Referendo é visto como ação personalista - Lissy de Abreu Gallego - O Globo
CARACAS. A esquerda europeia e americana começou a ficar sem argumentos para defender a revolução de Hugo Chávez. Analistas explicam que, ao não encontrar forma de justificar que um mesmo governante seja capaz de modificar tantas vezes as regras do jogo com o único objetivo de se manter no poder, os setores esquerdistas optaram pelo silêncio. Em vez de defender a permanência de um presidente que, segundo dizem, promoveu a igualdade na Venezuela, agora preferem se calar e esperar.

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- Nos EUA há uma comunidade que simpatiza com Chávez, mas que está incomodada com esta situação e optou por se manter discreta. Nem mesmo eles estão de acordo com uma constante modificação da legislação para beneficiar a permanência de um só homem no poder - explica o especialista em América Latina do Centro de Política Internacional americano, Adam Isacson.

O referendo para a reeleição indefinida causou menos impacto no panorama internacional que as iniciativas anteriores do presidente venezuelano, mas aprofundou a avaliação negativa com a qual o governo é visto no exterior.

- Em linhas gerais, na Espanha este processo é visto como um passo a mais no aprofundamento do poder pessoal de Chávez. É criticado na imprensa, e sequer a esquerda verdadeira justifica ou defende realmente a forma do bolivarianismo - expõe o especialista em comunicação política da Universidade Complutense de Madri, Fermín Bouza.

Isacson destaca que, sem importar a perspectiva ideológica, o fato de ter sido convocado um referendo que busca aprovar a reeleição indefinida é visto com preocupação:

- Na história das democracias estáveis do mundo, não se veem tantas mudanças legais em tão curto tempo para beneficiar um só líder. Se o partido de Chávez tivesse preparado um outro representante para sucedê-lo, não haveria um problema. Neste caso, o desagrado de todos os setores ocorre porque estamos diante de um processo de personalização do poder.
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