Ao longo de entrevista dada à jornalista Vera Rosa, para o   estadao.com.br    de 11/01/2009 , sob o título
'Sou maduro demais para ficar magoado' , o  ministro Tarso Genro declarou em resposta às perguntas da jornalista:
(...) VR - Pelo visto, o sr. está de um lado e o presidente do STF, de outro. Ele diz que terrorismo também é crime imprescritível, não é político.
TG - Mas eu também concordo com essa visão de que terrorismo não é crime político.

VR - Só que, quando o ministro Gilmar fez essa afirmação, ele se referia aos militantes de esquerda que participaram da luta armada, como a ministra Dilma Rousseff...

TG - Não acredito que o ministro tenha feito essa declaração em alusão a Dilma. A concepção de terrorismo não se confunde com atos de resistência contra o arbítrio, mesmo que sejam violentos. Aqui no Brasil a esquerda, que fez resistência armada, não cometeu atos terroristas, embora isso não seja juízo de valor sobre a barbárie feita de parte a parte. A luta armada não foi terrorismo.(...)
 
 
Comentário do site   www.averdadesufocada.com
 
À primeira vista, parece que o ministro Tarso Genro está coberto de razão, pois todos os que praticaram "atos de resistência contra o arbítrio",  em nosso país, foram recompensados e no caso dos que já morreram o benefício se estendeu aos seus familiares.
 
Vejamos quatro, dentre muitos, desses "atos de resistência" que segundo o ministro não são atos de terrorismo:


 1- Atentado ao Aeroporto de Guararapes,

A Contra-Revolução completava dois anos. Solenidades eram realizadas em todos os rincões do País. Em Recife, desde oito horas desse 31/03/1966, o povo se deslocava para o Parque Treze de Maio para o início das comemorações. Milhares de pessoas estavam reunidas naquele parque quando, às 8h47, foram surpreendidas por uma violenta explosão, seguida de espessa nuvem de fumaça que envolveu o prédio dos Correios e Telégrafos de Recife.

Quando a fumaça desapareceu, o povo, atônito, viu os estragos. Manchas negras e buracos nas paredes, a vidraça no sexto andar estilhaçada. A curiosidade era geral.

O povo não imaginava que esse seria o primeiro ato terrorista na capital pernambucana.

Ao mesmo tempo, outra bomba explodia na residência do comandante do IV Exército.

Ainda naquele dia, outra bomba, que falhara, foi encontrada em um vaso de flores da Câmara Municipal de Recife, onde havia sido realizada uma sessão solene em comemoração ao segundo aniversário da Contra-Revolução.

Cinqüenta dias após, em vinte de maio, foram arremessados dois coquetéis“molotov” e uma banana de dinamite contra os portões da Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco. Por sorte, até então, os terroristas não haviam provocado vítimas.

No entanto, antes de completarem quatro meses da explosão da primeira bomba, outras três vieram abalar a tranqüilidade de Recife. Como as anteriores não provocaram vítimas, desta vez os terroristas capricharam e se esmeraram para haver mortos e feridos. A justificativa para essas ações era protestar contra a visita a Recife do marechal Costa e Silva, candidato da Aliança Renovadora Nacional (ARENA) à Presidência da República. O alvo principal era o próprio Costa e Silva e sua comitiva.

No dia marcado para a chegada do candidato, 25 de julho de 1966, explode a primeira bomba na União dos Estudantes de Pernambuco, ferindo com escoriações e queimaduras, no rosto e nas mãos, o civil José Leite.

A segunda bomba, detonada nos escritórios do Serviço de Informações dos Estados Unidos, causou apenas danos materiais.

A terceira, mais potente, preparada para vitimar o marechal Costa e Silva, atingiu um grande número de pessoas. Ela foi colocada no saguão do Aeroporto de Guararapes, onde a comitiva do candidato seria recebida por trezentas pessoas.

Eram 8h30, quando os alto-falantes anunciaram que, em virtude de pane no avião que traria o general, ele estava se deslocando por via terrestre, de João Pessoa até Recife, indo diretamente para o prédio da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Com o anúncio, o público, felizmente, começou a se retirar.

O guarda-civil Sebastião Thomaz de Aquino, o “Paraíba”, que fora um grande jogador de futebol do Santa Cruz, viu uma maleta escura junto à livraria Sodiler. Pensando que alguém a esquecera, pegou-a para entregá-la no balcão do Departamento de Aviação Civil (DAC).

