ISTO É 16/02/2019
O líder opositor venezuelano Juan Guaidó liderava neste sábado a preparação de milhares de voluntários que irão ajudar na entrada, no próximo dia 23, de ajuda humanitária americana no país, enquanto o presidente Nicolás Maduro convocava os militares a se organizarem contra uma invasão militar.
Longas filas de pessoas se formaram em Los Cortijos, setor de Caracas onde milhares de voluntários irão se inscrever, após o chamado de Guaidó.
“Eu me inscrevi porque a ajuda humanitária é urgente. Estamos fazendo mágica para conseguir remédios, e os que consigo não posso pagar. Um parente morreu por falta de antibióticos”, contou, na fila, Coromoto Crespo, 58.
Reconhecido como presidente interino por 50 países, o também chefe do Congresso, de maioria opositora, redobrou o chamado aos militares para que permitam a entrada de ajuda, que tem como centros de provisão as fronteiras com Brasil e Colômbia, e a ilha de Curaçao.


Maduro convocou nesta sexta-feira os militares a preparar um “plano especial de implementação” na fronteira com a Colômbia, ante o que denunciou como “planos de guerra” dos governos dos presidentes americano, Donald Trump, e colombiano, Iván Duque.

Um carregamento de remédios e alimentos está armazenado desde 7 de fevereiro em Cúcuta (Colômbia), na fronteira com a Venezuela, perto de uma ponte bloqueada por militares venezuelanos com contêineres e um caminhão.Outro carregamento chegará hoje dos Estados Unidos, e outro, enviado por Porto Rico, chegou ontem à fronteira com a Colômbia. Estão em processo de ativação os centros de provisão em Roraima e no aeroporto de Curaçao.

}– ‘Fronteira inexpugnável’ –guaiado

afirma que a ajuda entrará em 23 de fevereiro, quando se completará um mês desde que ele se autoproclamou presidente. Em videoconferência transmitida ao vivo no stagram, o presidente da Colômbia, Iván Duque, que se refere a Maduro como “ditador” e “usurpador”, prometeu a Guaidó apoiá-lo “de modo decisivo” para a passagem da ajuda pela fronteira.

Maduro rejeita a ajuda por considerá-la a porta para uma invasão militar dos Estados Unidos, e pediu às Forças Armadas que avaliem “que novas forças são necessárias para que a fronteira seja inexpugnável”.

Maduro classifica de “migalhas de comida podre e contaminada” a ajuda, e culpa pela escassez as sanções dos Estados Unidos, que congelaram contas e ativos venezuelanos, gerando danos à economia que Caracas avalia em 30 bilhões de dólares.

Aumentando a pressão, os Estados Unidos anunciaram medidas punitivas contra cinco funcionários da segurança e inteligência venezuelanos, que se somam à bateria de sanções adotadas nos últimos meses.

O vice-presidente americano, Mike Pence, pediu neste sábado à União Europeia (UE) que reconheça Guaidó como único presidente legítimo da Venezuela, no momento em que alguns países europeus bloqueiam uma posição comum do bloco.

UE e Uruguai enviarão nos próximos dias uma missão técnica à Venezuela com especialistas eleitorais e em ajuda humanitária, dentro do Grupo de Contato Internacional (GCI).



Delegados de Guaidó afirmam que arrecadaram nas últimas três semanas mais de 100 milhões de dólares em ajuda para a Venezuela. O Chile também prepara toneladas de remédios e alimentos.

O multimilionário britânico Richard Branson organiza um show no próximo dia 22 em Cúcuta com artistas como os espanhóis Alejandro Sanz e Miguel Bosé, o porto-riquenho Luis Fonsi e os colombianos Carlos Vives e Juanes, a fim de arrecadar outros 100 milhões de dólares em 60 dias.

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