1º governo de Lula - 01/01/29003  a 01/01/2007- 3ª parte
Do livro A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça - autor Carlos Alberto Brilhante Ustra - 15ª Página 599
Rumo ao Socialismo- 10/09/2018 
O Partido dos Trabalhadores sempre teve como meta ocupar a Presidência da República. Mas o seu objetivo principal não é, apenas, assumir o governo e conquistar o poder.
Segundo o jornalista João Mellão Neto, em seu artigo “Inferno de Dante”:
“...Essa é a meta dos partidos burgueses. Para os petistas, embalados pelos evangelhos marxista-leninistas, o poder era apenas um meio. O fim maior era o de, através dele, mudar o Estado, reformar a sociedade e reconstruir a própria natureza humana. Para alcançar metas tão ambiciosas não se podem medir esforços ou se deixar limitar por escrúpulos de natureza moral. Que se danem as regras, os costumes e a ética do convívio democrático! Tudo vale a pena se a alma não é pequena! Tudo pelo socialismo!”


No campo econômico, o socialismo marxista constituiria o objetivo estratégico intermediário que antecederia o comunismo e que se manifestaria, na sua forma mais expressiva, pela estatização dos meios de produção.

Em razão do desmoronamento do sistema soviético, das profundas mudanças econômicas introduzidas na China comunista e do fenômeno da globalização, esse socialismo ruiu. A grande maioria de seus seguidores, aparentemente, rompeu com o passado e procura um novo modelo que o substitua.

Assim, no Brasil, ideologicamente, a estatização dos meios de produção foi substituída pela estatização de expressiva parcela da renda nacional, por meio de impostos, taxas, contribuições e outras formas de arrecadação. Além disso, aumentou-se, significativamente, a estrutura do Estado com a criação e preenchimento de cargos de direção e assessoramento superior, cujos titulares, voluntariamente e felizes, contribuem para os cofres do PT.

Hoje, a transição para o socialismo é feita de modo que a atividade produtiva se desenvolva com liberdade, mas controlada pelo governo, que se apropria de uma expressiva parcela da renda nacional e que aprova dispositivos legais a lhe permitir interferir cada vez mais na economia.

O Brasil, atualmente, é reconhecido como um país onde a taxação tributária está entre as maiores do mundo.
De acordo com o filósofo Olavo de Carvalho, em entrevista ao Jornal de Brasília, de 28/05/2005, cada capitalista no Brasil, quanto mais ganha, mais dinheiro terá de dar ao governo e mais dinheiro para a máquina que amanhã vai estrangulá-lo.

Conquistada a Presidência da República, o PT, membro fundador do Foro de São Paulo, deveria, até por coerência, se pautar pelas decisões preconizadas pelo Foro. Elas seriam implementadas com cautela, passo a passo, com determinação, até a conquista do objetivo principal - o de tornar o Brasil um país socialista.

Para atingir esse objetivo, seria necessário mudar as leis; socializar a economia e a posse da terra; assumir o controle da máquina administrativa do Estado; dominar o Judiciário, com a indicação de juízes simpatizantes da ideologia; reduzir progressivamente a motivação e a operacionalidade das Forças Armadas; e, principalmente, arrecadar muito dinheiro para custear esse tão ambicionado projeto. O PT seria o partido político com a estrutura mais forte da América Latina.

O primeiro passo foi distribuir os cargos mais importantes do Poder Executivo aos “companheiros” ideologicamente comprometidos e, também, à base aliada, a maioria sem competência técnica para exercê-los.
O controle da mídia era indispensável. Para isso surgiram propostas de criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ) e da Agência Nacional de Cinema e Audiovisual (Ancinav). Repudiadas pela sociedade, foram, provisoriamente, retiradas de pauta, mas já estão retornando com outra roupagem para serem aprovadas pelo Congresso, onde o governo possui maioria.
O controle da educação passaria pela aprovação do anteprojeto de reforma universitária, que submete as universidades particulares ao controle de “entidades corporativistas, associações de classe, sindicatos e sociedade civil”.

A esse conjunto de medidas a serem implementadas, incompleto, mas significativo, deve-se agregar as atividades desenvolvidas e as ações executadas pelo MST. Um verdadeiro exército, disciplinado, instruído, organizado, motivado, preparado ideologicamente. O MST, sob as vistas complacentes do governo e com a cumplicidade do PT, tem liberdade de manobra, invade e danifica propriedades privadas, descumpre a lei, finge ameaçar o governo, ameaça os proprietários de terra e não é punido. Subsiste com o apoio de ONGs internacionais e com verbas governamentais, distribuídas por organizações paralelas. É considerado o braço armado do PT. Para entrar em combate só lhe faltam as armas de fogo, o que, com o apoio das FARC, facilmente serão adquiridas.

Paralelamente, seriam necessárias leis a serem aprovadas pelo Legislativo, que permitissem a continuidade no poder e que contribuíssem para fortalecer, cada vez mais, a estrutura do PT.
Para obter esse apoio político do Legislativo, conforme denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson, o PT instituiu o “mensalão”, para o pagamento de deputados que, em troca, votariam a favor das propostas do governo.

Nesse cenário - preocupante em face do descrédito nas Instituições; do baixo índice de crescimento da economia, num ambiente internacional amplamente favorável; do volume da dívida interna; da banalização da violência; da corrupção generalizada; da frustração popular; e outros - a Nação se empobrece, o Estado cresce, a sociedade perde a esperança, a base da pirâmide social aumenta, a possibilidade de ascensão social se reduz, a juventude se frustra.