Ocorreu no momento uma grande explosão. A seguir pânico, gemidos e dor. Mais um ato terrorista acabara de acontecer, com um saldo de quinze vítimas.

Morreu o jornalista Edson Régis de Carvalho, casado e pai de cinco filhos.Teve seu abdômen dilacerado.

Também faleceu o almirante reformado Nelson Gomes Fernandes, com o crânio esfacelado, deixando viúva e um filho menor.

“Paraíba” foi atingido no frontal, no maxilar, na perna esquerda e na coxa direita com exposição óssea, o que resultou na amputação da perna direita.

O tenente-coronel Sylvio Ferreira da Silva, hoje general, sofreu amputação traumática dos dedos da mão esquerda, lesões graves na coxa esquerda e queimaduras de primeiro e segundo graus. Hoje, 40 anos depois, ainda sofre com as seqüelas provocadas.

Ficaram gravemente feridos o inspetor de polícia Haroldo Collares da Cunha Barreto e Antônio Pedro Morais da Cunha; os funcionários públicos Fernando Ferreira Raposo e Ivancir de Castro; os estudantes José Oliveira Silvestre e Amaro Duarte Dias; a professora Anita Ferreira de Carvalho; a comerciária Idalina Maia; o guarda-civil José Severino Barreto; além de Eunice Gomes de Barros e seu filho, Roberto Gomes de Barros, de apenas seis anos de idade.

O acaso, transferindo o local da chegada de Costa e Silva, evitou que a tragédia fosse maior.

Assim age o terrorista, indiscriminadamente, forma tão apregoada por Carlos Marighella, atingindo pessoas inocentes.

Acredite, nenhuma das vítimas que citei até agora e que citarei nas próximas páginas deste livro recebeu qualquer indenização. Durante muito tempo, a esquerda escondeu, enquanto pôde, a autoria desse atentado, chegando a afirmar que teria sido feito pela direita para tentar incriminá-la. Técnica antiga muito usada, até os dias de hoje, pela esquerda.

As autoridades, atônitas, procuravam os autores desses atentados. Não obtinham nenhuma resposta. Não tínhamos, até então, nenhum órgão para combater com eficiência o terrorismo.

Foi um comunista, militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), que teve a hombridade de denunciar esse crime: Jacob Gorender, em seu livro Combate nas Trevas - edição revista e ampliada - Editora Ática -1998, escreve sobre o assunto:

“Membro da comissão militar e dirigente nacional da AP, Alípio de Freitas encontrava-se em Recife em meados de 1966, quando se anunciou a visita do general Costa e Silva, em campanha farsesca de candidato presidencial pelo partido governista Aliança Renovadora Nacional (ARENA). Por conta própria Alípio decidiu promover uma aplicação realista dos ensinamentos sobre a técnica de atentados.”

“Em entrevista concedida a Sérgio Buarque de Gusmão e editada pelo Jornal da República, logo depois da anistia de 1979, Jair Ferreira de Sá revelou a autoria do atentado do Aeroporto de Guararapes por militantes da AP.Entrevista posterior, ao semanário Em Tempo, referiu-se a Raimundinho como um dos participantes da ação. Certamente, trata-se de Raimundo Gonçalves Figueiredo, que setransferiu para a VAR-Palmares (onde usava o nome de guerra Chico) e morreu, a vinte sete de abril de 1971, num tiroteio com policiais do Recife.”

Fica, portanto, esclarecida a autoria do atentado ao Aeroporto de Guararapes:

· Organização responsável: Ação Popular (AP);

· Mentor intelectual: ex-padre Alípio de Freitas - que já atuava nas Ligas Camponesas -, membro da comissão militar e dirigente nacional da AP;

· Executor: Raimundo Gonçalves Figueiredo, militante da AP.

Observação:

- Em 25/12/2004, Cláudio Humberto, em sua coluna, no Jornal de Brasília, publicou a concessão da indenização fixada pela Comissão de Anistia, que beneficia o ex-padre Alípio de Freitas, hoje residente em Lisboa. Ele terá direito a R$ 1,09 milhão.

Raimundo Gonçalves Figueiredo é nome de uma rua em Belo Horizonte/MG e sua família também foi indenizada.

 


 O que restou do Mario Kozel.

 2 - Atentado ao QG do II Exército

26/06/1968

Na madrugada fria e nublada do dia 26 de junho de 1968, no Quartel General do II Exército, o silêncio e a tranqüilidade eram visíveis.

