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Categoria: Diversos
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 Por Ubiratan Lorio
O jornal O Globo de hoje publica entrevista do general venezuelano da reserva Alberto Müller Rojas, ex-professor de Hugo Chávez (o que já parece qualificá-lo como uma anta), vice-presidente do partido do bufão que governa a Venezuela e um de seus principais assessores. Só há uma palavra para descrever o populismo revelado pelo referido senhor na entrevista feita por Janaína Figueiredo: estupefaciente! E nos dois sentidos que os dicionários registram: por causar estupefação - tamanhas são as bobagens que profere - e por ser uma verdadeira droga, tóxica, com ação analgésica e efeito psíquico tido como agradável pelos que, afetados pelo fantasma da ignorância, deixam-se contaminar pelo populismo mais barato.

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Vou ficar com apenas três das inúmeras sandices eivadas de cacoetes ideológicos: na primeira, o súcubo da Aracanga de Miraflores (a aracanga é uma arara-vermelha que adora fazer barulho) minimiza os efeitos perversos da inflação - que estava recentemente em 32% ao ano em seu país e que já caminha celeremente para superar a barreira dos 40% anuais – afirmando que ela só prejudica a classe média, quando se sabe que os mais prejudicados por ela são os pobres, ou seja, os que vivem exclusivamente de rendas contratuais (salários) ou estão desempregados, que são também os que mais estão sofrendo com o desabastecimento geral provocado pelos controles bolivarianos de preços; na segunda, afirma que a classe média come demais (!) e que consome muitos produtos “supérfluos”, chegando a afirmar que tais produtos seriam nocivos à saúde (será que ele não os consome?), após o que coloca que um dos objetivos da Revolução Bolivariana é que todos pertençam a uma “grande classe média”; e na terceira – enumerar as demais me levaria a perder definitivamente a paciência - declara que o governo de Chávez é muito eficiente, apesar de reconhecer a ineficácia da burocracia (como se fosse possível existir eficácia na burocracia de um país em que o Estado toma conta da vida de todos).

A América Latina está doente. O populismo parece grassar em quase todos os cantos: a Aracanga em Caracas, Morales em La Paz, Correa em Quito, Lugo em Assunção, Cristina em Buenos Aires e Lula aqui no Brasil com declarações diárias não menos estupefacientes e o seu populismo tupiniquim, o Bolsa Família, uma extraordinária usina geradora de votos, construída com recursos dos depauperados contribuintes.


Até janeiro deste ano, a culpa, para os populistas que infestam a nossa região, era do Bush. Em quem colocarão a culpa quando suas políticas irresponsáveis empobrecerem ainda mais os seus países? Chávez, certamente, dirá que o bode expiatório é a queda do preço do petróleo, mas e os outros?

God save South America!