1º governo LUla - 01/02/2003 a 1/03/2007- 
A Verdade Sufocada - A História que a esquerda não quer que o Brasil conheça - Carlos Alberto Brilhante Ustra - 15ª reediçãp - Página 568  - continuação
Não ficaria somente nisso. Os anos de 2005 e 2006 foram anos críticos para o governo Lula. A crise recomeçaria com denúncias contra o deputado Roberto Jefferson, envolvendo pagamento de propinas no Correio. Jefferson, por sua vez, sentindo-se traído pelo governo, denunciou um esquema de corrupção envolvendo políticos da base aliada do governo: a distribuição de propinas para deputados votarem e aprovarem medidas de interesse do governo. O esquema recebeu o nome de “mensalão”. Era com a distribuição de dinheiro, a maioria em papel moeda - que não deixava rastro, não assinava recibo, nem incriminava -, que, segundo as denúncias, o executivo obtinha apoio na Câmara dos Deputados para aprovação de suas propostas.
Repito, 2005 e 2006 foram críticos para o PT e para o governo Lula. Tentou-se, de todas as maneiras, preservar o Palácio do Planalto e o presidente, sob a inócua justificativa de que nada sabia. Assim mesmo, membros de seu governo, como o ministro José Dirceu, o ministro Luiz Gushiken, Antonio Palocci e funcionários do segundo escalão, caíram como peças de dominó.



Na Câmara, deputados foram relacionados em uma lista de prováveis cassados. O primeiro foi Roberto Jefferson e logo a seguir José Dirceu, que reassumira seu mandato de deputado. Outros renunciaram para evitar a cassação, inclusive o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti e o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto. As Comissões Parlamentares de Inquérito continuam, mas, como ninguém passa recibo de atos como esses, as provas não se materializam, apesar dos indícios serem fortíssimos.
Apareceu dinheiro em todos os lugares. Depósitos em contas, malas em hotéis, dez milhões de reais em um avião, 200 mil reais em uma pasta em poder de José Adalberto Vieira da Silva e, pasmem, 100 mil dólares escondidos na cueca que usava. José Adalberto era assessor parlamentar do deputado José Nobre Guimarães, líder do PT na Assembléia Legislativa do Ceará. José Nobre é irmão de José Genuíno, na época presidente do PT.

Decididamente, não foram os melhores anos para Lula e o PT, havia empréstimos milionários no Banco Rural, feitos em nome de Marcos Valério, um dos donos de uma agência de publicidade, avalizados por Delúbio Soares, tesoureiro, e José Genoíno, presidente do PT. Delúbio foi demitido e Genoíno pediu demissão. Nos depoimentos das CPIs, ninguém sabia o que se passava com a contabilidade do partido. Ninguém sabia como as contas de campanha eram pagas.

Na verdade, ninguém viu, ninguém sabe e tem raiva de quem viu, sabe ou quer saber.
A popularidade do presidente despencou, o que sugere, para parcela da população brasileira, que o papel de Lula, no “escândalo do mensalão”, foi no mínimo de omissão.
“Governo Lula lidera ranking mundial de perda de confiança.

Uma pesquisa divulgada pelo Fórum Econômico Mundial nesta quarta-feira apresenta o Brasil como o país em que houve a queda mais acentuada na confiança da população no governo entre 2004 e 2005.”
(BBCBrasil.com - 14 de dezembro, 2005)

De maio de 2005 até o final do ano, o governo parou. No Congresso, nas ruas, nas televisões e jornais somente se ouviu falar em “mensalão”. Ano de eleições, Lula procurou ganhar terreno, com obras feitas às pressas, sem licitação, para se reeleger.
Vejamos o que disse a respeito o Editorial da Folha de São Paulo (22/02/2006):

“A tática do despiste
O aumento maior do salário mínimo, a operação tapa-buraco nas estradas, o subsídio à contratação de empregados domésticos, a corrida para espalhar “farmácias populares”. A máquina eleitoral do presidente da República funciona a pleno vapor. Sua estratégia reúne a receita usual dos políticos em sua condição - acumular a toque de caixa “realizações” para exibir na campanha - é a tática do despiste.
Esta consiste em erigir entre o eleitorado e a recentíssima história política um anteparo repleto de slogans, cifras e comparações com o passado escolhido a dedo. O objetivo é desviar os olhares dos descalabros éticos praticados na esfera federal a favor do consórcio de poder do presidente Luiz Inácio Lula da Silva...”

E, como o próprio Lula diz que homem público faz campanha todos os dias do ano, Villas-Bôas Corrêa, do Jornal do Brasil de 22/02/2006, escreve, em seu artigo:

“A emenda no soneto de Lula

...Como não há obras prontas a inaugurar, o candidato percorre acampamentos de operários em seis estados do Nordeste para dar uma olhada no andamento do programa de extensão das unidades universitárias. Onde não encontra o que ver, o jeito é inaugurar novas promessas. E a cada parada, um improviso...”

