Por Percival Puggina
Suspeito que a conexão em 4 megas não está me ligando ao mundo com velocidade compatível. A dissertação de Lula sobre a crise da economia mundial, expectorada em evento do Sebrae no dia 4 de fevereiro, só agora chegou ao meu e-mail. De duas uma: ou voltamos aos tempos das diligências ou meus fornecedores de insumo informativos entraram na moda das férias coletivas. Seja como for, o grande guru de Garanhuns viveu momento de copiosa inspiração perante aquele auditório do Sebrae, repleto de empresários.

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Você sabe que quando a economia andou bem e o emprego cresceu, Lula desfilou como pai dos recém-empregados, esperança dos desempregados e provedor dos sem maior interesse nisso. As vagas criadas nada tinham a ver com as empresas, seus acionistas, seus empresários, sua disposição para o investimento e sua criatividade. Os empregos nasciam das mãos dadivosas do presidente. Agora que a vaca, o boi, o touro e o terneiro foram para o brejo, os culpados pelo desemprego são os empreendedores. E Lula desfila pelo país a cobrar soluções criativas desses sanguessugas da mais valia, incapazes de coisas tão elementares quanto pagar a folha de pessoal sem faturamento.

Pois eis que o presidente subiu nas tamancas e resolveu lecionar sobre a crise de 1929. Disse ele: "Temos que reconhecer que a situação é delicada, que essa crise é possivelmente maior que a crise de 1929 e temos que reconhecer que o Roosevelt só conseguiu resolver a crise de 29 por causa da 2ª Guerra Mundial. Como não queremos guerra, queremos paz, nós vamos ter que ter mais ousadia, mais sinceridade, mais inteligência, por que eu não admito que uma guerra, para resolver um problema econômico, tenha seis milhões de mortos" (Estadão Online, 04/02/2009). Decida o leitor sobre o que é pior nesse baião do pernambucano doido, se o atropelo da história ou se o completo desalinho dos argumentos.

Eu guardo em meu site (www.puggina.org) um colar, tão longo quando precioso e bem humorado das pérolas de nosso presidente. Tendo colecionado todas ou quase todas, posso afirmar que desta vez Lula se superou. O discurso, certamente acolhido com prolongados aplausos por uma platéia contagiada pela basbaquice (esse troço quando vem de cima pega), justificaria um motim da inteligência, da imprensa e da academia nacional. No entanto, como mencionei no início do texto, só fui topar com alguma repercussão do fato, duas semanas mais tarde, simultaneamente com notícias sobre o baixo desempenho de nossos estudantes nas provas do Enem. Queríamos o quê?

Por fim, a bem da verdade, reconheça-se que o presidente, sobre os próprios disparates, arranca uma conclusão correta: não será preciso matar seis milhões de judeus nem promover uma guerra para resolver a atual crise da economia mundial. Isso ele não admite. Ufa!

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