Entre o Bolsonaro liberal e o estatista, pode surgir o novo caminho para o país

Flávio José Bortolotto
Da fusão entre um presidente Bolsonaro nacionalista-estatista, e o presidente Bolsonaro neoliberal, teremos um bom equilíbrio. O interesse nacional exige que tanto de um lado (nacionalista-estatista), como do outro (neoliberal), se eliminem os exageros. E o liberalismo bolsonariano deve rer caráter nacionalista, dando preferência para a empresa privada brasileira (de capital nacional).
Com relação à nossa política externa, o vice-presidente Hamilton Mourão, que é oriundo também das Forças Armadas, propõe boas relações, comércio e amizade com todo mundo, alinhamento automático com ninguém, que é a melhor política.

EUA E CHINA – Existem hoje dois polos geopolíticos/econômicos dominantes: EUA-Mundo Anglo-Saxônico, e China-BRICS. Os EUA ainda claramente dominantes, em crescimento lento e impondo seu US$ dollar como moeda Universal, e a China, segunda potência dominante, em expansão e com crescimento rápido.

Os EUA dominam os sete mares, mesmo não desprezando o controle de partes dos continentes, e a China, sem desprezar o controle dos mares, atua prioritariamente buscando o domínio continental da grande massa de terras da Eurásia, daí seu programa de grandes eixos rodoferroviários (road and belt iniciatives), as novas Estradas da Seda por toda a Eurásia e buscando criar uma grande Zona de dominância para sua Moeda o $ yuan.

Calculam os especialistas que levará duas gerações (60 anos), e nós estimamos em três gerações (90 anos), porque o crescimento econômico vai decrescendo à medida que o país enriquece, para a China ultrapassar em tecnologia os EUA, quando então claramente será a potência dominante e sua moeda o $ yuan, a moeda universal.

UMA GUINADA – Nós brasileiros, como 8º economia do mundo, o B dos BRICS, estávamos mais alinhados com o campo chinês e agora os EUA do presidente Trump busca nos atrair mais firmemente para o seu campo.

O presidente Bolsonaro (63 anos) tem simpatias para dar essa guinada mais ou menos radical em nossa política externa, mas deve fazer isso com muito critério, como bom jogador de pôquer, para tirar o máximo de proveito para a economia do Brasil. Realmente não deve “entregar o jogo todo na entrada”.

Tanto num campo como no outro, sabendo manejar, o Brasil pode extrair grandes vantagens. Sempre lembrando que ninguém dá tecnologia e capital de graça para ninguém, temos que criar nossa própria tecnologia e nosso próprio capital.

PRIVATIZAÇÃO – Pela recente entrevista do vice Mourão à Folha, ficou claro que o governo é a favor de privatizar as estatais que dão prejuízo contínuo. Pode vender subsidiárias da Petrobras S/A, controlada pela União, mas não é a favor da venda deste controle, pois só admite vender ativos não estratégicos.

Com relação ao Mercosul, Mourão disse que é a favor de renegociar com os sócios, principalmente a Argentina, tudo o que entrava a expansão de nosso comércio internacional, por pertencermos a essa área de bloco internacional.

Foi uma pena que a jornalista Mônica Bergamo não tenha perguntado vice eleito sobre as “reformas”. Eu achei incrível que se passou toda a campanha para a Presidência e quase não se falou em reformas (Previdência, trabalhista, tributária, etc.) necessárias para que a economia deslanche, para recuperarmos nosso Investment Grade, para que ali na frente o governo arrecade bem mais do que gasta com custeio e possa sobrar dinheiro para investimento público.

 

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