Para completar, tantos escândalos, tanta corrupção, o PT, que sempre se auto-intitulou o partido da ética e da moralidade, foi surpreendido com novas publicações sobre o seqüestro e a morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Morte, até hoje não esclarecida, que alguns procuram abafar, enquanto outros procuram apurar. Sete pessoas ligadas ao caso - testemunhas, possíveis seqüestradores, um garçom, um perito - morreram de forma não natural, como se houvesse um plano arquitetado para dificultar novas investigações conduzidas pelo ministério público e impedir o indiciamento dos verdadeiros responsáveis.

A respeito do assunto, o Jornal de Brasília, de 22/02/2006, publicou o seguinte:

“Nova denúncia contra o PT
Em depoimento à CPI dos Bingos, o empresário Antônio Braga confirmou, ontem, que pagou uma “caixinha” para a prefeitura
petista de Santo André/SP, no valor de R$ 100 mil mensais. Os pagamentos teriam ocorrido entre o segundo semestre de 1997 e abril do ano 2000. Braga acrescentou que a empresa de transportes urbanos Nova Santo André, formada por um consórcio de sete empresários, teria contribuído com mais de R$ 3 milhões para o caixa 2 do PT. Página 11.”
“...Ele informou que os arrecadadores destes recursos eram o ex-secretário da prefeitura de Santo André, Klinger, e o empresário Ronan Costa Pinto, que também integrava o consórcio. O empresário afirmou não saber se o prefeito Celso Daniel sabia pessoalmente da cobrança de recursos de caixa 2 das empresas de transportes urbanos de Santo André.”

Depois de mais de onze anos o caso Celso Daniel continua sem todos os seus executores serem castigados. Em um dos últimos julgamentos o promotor Cembranelli defendeu a tese de crime político.

O promotor Francisco Cembranelli defendeu a tese de que Celso Daniel foi vítima de um crime político, uma conspiração tramada por bandidos vinculados ao PT de Santo André:

os autores um grupo de matadores profissionais. O Brasil quer ver esclarecidas tanto a eliminação de Celso Daniel, quanto as oito mortes misteriosas que silenciou oito testemunhas.
O Brasil quer ver na cadeia todos os culpados, incluídos os mandantes. As gravações, algumas talvez ainda se encontrem no Youtube, podem ajudar a identificá-los. As conversas entre Sombra, Greenhalgh e Carvalho não se limitam a escancarar uma mobilização política. Documentam a movimentação de comparsas.

Um dos irmãos de Celso Daniel encontra-se morando em Paris , como asilado político, com sua família, depois das acusações que fez à pessoas ligadas ao governo pela responsabilidade na morte de seu irmão.

O que estarrece é que o uso eleitoral da máquina do governo deu certo, pois Lula reverteu, a partir de fevereiro de 2006, a sua decadência nas pesquisas de intenção de votos.
Nem mesmo as denúncias de novos escândalos no período da campanha eleitoral nos dias que antecederam o primeiro turno das eleições, abalaram a credibilidade de Lula.
O escândalo do Dossiê Vedoin, como ficou conhecido, ganhou as manchetes de toda a mídia. Foi a descoberta da tentativa de compra de um falso dossiê que seria utilizado para incriminar os candidatos do PSDB a governador de São Paulo e à Presidencia da República.

O escândalo envolvia militantes do PT e diretamente o assessor especial da Secretária Particular de Segurança do Presidente, Freud Godoy, seu secretario particular. Além de Freud, que não explica o fato, foram envolvidos, também, Gedimar Passos, funcionário graduado do comitê de reeleição de Lula e Jorge Lorenzetti, chefe de um setor catarinense do comitê e churrasqueiro de plantão do presidente Lula.

No ato da entrega do dinheiro, foi apreendida a quantia de um milhão e setecentos mil, em dólares e reais, que seriam usados para pagar o dossiê que, se utilizado, poderia desequilibrabar a campanha dos cadidatos do PSDB.

A Polícia Federal, mesmo prendendo em flagrante o portador e os receptadores do dinheiro não conseguiu, até o momento, janeiro de 2007, identificar a origem da mala de dólares e reais.

Nem isso abalou a crescente popularidade do Presidente que, como sempre, apesar da proximidade dos protagonistas da façanha, não soube e não viu nada. E o que nós soubemos disso tudo é que o grupo foi classificado por ele de “aloprados”. Apesar disso, Lula foi reeleito no segundo turno, mesmo com todos os escândalos em vários setores do governo, inclusive na Casa Civil.

CONTINUA AMANHÂ

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