Brasileiro é morto após ser sequestrado por guerrilheiros no Paraguai
Polícia paraguaia atribui a ação ao Exército do Povo Paraguaio (EPP), guerrilha marxista-leninista fundada em 2008 e que atua no norte do país
Por EFE access_time 21 nov 2018, 15h42 - Publicado em 20 nov 2018,
Valmir Campos foi encontrado morto horas após ter sido sequestrado por um grupo guerrilheiro no Paraguai (//Reprodução)
O corpo do brasileiro Valmir de Campos, de 48 anos, foi encontrado na última segunda-feira, 19, pela Força Tarefa Conjunta, grupo de elite das Forças Armadas do Paraguai após ele ter sido vítima de um sequestro por guerrilheiros do Exército do Povo Paraguaio (EPP).

A vítima trabalhava com a extração de madeira em uma fazenda em Santa Rosa del Araguay com mais quatro pessoas, quando foi abordada por cinco criminosos que usavam uniforme do EPP e estavam fortemente armados.

Após incendiar parte do maquinário da propriedade, o grupo liberou os outros trabalhadores, mas seguiu com Campos, que acabou assassinado a tiros. Ele era sobrinho do prefeito de Coronel Sapucaia (MS), Rudi Paetzold (MDB).

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A localidade é uma das maiores áreas de influência do Exército do Povo Paraguaio, que utiliza os sequestros como meio principal de angariar recursos financeiros desde sua fundação, em 2008.

‘Robin Hood’
O EPP foi formalmente formado em 2008, mas o movimento rebelde por trás da guerrilha marca presença no norte do Paraguai por quase vinte anos.

Habilidosos com explosivos e equipados com armas automáticas, os rebeldes do EPP são regularmente ligados a grupos armados estrangeiros, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Sua ideologia é uma mistura das doutrinas marxista, leninista e guevarista, com uma característica local muito particular: o grupo reverencia o ditador que controlou o país após sua independência, José Gaspar Rodríguez de Francia. O político selou as fronteiras do Paraguai ao comércio exterior para impulsionar o desenvolvimento interno e executou e encarcerou centenas de seus oponentes.

Reportagem publicada por VEJA em 2015 mostrava que o EPP se financiava por meio da cobrança das chamadas “taxas revolucionárias” de donos de propriedades agrícolas locais, segundo relato de um fazendeiro da cidade de Horqueta – um dos locais de mais força do grupo – ao jornal britânico The Guardian.

“Eles afirmam ser como Robin Hood, roubando dos ricos para dar aos pobres, mas nós somos pessoas que trabalham duro também”, contou o homem, que pediu para ser mantido em anonimato após ter sido advertido pelas guerrilhas para não falar com a imprensa.

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