Prezados amigos e parentes, cheguei bem!

Tudo aqui está correndo às mil maravilhas, estou ainda em processo de adaptação, o que não é fácil. Como alguns já haviam desconfiado optei pelo auto-exílio virtual e aqui estou, como legítima opção pessoal democrática. É auto porque me impus, por razões pessoais de descontentamento com "tudo isso que está aí", parodiando um dos culpados pela minha decisão.
 

 
É exílio porque não posso mais suportar o assédio dos valores que abomino e que substituíram, ao que parece pelo resultado das eleições, tudo o que se acreditava existir na boa índole do povo brasileiro.

Virtual porque, como se lembram, sou Coronel da Reserva do Exército Brasileiro e assim não amealhei fortuna, posto que vivi sempre com meus vencimentos. Não tenho o necessário para viajar por uns tempos e morar fora do meu amado e sofrido, e por que não dizer, enganado País.

Pensei, em devaneios revoltados, montar uma história e até convidei camaradas para montá-la comigo, na desonesta intenção de remediar a nossa triste situação financeira. Em resumo tratava-se de ingressar na justiça com um pedido indenizatório por perseguição política! Sim, o caminho que dá um prêmio de loteria para os "injustiçados"! Seria montada uma farsa, uma história em que nós teríamos sido impedidos de manifestar nossa "verdadeira ideologia" e que forçados pelas circunstancias de sermos militares, oficiais do EB, mantivéramos o silêncio para não nos prejudicarmos em nossas carreiras e assim nossa vida fora "tolhida em nossos" ideais ". Lógico que a tentativa foi descartada, e o motivo da desistência? Se fosse pelo receio de que a amalucada história engendrada não desse certo seria bobagem, pois tantos e tantos conseguiram polpudas indenizações e até pensões vitalícias como perseguidos políticos com histórias igualmente mentirosas e inverossímeis. Está cheia a folha de pagamento do INSS com essas aposentadorias e pensões conseguidas com espertos advogados. Mas havia um obstáculo intransponível: Nossa verdadeira história de vida! Não conseguiríamos mais dormir em paz com nossas consciências, e desistimos! Seria uma violência contra tudo o que acreditávamos. A Ética e a Moral falaram a última palavra.

Sem possibilidades de ir para um exílio real, decidi pelo auto exílio virtual!

Essa idéia amalucada foi uma ironia e uma piada-protesto que contava em conversas para demonstrar a revolta contra as aposentadorias e pensões que o Estado paga a tantos sem que tivessem trabalhado e fizessem jus a uma aposentadoria honesta e justa. Como é o caso do falso metalúrgico que por acidente de trabalho ficou sem um dedo, o qual já é chamado mínimo pela contribuição que tem nos trabalhos manuais, e ainda, por outra vertente, conseguiu uma pensão de perseguido político. Lembro-me um colega desde os tempos do CMPA que seguindo sua carreira de oficial, após um terrível acidente em exercício de combate na AMAN, em que perdeu três dedos , os mais importantes na anatomia da mão, cumpriu sua missão e foi promovido a General.E passou à reserva por missão cumprida e não como um inválido que realmente comprovou que não era, apesar da perda de seus dedos a qual superou com grande êxito.

Tomei a atitude de me exilar por mágoa e decepção com o povo brasileiro, por sua capacidade de se deixar enganar e de apoiar as práticas mais desonestas de que se serviu o partido do governo e seu chefe, as quais foram explicitadas em várias ocasiões.

Mandei e-mails para todos vocês em campanha de protesto contra o desgoverno daquele partido. Hoje me retiro, bato em retirada, uma manobra militar mal aceita e mal compreendida por quem não é militar. A retirada não significa desistência, apenas é uma manobra para retomar a guerra mais à frente, para vencê-la. Lembram de Dunquerque !?

Voltarei.

Quando renascer a esperança de ver o Povo brasileiro dizer não aos falsos profetas.

Quando o Povo tiver aprendido a lição e souber usar o sagrado direito do voto para eleger pessoas dignas e capazes para governar nossos destinos.

Quando o povo, por um trabalho de Oposição, tiver alcançado a Educação que lhe falta, para saber discernir entre a demagogia popularesca e verdadeira democracia, sim, pois ao atual governo reeleito não interessa educar o povo. Mantê-lo inculto e ignorante favorece aos desígnios secretos de seus líderes stalinistas para se perpetuarem no poder.

Quando a Oposição se tornar patriótica e perder o medo das apresentar denúncias que poderiam também atingí-la, tornando-se parceira honesta do povo na fiscalização do governo.

Quando a Imprensa for livre para expressar suas idéias, sem que o governo a intimide com suas manobras coercitivas, exigindo elogios e fidelidades às suas iniciativas antidemocráticas.

Quando a Justiça for justa e não se subordinar senão às Leis.