Oficiais, sargentos e soldados dormiam e descansavam. Nos seus postos, as sentinelas estavam atentas, zelando pela vida de seus companheiros e protegendo as instalações do QG, pois o período era conturbado. As guaritas estavam guarnecidas por jovens soldados que, aos 18 anos, cumpriam com o dever, prestando o serviço militar obrigatório.

Todos pertenciam ao efetivo do 4º RI e se apresentaram nos primeiros dias de janeiro.

Durante a instrução, eram continuamente alertados a respeito da situação que o País atravessava. Sabiam que nessas ocasiões os quartéis são muito visados, como possíveis alvos para as ações terroristas. Além disso, todos foram alertados e souberam dos detalhes do assalto ao Hospital Militar, pois as vítimas eram seus colegas do 4º RI, unidade do Exercito onde servia Lamarca, que já pertencia à VPR.

Quando assumiram o serviço de guarda no QG, foram instruídos quanto aos procedimentos em caso de um ataque às instalações do quartel. Todos estavam tensos e ansiosos.

Mal sabiam que um grupo de dez terroristas, entre eles duas mulheres, rodavam em um pequeno caminhão, carregado com 50 quilos de dinamite, e mais três Fuscas, na direção do QG. Tinham a missão de causar vítimas e danos materiais ao Quartel General. Tinham por objetivo a propaganda da luta armada, além de dar uma resposta ao comandante do II Exército quando este os desafiou a atacar seu quartel.

Por medo e por covardia, não tiveram a coragem de atacá-lo de outro modo que não fosse por um ato de terror. Seguiam os ensinamentos de seu líder, Carlos Marighella que, no seu Minimanual dizia:

“O terrorismo é uma arma a que jamais o revolucionário pode renunciar.”

“Ser assaltante ou terrorista é uma condição que enobrece qualquer homem honrado.”

Às 4h30, a madrugada estava mais fria e com menos visibilidade. Nessa hora, uma sentinela atirou em uma caminhonete, que passava na Avenida Marechal Stênio Albuquerque Lima, nos fundos do QG, e tentava penetrar no quartel. Desgovernada, batera, ainda na rua, contra um poste. As sentinelas viram quando um homem saltou desse veículo em movimento e fugiu correndo.

O soldado Edson Roberto Rufino disparou seis tiros contra o veículo.

O soldado Mário Kozel Filho, pensando que se tratava de um acidente de trânsito, saiu do seu posto com a intenção de socorrer algum provável ferido. Ao se aproximar, uma violenta explosão provocou destruição e morte num raio de 300 metros.

Passados alguns minutos, quando a fumaça e a poeira se dissiparam, foi encontrado o corpo do soldado Kozel totalmente dilacerado.

O coronel Eldes de Souza Guedes, os soldados João Fernandes de Souza, Luiz Roberto Juliano, Edson Roberto Rufino, Henrique Chaicowski e Ricardo Charbeau ficaram muito feridos.

Consumava-se mais um ato terrorista da VPR.

Os estragos só não foram maiores porque a caminhonete, ao bater no poste, parou e não penetrou no quartel.

A titulo de indenização o governo federal  concedeu aos pais  de Kozel  uma pensão mensal de R$ 300,00 que, em 28/12/2005, foi reajustada para R$ 1.140,00, enquanto premiou Heitor Cony, porque foi despedido de um jornal, com uma pensão mensal superior a R$ 19.000,00.

O soldado Mário Kozel Filho morreu no cumprimento do dever e foi promovido a sargento após a sua morte. O Exército Brasileiro, numa justa homenagem, colocou o seu nome na praça principal do QG do antigo II Exército, hoje Comando Militar do Sudeste.

Foi impressionante o silêncio do arcebispo de São Paulo, D. Evaristo Arns, a respeito desse ato de terror. Esse silêncio sugere que, para o santo arcebispo, Kozel não merecia as mesmas homenagens que ele prestava quando morria um terrorista, ocasião em que reunia, para uma missa, milhares de pessoas na Catedral da Sé.

Também é impressionante, porém revelador, o silêncio do deputado Luiz Eduardo Greenhalgh e do ministro Nilmário Miranda, que nunca condenaram esse crime hediondo e muito menos visitaram a família de Kozel, em nome da Comissão de Direitos Humanos.

Direitos humanos! Para a esquerda tudo, para as vítimas da esquerda a indiferença.

