste. Mostrem a entrevista, ou um trecho dela, a um brasileiro médio, de preferência que não tenha muito interesse por política, e constatem que essa pessoa, como quase todas as outras iguais a ela, irá se identificar com o candidato, vendo-se nele e, em decorrência disso, tomando como ofensa pessoal a arrogância e o contumaz arzinho de superioridade de que os jornalistas se valem para falar com ele.

Essa é, e continuará sendo, a grande tragédia dessa elite desconectada da realidade popular, perplexa diante de uma nação e de uma povo que desconhece e que se tornaram impermeáveis e incompreensíveis às suas ferramentas cognitivas e às suas lentes ideológicas: a tragédia de sequer compreender a força do candidato que querem enfraquecer e derrubar — e nada simboliza melhor essa situação toda do que o encerramento da entrevista, no qual uma notinha feita às pressas foi balbuciada por uma Miriam Leitão perplexa e robotizada diante de um candidato sorridente por constar que, no final das contas, sua simplicidade e o senso comum bastaram para desestabilizar a toda poderosa Rede Globo e deixá-la de joelhos, enquanto toda a nação assistia.”

Comentários  

0 #1 Vaulber B. Pellegrin 04-08-2018 19:51
Desculpa, mas quem é Miriam Leitão?????

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