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Gilberto Carvalho nasceu em Londrina (PR) no dia 21 de janeiro de 1951. Estudou em escola pública e ao concluir a 4ª série do curso primário  decidiu aos 11 anos ser padre. Em 1962 matriculou-se no seminário da Ordem dos Palotinos . Aos 13 anos participou da Marcha da Família com Deus , organizada pelo seminário e pela igreja local  em apoio ao regime militar. Recebeu a batina de noviço e passou dois anos em semi-reclusão.
Em 1969 aprovado no vestibular para o curso de filosofia na Universidade do paraná, mudou-se para o seminário de Curitiba. Na universidade , situações o fizeram mudar a maneira de ver o sacerdócio ,  a igreja e a política, tais como prisão e expulsão de professores e alunos e a resistência do movimento estudantil .Ainda participou do projeto Rondon em Imperatriz no Maranhão

Aprovado no vestibular para o curso de filosofia na Universidade Federal do Paraná em 1969, mudou-se para o seminário de Curitiba.
Já formado, em 1973 iniciou o curso de teologia em seu seminário e interessou-se pelos manifestos de Dom Helder Câmara, de Dom Paulo Evaristo Arns, de Dom Pedro Casaldáliga . Em 1975 abandonou o curso e, junto com dois outros seminaristas, foi viver em uma favela e trabalhar em uma fábrica seguindo preceitos da pastoral operária. Em 1977 participou, no Rio de Janeiro, da criação da Comissão Nacional da Pastoral Operária. Contratado pela Prosdócimo como soldador , onde  estabeleceu contato com Waldemar Rossi, líder metalúrgico católico e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, além de sindicalistas de Osasco e do ABC paulista, entre eles Luís Inácio Lula da Silva. Organizou reuniões clandestinas para a formação de uma comissão de fábrica em seu local de trabalho e, em 1979, participou, desde o início do regime milita,r da deflagração da primeira greve operária no Paraná .Denunciado pelo sindicato oficial da categoria foi  demitido junto com outros líderes.

Ainda em 1979, dedicou-se à estruturação do Partido dos Trabalhadores (PT) no Paraná. Em 1980, apoiado por uma organização belga, participou da instalação de uma serralheria em regime de autogestão operária, que se manteve em atividade por mais de quatro anos.

Em 1981, indicado pela Pastoral Operária, viajou para a Europa a fim de conhecer experiências sindicais e fortalecer intercâmbios com a Pastoral. No ano seguinte, participou da direção estadual do PT, identificando-se com o manifesto “dos 113”, liderado por Lula, que defendia o “não alinhamento” interno a organizações político-partidárias. Em 1983 participou, em São Bernardo do Campo (SP), da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e no ano seguinte foi eleito membro da direção nacional do PT, assumindo a Secretaria de Formação Política. De 1984 a 1987 representou a Pastoral Operária junto à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e em 1985 foi eleito coordenador nacional da Pastoral Operária sediada em Duque de Caxias (RJ), para onde se mudou.

De regresso a Curitiba em 1986, foi eleito presidente estadual do PT e candidatou-se a deputado federal. Obteve expressiva votação, mas não se elege. Em 1989 participou da campanha de Luís Inácio Lula da Silva para presidente da República .Segundo  diz foi equestrado e ameaçado de morte, o que levou a direção nacional do PT a afastá-lo do Paraná e nomeá-lo coordenador do Instituto Cajamar, no interior de São Paulo, voltado para a formação política dos militantes de base. Aí permaneceu até 1993, quando assumiu a secretaria-geral do partido. 

Em 1994, integrou novamente a coordenação da campanha de Luís Inácio Lula da Silva para a presidência da República. De 1995 a 1997, tornou-se secretário de comunicação do PT, sempre em sintonia com a tendência majoritária Articulação. Em fevereiro de 1997 foi nomeado secretário de Comunicação de São Bernardo do Campo pelo prefeito Celso Daniel e, em julho, deixou a direção nacional do PT. Com a reeleição do prefeito, em janeiro de 2001 tornou-se secretário de Governo, cargo que exerceu até o trágico assassinato de Daniel em janeiro de 2002.

No caso do  prefeito Celso Daniel, existem afirmações de que ele seria um dos que recolhiam malas de dinheiro de propinas recebidas do desvio de dinheiro  de dinheiro  de contratos da  prefeitura de São Bernardo do Campo que seriam   entregues a José Dirceu  , presidente do PT na época. Dinheiro que seria usado na nova campanha de Lula para presidência.               

 Eleito, Lula convidou-o para ser chefe do gabinete pessoal do presidente da República.

Na chefia do gabinete 

Ao assumir o cargo em janeiro de 2003, recebeu as atribuições oficiais de organizar a agenda e as viagens do presidente, supervisionar a segurança, cuidar do cerimonial e administrar as despesas presidenciais. Os meios políticos e de comunicação lhe atribuíram um importante papel de conselheiro do presidente, que a ele delegava missões de articulação política internas e externas ao PT.

