quem sobrará  depois de todas as delações? Como teremos tantos presídios para tanro corrupto?
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ); o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (MDB-RJ) e o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM-RJ) Foto: Arquivo / Agência O Globo
Como diria o genial Plínio Marcos, três pedidos numa política suja
Aguirre Talento - O Globo
Em acordo de delação premiada homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ex-executivos da OAS citam repasses de caixa dois a diversos políticos do Rio, entre eles o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral e o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes . Os delatores também citam pagamentos relacionados à campanha do ex-senador do PT Lindbergh Farias e do ex-deputado Indio da Costa (PSD-RJ).

O atual presidente da Câmara dos Deputados é acusado por um dos ex-executivos do setor de propina da OAS, o delator Adriano Santana, de ter recebido repasse de caixa dois da empreiteira para abastecer sua campanha eleitoral à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2012. Santana afirma que houve um acerto da OAS com Maia para o repasse de R$ 250 mil, via caixa dois, sendo que apenas R$ 50 mil teriam sido efetivamente pagos.

Responsável pelo setor de caixa dois e propina da OAS na região Nordeste, Adriano Santana teria participado do episódio porque o pagamento para a campanha de Maia teria sido feito em dinheiro vivo em Salvador, operacionalizado pela filial da OAS na capital baiana.

INVESTIGAÇÃO – Segundo o delator, o repasse foi feito ao irmão de um assessor da campanha de Maia, enviado a Salvador para cuidar do assunto. Com base no relato de Santana, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, solicitou a abertura de uma investigação preliminar sobre o caso envolvendo o pagamento de caixa dois a Rodrigo Maia. O procedimento foi autorizado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo.

Maia também já é alvo de um inquérito envolvendo repasses da OAS e benefícios concedidos por ele à empreiteira no Congresso Nacional. A Polícia Federal apontou indícios de corrupção passiva envolvendo o deputado, por causa da captação de doações de R$ 1 milhão para a campanha de seu pai, César Maia, ao Senado em 2014, em troca de sua atuação no Congresso Nacional. O caso está nas mãos da procuradora Raquel Dodge, que, no entanto, ainda não apresentou denúncia ao Supremo.

PAES EM 2012 – A delação dos executivos atinge ainda o ex-prefeito Eduardo Paes e o ex-governador Sérgio Cabral. Responsável pela contabilidade paralela da OAS na região Sudeste, o executivo José Ricardo Breghirolli disse em sua delação premiada que operacionalizou pagamentos de R$ 25 milhões para abastecer o caixa dois da campanha de Paes à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2012. Naquele ano, Paes foi reeleito prefeito no primeiro turno, com 64% dos votos.

Breghirolli afirmou que, desse total, R$ 20 milhões foram pagos em dinheiro vivo. As remessas, no valor de R$ 300 mil, teriam sido entregues a emissários da campanha de Paes em shoppings do Rio de Janeiro. Outros R$ 5 milhões, repassados mediante depósitos em uma conta no exterior que abasteceria a campanha eleitoral.

CABRAL EM 2010 – Breghirolli também disse ter operacionalizado vultosos repasses de caixa dois à campanha eleitoral de Sérgio Cabral em 2010. Segundo ele, a OAS pagou aproximadamente R$ 10 milhões a fornecedoras da campanha de Cabral e de seus aliados naquele ano.

Também foram relatados, por outro delator, Marcelo Thadeu da Silva, pagamentos de propina – sem especificar os destinatários – em algumas obras da gestão de Paes, como a construção do BRT Transcarioca, a reforma na Praça da Bandeira e a Fábrica de Escolas. Segundo ele, as obras foram superfaturadas pela OAS para gerar recursos destinados ao pagamento de políticos e agentes públicos.

LINDBERGH E ÍNDIO – Outro delator da OAS, Mateus Coutinho de Sá, contou ainda ter feito pagamentos de R$ 400 mil à empresa do publicitário João Santana para cobrir despesas de publicidade do então senador petista Lindbergh Farias em 2012.

O caso também foi relatado na delação premiada de Mônica Moura, mulher de João Santana e responsável pela gestão financeira do casal, igualmente já homologada pelo STF. Segundo ela, Santana foi contratado naquele ano para fazer inserções publicitárias com o objetivo de alavancar a imagem de Lindbergh no Rio de Janeiro. Mateus Coutinho diz ter feito os pagamentos em dinheiro vivo com entregas em um hotel no Rio de Janeiro e na residência do próprio Lindbergh.

O delator José Ricardo Nogueira Breghirolli também relatou, em um dos seus anexos, que repassou “valores espúrios no total de R$ 1 milhão” a campanha eleitoral do ex-deputado Indio da Costa em 2010. Naquele ano, ele foi candidato a vice-presidente do tucano José Serra

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