1º Governo Luiz Inácio Lula da Silva - 01/01/2003 a 01/01/2007
Livro A Verdade Sufocada - A História que a esquerda não quer que o Brasil conheça - autor Carlos Alberto Brilhante Ustra - Página 565 - 15ª reedição -
Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 27 de outubro de 1945, em Caetés, Garanhuns, interior de Pernambuco. Era o sétimo filho de uma família pobre. Em 1952, sua mãe, com os 8 filhos, migrou para São Paulo, onde já se encontrava o seu marido. Como todos os retirantes, na esperança de melhores oportunidades de vida no Sul, viajaram 13 dias, em caminhão “pau-de-arara”.
Fixaram residência em Vicente de Carvalho, bairro pobre da periferia de Guarujá, litoral paulista, onde Lula foi alfabetizado.
Após abandonar os estudos, sem concluir o 1º grau, trabalhou para ajudar no sustento da família. Primeiro em uma tinturaria, depois como engraxate. Aos quinze anos, iniciou sua carreira de metalúrgico numa fábrica de parafusos. Formou-se torneiro mecânico no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Influenciado por um irmão, passou a atuar no movimento sindical, a partir de 1969. Seis anos depois, em 1975, assumiu a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema.

Em 1978, foi um dos líderes de uma greve dos metalúrgicos da região do ABC. Durante outra greve, em 1980, foi preso por 31 dias e enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Essas greves e seu carisma projetaram-no como líder do movimento sindical. Era o Lech Waleska brasileiro.

Durante um congresso de petroleiros, realizado em julho de 1978, em Salvador-BA, Lula discursou sobre o que passaria a ser um dos sonhos de sua vida: a fundação de um partido de trabalhadores, de caráter classista.

“...que avance nos rumos de uma sociedade sem exploradores e explorados” e com o objetivo de organizar as massas exploradas e suas lutas.”

Pouco a pouco, a ideia foi tomando corpo. Agregando sindicalistas, ex-presos políticos, militantes de organizações subversivo-terroristas clandestinas, ex-cassados, ex-participantes da luta armada, representantes de movimentos sociais, lideranças de trabalhadores rurais e religiosas e intelectuais das mais diversas correntes esquerdistas.

Em 10 de fevereiro de 1980, no Colégio Sion, em São Paulo/SP, foi fundado o Partido dos Trabalhadores – PT,. um verdadeiro saco de gatos.

Em 1982, o PT estava organizado em boa parte do território nacional. Lula, nesse ano, disputou o governo de São Paulo, com o partido adotando as palavras de ordem: 

“Vote três, PT não vota em burguês” e “abaixo o tacão dos patrões e dos generais.”

O resultado foi inexpressivo.

Participou da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em agosto de 1983 e, em 1986, foi eleito deputado federal para a Assembléia Nacional Constituinte.

As primeiras eleições diretas para presidente da República depois do regime militar ocorreram em 1989.

Lula se candidatou. Alinhado à esquerda, com um discurso radical, contra o pagamento da dívida externa, contra a burguesia, defendendo a ética e a moralidade - como se o partido tivesse o monopólio dessas virtudes.

Perdeu a eleição para Fernando Collor de Mello. O mesmo aconteceu em 1994 e 1998, quando foi derrotado pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso, um “perseguido político” voluntariamente exilado também de esquerda, que voltara ao Brasil  depois da anistia.

Em 2002, mudou o tom de seu discurso radical. Era um Lula repaginado e conciliador. A escolha do empresário José Alencar, como vice-presidente, deu-lhe credibilidade perante as elites. A campanha eleitoral, centrada na imagem “Lulinha paz e amor”, criada pelo marqueteiro Duda Mendonça, agradou a opinião pública. No segundo turno, concorreu com José Serra, outro “perseguido político”, ex-militante da AP e, voluntariamente, exilado.

Finalmente, depois de três derrotas, Lula foi eleito na campanha mais cara da história política brasileira.

Durante os dois primeiros anos de governo, Lula teve apoio parlamentar suficiente para aprovar seus projetos, ao incorporar à base governista partidos como o PTB e o PL.

Conseguiu, com várias alianças, aprovação de propostas de emendas à Constituição (PECs ), algumas das quais o PT sempre se opôs.

O governo encaminhou ao Congresso os projetos de reforma tributária e de reforma previdenciária. Dessa última se destacam a elevação da idade mínima para a aposentadoria, a criação da contribuição de inativos e pensionistas - ferindo direitos adquiridos - e a privatização da previdência dos futuros aposentados por meio de Fundos de Pensão.

Na economia, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, ex-prefeito de Ribeirão Preto e ex-militante de uma organização trotskista, dando continuidade à política do governo anterior, manteve a inflação em níveis razoáveis e baixou significativamente o risco-país.

Entretanto, a queda do dólar, os juros altos e o fraco desempenho da agropecuária derrubaram a economia. O Produto Interno Bruto de 2005 (PIB) cresceu 2,3%. Na América Latina, o resultado superou apenas o do conturbado Haiti que, apesar de tudo, cresceu 1,5%. A Argentina e a Venezuela cresceram 9%. A Índia 7% e a China 9%. A economia mundial cresceu 4,5%. Para um país emergente, 2,3% é um crescimento pífio.

No tão criticado regime militar, principalmente no governo Médici, o crescimento da economia chegou a 11,9%. A média do período foi de 9% ao ano.

A política agrária do governo foi alvo de críticas. O MST, passados os primeiros meses, iniciou as invasões, ocorrendo mortes entre fazendeiros, policiais e sem-terra durante os confrontos.

Em 2005, o MST resolveu dar uma demonstração de força, ao organizar a Marcha Nacional pela Reforma Agrária, com 15.000 manifestantes. Iniciada em Goiânia, marcharam 200 km até Brasília. Pelo caminho, arrebentaram cercas e acamparam em fazendas, mesmo sem autorização dos proprietários. Concluíram a marcha no prazo previsto, com uma logística de fazer inveja a muitos exércitos.

O movimento promoveu manifestações em Brasília, sendo contido pela polícia quando da tentativa de invasão do Congresso Nacional. Realizou queima de bandeiras de países amigos e de organizações nacionais, além de arruaças diversas, o que não o impediu de ter seus representantes recebidos pelo presidente da República, a quem apresentaram inúmeras exigências.

No decorrer de 2004, surgiu o primeiro escândalo, o dos bingos, que envolveu Waldomiro Diniz e, por tabela, segundo a imprensa, respingou no todo poderoso chefe da Casa Civil, o então ministro José Dirceu.

Continua amanhã...

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