Participaram da ação os seguintes terroristas:

Waldir Carlos Sarapu - VPR; Wilson Egídio Fava - VPR; Onofre Pinto - VPR; Eduardo Collen Leite - REDE; Diógenes José de Carvalho Oliveira - VPR; José Araújo Nóbrega - VPR; Osvaldo ntônio dos Santos - VPR; Dulce de Souza Maia - VPR; Renata Ferraz Guerra de Andrade - VPR; e José Ronaldo Tavares de Lira e Silva - VPR.

 


 Olhe bem para esse Amilcar. Ele integrou o grupo que matou o major alemão e não se arrepende. Lamenta não ter assassinado o major boliviano Gary Prado e assim ter sido "o vingador de Che". Hoje é professor universitário.
O que um ser dessa estirpe pode ensinar para nossos filhos na sala de aula ?

3 -  Major do exército alemão Edward Ernest Tito Otto Maximilian von Westernhagen - 01/07/1968

Em 1968, o capitão do exército boliviano Gary Prado fazia o Curso de Estado-Maior, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro, junto comigo. Ele ficara conhecido internacionalmente como o oficial que teria participado da perseguição e morte, nas matas da Bolívia, do guerrilheiro Che Guevara.

Sabedoras de sua presença no Rio de Janeiro, organizações terroristas seinquietaram. O “Tribunal Revolucionário” foi convocado e o oficial boliviano condenado à morte.

Para a ação ter êxito, o levantamento começou nas saídas da Escola de Estado-Maior (ECEME), seguindo o oficial até a sua residência, na Gávea, bairro pacato do Rio de Janeiro. Conhecido o trajeto e escolhido o melhor local para o assassinato, partiram os carrascos para executar a sentença.

No dia 1º de julho de 1968, João Lucas Alves, Severino Viana Collon e o agrônomo José Roberto Monteiro (este último, o militante que nunca havia sido identificado). todos os três  do Comando de Libertação Nacional (COLINA ), em um Fusca, ficaram à espreita na Rua Engenheiro Duarte, na Gávea. Ali, naquela rua tranqüila, ao avistarem o oficial executaram-no, fria e covardemente, com dez tiros. Depois de verificarem que o militar estava morto, levaram sua pasta para simular um assalto.

Mais tarde, ao abrirem a pasta, no apartamento de Amilcar Baiardi, hoje com 66 anos e professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) , também um ex-guerrilheiro do COLINA , ao verificarem os documentos do “justiçado”, constataram o terrível engano. Gary Prado fora salvo por um levantamento malfeito. Desconheciam os uniformes. Em seu lugar, haviam assassinado o major alemão Edward Ernest Tito Otto Maximilian von Westernahagen, colega de Gary Prado.

Para as autoridades policiais da época o crime teria sido cometido por assaltantes.

O assassinato permaneceu encoberto e o COLINA não o assumiu, até hoje, por causa do terrível engano cometido.

 

 4 -  Capitão do Exército dos Estados Unidos Charles Rodney Chandler - 12/10/1968

A Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) desejava realizar uma ação que tivesse repercussão no exterior, ao mesmo tempo que a projetasse no âmbito das organizações terroristas nacionais.

A proposta foi discutida entre Marco Antônio Braz de Carvalho, o “Marquito”, da ALN, ligação de Marighella com a VPR, e Onofre Pinto, dessa segunda organização.

Foi estudada a possibilidade de assassinar o capitão do Exército dos EUA Charles Rodney Chandler, aluno bolsista da Universidade de São Paulo. Ele cumprira missão no Vietnam e viera para o Brasil com a esposa Joan Xotaletz Chandler e quatro filhos menores. Fazia um curso na Escola de Sociologia e Política da Fundação Álvares Penteado, em São Paulo. Para justificar o“justiçamento”, alegaram que Chandler lutara contra a causa do Vietnam e era representante do imperialismo americano.

Novo “Tribunal Revolucionário” e novos “honoráveis juízes” foram convocados: Onofre Pinto, João Quartin de Moraes e Ladislas Dowbor, todos da VPR, condenaram-no à morte.

Em seguida, passaram à ação. Era necessário “levantar” a residência do militar americano e seus hábitos, o que foi feito por Dulce de Souza Maia, a “Judite”, também da VPR.