Quando o Congresso representar o Povo e os Estados e não os interesses espúrios de grupos e quadrilhas.

Quando voltarmos a ser um País respeitado pelos nossos vizinhos não só pelo preparo de nossas Forças Armadas, que hoje são mantidas obsoletas por conveniência do governo, mas também por sermos um país justo, ético e democrático.

O que de prático representa esta minha atitude?

Ora é mais uma piada do Dedé! Dirão alguns...

Este meu "tresloucado ato" representa meu protesto.

Como irei me comportar?

Praticamente procurarei ter o comportamento de espectador, sem, contudo opinar, nem responder à qualquer tipo de provocação para ingressar em discussões sobre política e governo com meus amigos e parentes que pensem diferente. Não mandarei mais e-mails sobre o quadrilheiro-mor, nem sobre seu partido stalinista. Não responderei e-mails de cunho político. Penso até em deletar todos os arquivos que acumulei nestes últimos anos em meu computador, sobre aos fatos da grande quadrilha, mas encontro dúvidas em realizar tal ato, pois seria como apagar a História. Pelo menos é certo que serão transformados em arquivos semimortos...

Estarei como espectador, verei o vai acontecer, e sei que ficarei feliz e satisfeito quando o povo finalmente ver a besteira que fez ao dar outra chance aos espertalhões. Infeliz e triste ao ver o meu Brasil sofrer pelas próprias mãos de seus filhos.

Tenho enorme apreço pelos meus amigos e parentes que não comungam das minhas idéias, e espero que compreendam minha atitude, quando, ao me testarem, receberem respostas disparatadas às suas perguntas e aos convites para aquelas discussões.

Continuo o mesmo. Sou democrata e visceralmente anti-stalinista. Não sou, por simplificação de antagonismo, de Direita, por ser contra esse tipo de esquerda retrógrada e ultrapassada, que resiste em seus últimos estertores, em pobres países infelizes, como Cuba, Coréia do Norte e outras ditaduras em extinção.

Acreditei na Revolução Democrática de 31 de Março, a qual nos afastou do golpe que àquela época os stalinistas planejavam com a atitude de conivência do governo títere de então.

Não admito que o meu Exército seja chamado de nazista, por até hoje não termos perdoado a trágica noite de 27 de Novembro de 1935! Fomos à guerra para defender o mundo livre, combatemos na Itália, com honra e glória, o nazi-facismo! Ao voltar, a nossa heróica FEB foi desmobilizada, pois o governo do Ditador Vargas, com medo do que ela representaria na política nacional.Vargas é considerado por alguns desavisados esquerdistas como exemplo de governo democrático, em contradição com a verdadeira inspiração facistóide de seu governo. Vargas só declarou guerra ao EIXO por insistência popular. Ah! Mas isto é outra história...

Não aceito ser chamado pejorativamente de elite, por falsos pobres, que se locupletaram com as benesses da "res publica!" Sou sim, e assumo, elite. Estudei, trabalhei e hoje estou na reserva remunerada depois de trinta anos de serviço. Meu pai nasceu, filho de um vaqueiro, no sertão do Ceará, foi para o Sul para estudar e trabalhar. No Rio de Janeiro foi trocador de ônibus, bedel em colégios, serviu o Exército como soldado. Lá, na terra carioca, conheceu minha mãe, que a despeito dos preconceitos da época, trabalhava fora para seu sustento e para o de minha avó. Ela trabalhou trinta e cinco anos e recebia uma mísera pensão ao se aposentar. Meu pai estudou e se formou em Direito, trabalhou como escrevente do poder judiciário e se aposentou com escrivão. Graças aos esforços de meus pais eu e meu irmão estudamos e nos formamos, aproveitando o que nossos pais nos ofereciam.

 Sou elite porque faço parte, graças ao meu desempenho e ao de meus pais, da população esclarecida e educada que pode e deve governar o País, levando nosso pobre povo a se educar e com isso erradicar os pobres, transformando-os em cidadãos de primeira classe, e não os mantendo como massa ignara e rude que bem serve aos propósitos eleitoreiros dessa liderança nefasta e populista que ceva os pobres em seus currais eleitorais com as esmolas de programas assistencialistas, sem oferecer a dignidade da cultura e educação, que os libertaria do jugo da ignorância.

Aos interessados em cevar os pobres com "bolsas" de todos os tipos, deixo minha advertência: Um dia eles compreenderão que foram enganados!

Confio que a máxima popular – Deus é brasileiro!- seja verdadeira e que Ele olhe com sua bondade para o sofrido povo brasileiro e nos permita atingir por milagres políticos a grande ventura do desenvolvimento real e nos livre do populismo.

Por último, tenho a bradar meu bordão de protesto definitivo:

Vou pra praia tomar cerveja!

Algum lugar, 30 de outubro de 2006

Descartes

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