Frattini: Tarso apoia 'ideias de guerrilha' - O Estado de São Paulo
ROMA, BRASÍLIA e RIO. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, voltou ontem a criticar o ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, ao acusá-lo de "apoiar ideias de guerrilha". Ele disse que Tarso, que concedeu status de refugiado político ao ex-ativista Cesare Battisti, confundiu os anos 70 do Brasil com a situação vivenciada na Itália no mesmo período.

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- O caso de Cesare Battisti, no Brasil, foi analisado por um ministro da Justiça que tem uma visão ideológica e política muito evidente, de aberto apoio às ideias de guerrilha - disse o chanceler.

Para Frattini, Tarso fez "uma enorme confusão entre a situação ditatorial que infelizmente seu país enfrentou nos anos 70 com o que aconteceu na Itália, que vivia uma democracia".

- A posição do Brasil é errada juridicamente, inaceitável politicamente, e preocupa muito o preceito de que se possa colocar em discussão a democracia de um país-membro da União Europeia - afirmou.

No Rio, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou ontem que a decisão do Parlamento Europeu de analisar o caso Battisti não afetará os trabalhos da Corte. Segundo ele, o destino do italiano será julgado em breve, e o Supremo dará "uma boa solução para o caso".

Ontem, os deputados da coalizão governista italiana Povo da Liberdade (PDL) no Parlamento Europeu afirmaram que planejam propor, na Casa, moção conjunta favorável à extradição de Battisti. Amanhã, o Parlamento debaterá o caso e haverá uma votação para exprimir a opinião dos deputados.

Advogados de Battisti reforçaram ontem a ofensiva para tentar caracterizar a Itália como um país que desrespeitaria os direitos humanos. Em mala-direta a jornalistas, a defesa do ex-ativista apelou a um relatório de 2007 em que a ONG Anistia Internacional critica o tratamento a presos e imigrantes em território italiano.

O documento menciona "constantes denúncias de uso excessivo da força e de maus-tratos praticados por funcionários responsáveis pelo cumprimento da lei" no país. A Anistia critica a Itália por não tipificar o crime de tortura, o que daria espaço para abusos em delegacias e prisões. E conclui: "É um fato, não um argumento, que sustenta a preocupação de Battisti em ser extraditado".

 

 

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