Concluído o levantamento, os dados foram entregues ao grupo de execução, formado por: Pedro Lobo de Oliveira - VPR; Diógenes José de Carvalho Oliveira - VPR; e Marco Antonio Braz de Carvalho - ALN.

Dulce de Souza Maia fez o levantamento como uma profissional do terror, ao contrário da ação anterior.

Escolheram, para maior repercussão, o dia 8 de outubro, aniversário de um ano da morte de Che Guevara. Como Chandler não saiu de casa nesse dia, o “justiçamento” foi adiado.

No entanto, não desistiram e no dia 12 de outubro de 1968, às 8h15, executaram a sentença.

De uma casa ajardinada na Rua Petrópolis, no Sumaré, Chandler saiu para mais um dia de estudos. Era um homem alto, forte, cabelos curtos, 30 anos. Já se despedira dos filhos: Jeffrey (4 anos), Todd (3 anos) e Luanne (3 meses).

Retardou-se um pouco se despedindo de Joan, sua mulher. O filho mais velho, Darryl, de nove anos, como fazia todos os dias, correu para abrir o portão da garagem. Joan deu-lhe adeus.

O grupo de execução o espreitava com uma metralhadora INA e dois revólveres calibre 38. O carro usado era um Volks roubado, que impediu a passagem do carro do capitão.

Diógenes José Carvalho Oliveira descarregou à queima roupa os seis tiros do seu revólver.

Em seguida, Marco Antônio Braz de Carvalho desferiu-lhe uma rajada de metralhadora.

No interior do carro, crivado de balas, estava morto Charles Rodney Chandler.

“Chandler cruzou o portão e ganhou a calçada, ainda em marcha atrás. Antes que a carrinha (sic) alcançasse a rua, coloquei o Volks de tal modo que bloqueava a passagem do veículo de Chandler pela sua parte traseira, impedindo-o de continuar a marcha.

Nesse instante um dos meus companheiros saltou do Volks, revólver na mão, e disparou contra Chandler.

Quando soaram os primeiros disparos, Chandler deixou-se cair rapidamente para o lado esquerdo do banco. Evidentemente estava ferido. Mas eu, que estava extremamente atento a todos os seus movimentos, percebi que ele não tombara somente em conseqüência das feridas. Foi um ato instintivo de defesa, porquanto se moveu com muita rapidez. Quando o primeiro companheiro deixou de disparar, o outro se aproximou com a metralhadora INA e desferiu-lhe uma rajada. Foram 14 tiros. A 15ª bala não deflagrou e o mecanismo automático da metralhadora deixou de funcionar. Não havia necessidade de continuar disparando.

Chandler já estava morto...”

“... Quando recebeu a rajada de metralhadora emitiu uma espécie de ronco, um estertor, e então demo-nos conta de que estava morto. Nesse momento eu lançava à rua os impressos que esclareciam ao povo brasileiro das nossas razões para eliminar Charles Chandler

Os folhetos concluíam com as seguintes consignas:

“O DEVER DE TODO O REVOLUCIONÁRIO É FAZER A REVOLUÇÃO! CRIAR DOIS, TRÊS, MUITOS VIETNAMES...”

“Consideramos desnecessária cobertura armada para aquela ação. Tratava-se de uma ação simples. Três combatentes revolucionários decididos são suficientes para realizar uma ação de justiçamento nessas condições. Considerado o nível em que se encontrava a repressão, naquela altura, entendemos que não era necessária a cobertura armada.”

(Depoimento de Pedro Lobo de Oliveira, transcrito do livro A Esquerda Armada no Brasil, de Antônio Caso).

Era essa a forma usada pelos criminosos da esquerda revolucionária para dar curso à sua “luta contra a ditadura militar”. Assassinar com crueldade era o dia-a-dia desses sanguinários combatentes do marxismo-leninismo.

Participaram da ação: Onofre Pinto - VPR; João Carlos Kfouri Quartin de Moraes - VPR; Ladislas Dowbor - VPR; Dulce de Souza Maia - VPR; Pedro Lobo de Oliveira - VPR; Diógenes José de Carvalho Oliveira - VPR; e Marco Antônio Braz de Carvalho - ALN.

 


 A matéria  acima foi copiada do livro : "A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça" - Carlos Alberto Brilhante Ustra
 
Para o ministro Tarso Genro todos estes crimes não podem ser rotulados  como atos de terrorismo e, diferentemente da tortura, também, não devem ser considerados como imprescritíveis.
 
Julguem os senhores.
 
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