Casa do ex-senador do PSDB foi alvo de busca e apreensão nesta terça-feira. Ele disse que não recebeu cartão de crédito vinculado à conta de Paulo Vieira da Silva.
Por Marcelo Poli, TV Globo- 19/02/2019 
VEJA  Aloysio Nunes nega envolvimento em esquema de propina
O ex-senador pelo PSDB Aloysio Nunes Ferreira Filho, negou na manhã desta terça-feira (19) qualquer envolvimento em esquema de propina da Odebrecht. Agentes da Polícia Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em sua casa e prenderam Paulo Vieira de Souza, apontado como operador financeiro ligado do PSDB, na 60ª fase da Operação Lava Jato.
"Estamos em busca do que existe nesse inquérito", disse Aloysio ao ser questionado pela TV Globo. Perguntado se teria recebido um cartão de crédito quando estava na Espanha, Aloysio negou: "Não recebi".

A investigação da Lava Jato aponta uma transação de 2007, quando a Odebrecht transferiu € 275.776,04 para a conta de Paulo Vieira de Souza. A transferência foi feita por intermédio da offshore Klienfeld Services Ltd. A apuração identificou que, no mês seguinte à transferência, foi emitido um cartão de crédito em nome de Aloysio Nunes Ferreira, vinculado à conta de Paulo Vieira de Souza. O banco foi orientado a entregar o cartão de crédito no Hotel Majestic Barcelona, na Espanha, onde o Nunes estava hospedado.

"Fui acordado às 6h", disse Aloysio. "Não tive acesso aos autos do inquérito. Nem eu nem meu advogado sabemos o que existe no inquérito. Mas a imprensa sabe. Esse é o Brasil que estamos vivendo."

Aloysio Nunes Ferreira Filho integra a equipe do governador João Doria (PSDB). Aloysio é presidente da Investe SP, agência paulista de promoção de investimentos. A Investe SP, fica sob a responsabilidade da Secretaria da Fazenda, Planejamento e Gestão, que será chefiada por Henrique Meirellles.

Outra investigação
Aloysio é ex-senador pelo PSDB e ex-chanceler do governo Michel Temer. Em outra investigação, o ex-senador é suspeito de receber ilegalmente R$ 500 mil do grupo Odebrecht para financiar sua campanha para o Senado em troca de favores políticos. O STF autorizou a investigação contra ele, após pedido da Procuradoria-Geral da República.

Nunes está no mesmo inquérito que também pede a investigação do senador José Serra (PSDB) por supostas irregularidades no processo de licitação das obras do Rodoanel Sul que favoreceram a construtora Odebrecht, líder do consórcio vencedor do contrato.

De acordo com informações do documento, um grupo de construtoras combinava sua atuação na licitação para a construção do Rodoanel Sul para evitar a concorrência no processo. O grupo era formado por Andrade Gutierrez, Galvão Engenharia, Camargo Correa, Serveng Civilsan, OAS, Mendes Junior, Queiroz Galvão, CR Almeida, Constran e Odebrecht.

Em outro esquema, Nunes é apontado como beneficiário de dinheiro de caixa dois da concessionária CCR. A empresa, que atua na área de infraestrutura e administra rodovias em São Paulo, criou um esquema para fomentar o pagamento ilegal para diversas campanhas políticas. Neste esquema, Aloysio Nunes teria recebido R$ 1 milhão. Ele nega a acusação.

Em nota, o "PSDB esclarece que não é parte no processo em questão e não mantém qualquer tipo de vinculo com o sr. Paulo Vieira, jamais recebeu qualquer contrapartida de empresas nem autorizou terceiros a fazê-lo em seu nome. Os recursos recebidos pelo partido, em período eleitoral ou não, foram doados de maneira absolutamente legal e declarados à Justiça Eleitoral, respeitando a legislação vigente".

ALOYSIO NUNES

PSDB

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