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Categoria: Política Externa
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Justificativa é 'calamidade pública gerada por interrupção no fornecimento de eletricidade'; em alguns estados já falta energia há mais de 80 horas. Novas manifestações foram convocadas para terça-feira.
Por G1 - 11/03/2019
O presidente da Assembleia Nacional e autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, preside sessão em Caracas, na segunda-feira (11) — Foto: AP Foto/Eduardo Verdugo O presidente da Assembleia Nacional e autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, preside sessão em Caracas, na segunda-feira (11) — Foto: AP Foto/Eduardo Verdugo
O presidente da Assembleia Nacional e autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, preside sessão em Caracas, na segunda-feira (11) — Foto: AP Foto/Eduardo Verdugo

Por unanimidade, a Assembleia Nacional, controlada pela oposição, aprovou nesta segunda-feira (11) um decreto do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, declarando estado de alarme na Venezuela. Guaidó também preside a Assembleia.

A justificativa apresentada foi a “calamidade pública gerada pela interrupção sustentada do fornecimento de eletricidade que afetou a grande maioria dos venezuelanos". O país sofre com blecautes desde quinta-feira e em alguns estados a falta de energia já soma mais de 80 horas.

O regime de Nicolás Maduro fala em sabotagem e acusou um ataque hacker com origem nos Estados Unidos, mas a oposição culpa o sucateamento da rede elétrica do país.

Com a declaração do estado de alerta, as Forças Armadas são ordenadas a providenciar mobilizações necessárias para fornecer a devida proteção às instalações e aos oficiais da Corpoelec, responsável pelo fornecimento de energia.

Os oficiais de segurança também devem abster-se de impedir ou criar obstáculos aos "legítimos protestos do povo venezuelano através dos quais expressam não apenas sua rejeição ao estado deplorável do sistema elétrico do país, mas, acima de tudo, sua imensa indignação em relação aos responsáveis por sua inépcia e corrupção", segundo trecho do documento aprovado no Congresso.con mis atribuciones constitucionales como Presidente (E), he enviado a la @AsambleaVE la solicitud para que se decrete estado de alarma en todo el territorio nacional debido a la tragedia que vive el país a causa del apagón nacional sostenido. #ANSesiónDeEmergencia


Guaidó também convocou uma nova manifestação para terça-feira, como forma de protestar contra os blecautes: "Amanhã, às três da tarde (16h00 em Brasília), toda a Venezuela nas ruas".

Segundo Guaidó, além da falta de eletricidade, em boa parte do país, já começa a faltar água, a comida está apodrecendo, o transporte e as comunicações estão interrompidas ou instáveis.

"Não há normalidade na Venezuela e nós não vamos permitir que se normalize a tragédia (...), por isso o decreto", afirmou o líder da oposição, acrescentando que "todo (é) produto da corrupção e da imperícia do regime".

Segundo a France Presse, para minimizar as consequências da crise elétrica, o governo prorrogou a suspensão de atividades de trabalho e escolares, que havia decretado na quinta-feira passada quando começou o problema de fornecimento de energia, o pior registrado neste país de 30 milhões de habitantes que atinge a capital e 22 dos 23 estados.

Muitas casas tem tanques de água porque sempre há racionamento na Venezuela, mas as bombas não funcionam sem luz. Em Caracas, moradores fazem fila para conseguir se abastecer nas fontes d'água aos pés da montanha Ávila.

Por conta da situação, o governo vai começar a distribuir alimentos e água potável nas áreas mais carentes.

Maduro sustenta que o apagão foi provocado por "um ataque cibernético eletromagnético" cometido pelos Estados Unidos contra a hidroelétrica de Guri, no estado de Bolívar (sul), a principal da Venezuela e segunda da América Latina, depois de Itaipu.