O presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), quer propor a convocação do ministro da Justiça, Tarso Genro, para dar explicações sobre o status de refugiado político ao italiano Cesare Battisti, cuja extradição havia sido solicitada pelo governo da Itália. O senador pretende fazer a proposta antes de deixar a presidência da CRE, o que deve ocorrer nos primeiros dias de fevereiro.

 

 

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"O ministro adota dois pesos e duas medidas para suas decisões sobre concessão de asilo político. Basta lembrar que ele ajudou a repatriar em 2007, com extrema rapidez, dois atletas cubanos que haviam abandonado a delegação de seu país durante os Jogos Pan-Americanos, no Rio. Não se faz diplomacia com ideologia, e sim com bom senso", afirmou o senador.


Na terça-feira, o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho, havia considerado a decisão do ministro da Justiça como "precipitada e até arriscada, por sua possível consequência diplomática em relação à Itália". Nesta quarta-feira, agências de notícias informaram que o Ministério de Relações Exteriores da Itália divulgou nota expressando surpresa pela decisão do ministro brasileiro. Na nota, é feito um pedido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reconsiderar a decisão de Tarso Genro.

O italiano Cesare Battisti, ex-membro do grupo de esquerda Proletários Armados para o Comunismo (PAC), foi condenado em seu país à prisão perpétua por envolvimento em quatro assassinatos na década de 70. Ele foi preso em março de 2007 pela Polícia Federal brasileira no Rio de Janeiro. Battisti nega que tenha cometido os assassinatos e sustenta que não pôde exercer em sua plenitude o direito de defesa. Corre no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido de extradição de Battisti feito pelo governo italiano.

No ano passado, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ocupou a tribuna em duas ocasiões para tratar da extradição de Battisti. Em maio, ele pediu ao STF que não concedesse a extradição do italiano, informando que tivera um encontro com Battisti na Polícia Federal, em Brasília, ocasião em que ele negara mais uma vez participação nos assassinatos.

Em dezembro passado, durante sessão especial comemorativa dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, Suplicy informou ter enviado carta ao presidente Lula e ao ministro Tarso Genro solicitando a concessão do asilo político.

Redação Terra


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