Não, ministro, a Itália não é nóis 
Por Nelson Motta
Na Copa do Mundo de 1982, quando a fabulosa seleção brasileira foi surpeendentemente derrotada pela Itália, a "Gazzetta dello Sport" abriu a manchete histórica e hilariante : "Il Brasile siamo noi ". Agora, além do governo, do Judiciário, da imprensa e das famílias das vítimas de Cesare Battisti, os italianos de todos os times e partidos políticos estão se sentindo comparados a uma ditadura sul-americana. Perderam o humor e estão justamente insultados porque Tarso Genro e Lula estão achando que " a Itália é nóis".
 
 
 
 Com sua autoridade em leis italianas, nosso ministro fez um julgamento soberano e devastador do seu sistema judiciário, da justeza dos processos e das condenações, e do respeito aos direitos dos acusados. Que, ao contrário de nós, eles muito prezam e respeitam.
 
Pena que o nosso impetuoso humanista ignore que o crime com motivação política é um agravante na Itália. Claro: roubar e usar o dinheiro para matar ou derrubar governos eleitos é mais grave do que para uso próprio. No Brasil, é justificativa para tudo, na tradição de nossa "esquerda revolucionária": a nobreza da causa,  os fins justicam os meios, é tudo em nome do povo e da liberdade ( sic).
 
Não, ministro, a Itália não é nóis. Tem uma tradição democrática e judiciária muito mais sólida do que a nossa, não recorreu não recorreu ao terrorismo de Estado,  a tribunais de excessão, prisões e tortura, mesmo nos "anos de chumbo". O Estado italiano apenas se defendia de movimentos que queriam derrubar o governo democrático pelas armas e instalar...nem eles sabiam o quê.
 
Apoiando tarso, a tese da marolinha diplomática  de Lula: " Temos uma relação tão forte com a Itália que não será um exilado que vai trazer animosidade nem com eles nem com o G-8". Berlusconi, a torcida do Milan , do Inter e da Juventus devem estar pensando a mesma coisa: "O Brasil não vai querer brigar com a Itália e G-8 só por causa de um terroristazinho".
 
Criado na cultura do churrasco sangrento, em cavalgada desabrida pelos pampas da História, como um anti-Garibaldi sem Anita, Tarso genro deve estar pensando que na Itália tudo acaba em pizza.
 
Nelson Motta é jornalista
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