Vejamos uma reduzida mostra dos assuntos, reportagens, comentários e matérias publicadas pela imprensa, que desnudam a ética e a seriedade daqueles que se apresentavam e ainda se apresentam como paradigmas da moralidade, dos bons costumes e da honestidade.

Conforme denúncias publicadas na imprensa, quando o PT assumiu o governo de diversas prefeituras, teria sido montado um esquema para desviar recursos públicos dessas prefeituras para o partido.
A revista Veja, de 25/01/2006, publicou matéria assinada por Marcelo Carneiro, que assim se manifestou:
- Em 1997, o economista Paulo de Tarso Venceslau, na época militante do PT, denunciou que o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Lula, usava o nome do presidente para convencer prefeituras administradas pelo PT a fechar contratos com a Consultoria para Empresas e Municípios (CPEM). A CPEM era contratada por seis prefeituras administradas pelo PT.

- Paulo de Tarso foi secretário das Finanças da prefeitura de São José dos Campos quando lá começou a agir o advogado Roberto Teixeira.
- O PT, depois de investigar a denúncia de Paulo de Tarso, concluiu que a CPEM se conduziu “de forma ilegal, imoral e criminosa”. Apesar dessa conclusão, Paulo de Tarso foi expulso da legenda.
- Em recente depoimento prestado à CPI dos Bingos, Paulo de Tarso reafirmou que Lula sabia da arrecadação de fundos para o PT, pelo menos desde 1995.
O assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André, segundo os seus familiares, ocorreu porque ele teria descoberto um esquema de corrupção para angariar fundos para o PT.

O jornalista Arnaldo Jabor, no artigo “A verdade está nua berrando na rua”, publicado em O Globo de 30/08/2005, de onde extrai os trechos a seguir transcritos, analisa a atuação do PT nesse esquema de corrupção, criando uma simbiose entre o partido e o Estado, fortalecendo o primeiro e criando no segundo os instrumentos de controle da Nação:

“O PT chegou ao poder e, em vez de governar, resolveu tomar o Estado. Ocupou 20 mil cargos, levantando muitos milhões de reais em dinheiro público roubado de estatais, de fundos de pensão, de superfaturamentos combinados com grandes empresas, com empréstimos falsos em bancos privados e públicos, em jogadas com agências de publicidade fajutas. O PT/governo usou valérios e delúbios para distribuir essa grana para comprar políticos e fazer uma gigantesca caixa 2 para reeleger Lula e eleger o Dirceu em 2010.”

“Esses “revolucionários da corrupção” não imaginaram, contudo, que um personagem “rabelaisiano” como Jefferson pusesse tudo a perder. Se Jeff não abrisse a caverna de Ali Babá, seríamos enganados até o fim dessa “revolução ridícula”.

“Esta é a única verdade. Não adianta investigar mais, apenas conferir denúncias, cruzar dados, pois as próprias investigações podem virar tapadeiras e rotas de fuga.”
“Esta verdade pode ser sufocada por milhares de meias-verdades secundárias (moralismos, alegações jurídicas, regimentais) que sobram nas CPIs.”

A respeito do mesmo assunto, nada mais oportuno do que transcrever a parte final do artigo escrito por Tales Alvarenga, sob o título “Maturidade e desonra”, publicado na revista Veja , de 25/01/2006:
“Com o depoimento de Paulo de Tarso, nada falta a explicar. Tudo se encaixa. Mensalão, Delúbio Soares, operações de Marcos Valério, sangria dos cofres públicos e o papel ativo de Lula na fundação do esquema. Toda a operação de enriquecimento do PT foi planejada para garantir o caixa dois de um partido que queria bilhões para realizar o sonho de ficar vinte anos no poder. O castelo de areia desabou. Ficam por aí seus engenheiros, com a missão impossível de se justificar perante a opinião pública.”

As denúncias do desvio dos cofres públicos, de recursos que atingem a cifra de 1 bilhão e 200 milhões de reais, foram objeto de investigação das CPIs. Desses, somente 20 milhões teriam sido empenhados para pagar o “mensalão”. O restante seria usado para assegurar a permanência no poder por 20 anos, período em que um novo socialismo seria implantado no País.

Por tudo isso, a Nação reagiu ao mar de lama que desnudou o princípio de que os fins justificam os meios, que é a base do projeto petista de poder. Alguns “cardeais” do PT, flagrados no butim de dinheiros públicos e mal explicados, foram defenestrados dos cargos de mando e desmoralizados ante a opinião pública.

No entanto, Lula se reelegeu, numa cabal demonstração de que somos um povo de memória muito curta. Também, pudera! A máquina pública trabalhou, a pleno vapor, a serviço de sua reeleição.
Projetos assistencialistas que não contribuem para a expansão da previdência e que desestimulam a procura de emprego e a contribuição previdenciária, criaram uma legião de dependentes do Estado, encorajaram o populismo e favoreceram o voto de cabresto, particularmente nas regiões mais pobres do país.

Operações tapa-buracos e cala-bocas surgiram do nada e, não mais que de repente, um Lula, combalido por tantos escândalos, qual fênix, ressurgiu das cinzas.
Entretanto, urge aguardar. A política é muito dinâmica e a história muito mais ainda. A socialização do Brasil é o principal projeto do PT e o lulismo é o seu maior instrumento de manobra.
Tomara que os fatos desmintam o “determinismo histórico” pelo qual o PT considera ser questão de tempo a socialização do Brasil

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