Para se associar a Moro, parlamentares articulam uma Frente Anticorrupção
Ministro Moro vai influir muito também no Congresso
Daniela Lima- Surge no Congresso a bancada de Moro. Após o juiz Sergio Moro aceitar o comando do Ministério da Justiça do governo Jair Bolsonaro, parlamentares começaram a articular uma frente no Congresso em apoio ao pacote anticorrupção que o juiz pretende adotar como marca de sua gestão. A ideia é que o grupo, formado por senadores e deputados que se elegeram com a bandeira do combate à corrupção, seja a base de sustentação de medidas que ele propuser ao Legislativo. Detalhe: a proposta tem o aval de integrantes da oposição.

Os parlamentares que articulam a frente pró-Moro, mas são oposição a Bolsonaro acham que, com o apoio ao juiz, podem fazer com que a pauta de combate à corrupção não seja vista como um ativo exclusivo da gestão do presidente eleito, mas da sociedade como um todo.

FORÇA-TAREFA – O grupo pretende manter contato permanente com a coordenação da Lava Jato em Curitiba. Um dos idealizadores das Dez Medidas contra a Corrupção, o coordenador da força-tarefa que iniciou a operação, Deltan Dallagnol, foi consultado sobre a formação da frente.

Em outra frente, os delegados que tentam emplacar Erika Marena na chefia da Polícia Federal devem ganhar o apoio da ADPF (Associação dos Delegados de Polícia Federal). Eles vão sugerir o nome dela a Moro. Em 2017, Marena estava no topo da lista enviada pela entidade a Michel Temer. De lá para cá, ela coordenou a polêmica Operação Ouvidos Moucos.

SUSPEIÇÃO – Na base do tudo ou nada, parlamentares do PT avaliam que o novo pedido de suspeição do juiz Moro que a defesa de Lula vai apresentar ao Supremo nesta segunda-feira (dia 5) vai obrigar a corte a se posicionar sobre a atuação do juiz.

Os que acompanham de perto os processos e apoiam o ex-presidente dizem que, “diante de toda a trama”, o STF terá que decidir se a atuação de Moro “não causou qualquer prejuízo à estética da imparcialidade tão cara à Justiça”.

O recurso estava previsto antes mesmo de Moro aceitar o convite de Bolsonaro. A defesa de Lula vai pedir a revisão da decisão do STJ, que negou a suspeição do juiz. Se o Supremo aceitar o pedido, o processo pode ser considerado nulo –hipótese hoje vista como improvável.

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