Seu nome foi citado nas diversas comissões parlamentares de inquérito (CPIs) criadas para investigar denúncias de irregularidades envolvendo o governo federal e o PT. Durante a CPI dos Bingos, em 2005, em que se apuraram denúncias sobre a existência de arrecadação ilegal de recursos financeiros para cooptar parlamentares para a base de apoio ao governo federal, foi acusado de ter conhecimento de desvio de dinheiro de contratos da prefeitura de São Bernardo do Campo. Na CPI dos Sanguessugas, de 2006,  foi citado por envolvimento na tentativa de compra de dossiê prejudicial ao principal concorrente de Lula nas eleições daquele ano.

Apesar de ser recorrentemente citado em CPIs, em nenhum as acusações foram comprovadas, e com isso teve seu nome excluído dos relatórios finais, devido à ausência de provas.Com a reeleição de Lula em 2006 e o início de seu novo governo em janeiro de 2007, permaneceu na função de chefe de gabinete. Em junho de 2008, acusado por órgãos da imprensa colombiana de manter contato com a organização guerrilheira Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), divulgou nota explicando tratar-se de assunto de natureza humanitária, ligado ao estado de saúde de um religioso vinculado ao grupo. Nesse mesmo ano, transferiu-se para São Paulo a fim de reforçar a campanha de Marta Suplicy no segundo turno da eleição para a prefeitura. 

Nos primeiros meses de 2009, os líderes da tendência majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil (CNB), sucessora das antigas Articulação, Campo Majoritário, Articulação de Esquerda e Mensagem ao Partido, propuseram seu nome, como candidato capaz de unificar o partido, nas eleições de novembro para a presidência do PT e a renovação de 75% da direção nacional. O presidente Lula reagiu à iniciativa, afirmando não poder abrir mão de seu trabalho à frente do gabinete pessoal. Em meados de 2009, teve êxito em duas questões, uma delas de caráter pessoal, com a adoção de duas meninas, irmãs, após quatro anos de espera, e a promulgação de uma lei na qual se empenhou durante anos, a Lei Nacional de Adoção, que simplificou e agilizou os procedimentos de adoção de crianças no Brasil. 

Engajado na pré-campanha da ministra Dilma Rousseff para a presidência da República, em 2009 trabalhou para aproximá-la mais da Igreja Católica por meio de encontros com parlamentares e líderes, comparecimento a atos religiosos e entrevistas aos meios de comunicação do catolicismo. 

Vencidas as eleições por Dilma Roussef, Gilberto Carvalho foi anunciado como ministro da Secretaria Geral da Presidência da República. O grande desafio de Gilberto Carvalho neste primeiro mandato de Dilma Roussef foi mediar as complicadas relações entre ela e o Congresso Nacional, em especial com a base aliada do PMDB, que constantemente demonstrava sua insatisfação em algumas votações estratégicas. Exemplo disso foi a rejeição do Senado ao nome indicado por Dilma Roussef para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo. Também teve importante atuação na interlocução do governo com os movimentos sociais. Um ponto polêmico foi a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, defendida pelo governo e fortemente combatida por inúmeros movimentos sociais – incluindo aí os indígenas. 

Nesse período, também surgiram diferentes acusações a membros do governo por atos ilícitos, deixando o cenário político bastante instável. Durante sua gestão, vários ministros pediram demissão ou foram afastados, em função de acusações de corrupção: Antonio Palocci (Casa Civil), Luiz Sergio (Relações Institucionais), Alfredo Nascimento (Transportes), Nelson Jobim (Defesa), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo), Orlando Silva (Esportes) e Carlos Lupi (Trabalho). 

O ano de 2013 foi marcado ainda por inúmeras manifestações de rua contrárias ao governo e às formas tradicionais de política no Brasil. Gilberto Carvalho, como representante do governo no diálogo com os movimentos sociais, concedeu inúmeras entrevistas defendendo a legitimidade desses atos, apenas ressaltando sobre o perigo da violência. Neste ano, apareceu em 40º lugar na lista dos “60 mais poderosos do Brasil”, do site Último Segundo. 

Em setembro de 2014, afastou-se de suas funções no governo para dedicar-se à campanha de reeleição de Dilma Roussef. Ao final deste mesmo ano, anunciou sua saída do cargo no governo Dilma, sendo substituído por Miguel Rosseto. Em seu discurso de despedida, afirmou com veemência que os membros do PT não eram “ladrões”, como membros da oposição insinuavam. 

No contexto das discussões sobre o afastamento da presidente Dilma, entre os anos de 2015, com culminância em 2016, Gilberto Carvalho exerceu o estratégico papel de tentar convencer diferentes setores a apoiar a manutenção deste governo. Em ato político no dia 1º de maio de 2016, afirmou que os erros do PT não justificariam o impeachment. 

Em fevereiro de 2015, tornou-se presidente do Conselho Nacional do Serviço Social (SESI), órgão responsável por fixar as diretrizes da entidade, além de coordenar programas e aprovar e fiscalizar orçamentos. 

Ainda em 2015, no bojo da operação da Polícia Federal denominada Zelotes, foi acusado de fazer acordos escusos com lobistas, que desejavam obter vantagens fiscais, desde o período do governo Lula. Em maio de 2016, o juiz Genilson Rodrigues Carreiro, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Santo André, condenou Gilberto Carvalho por improbidade administrativa à suspensão dos direitos políticos por 5 anos. Entre as acusações, constava que como secretário de governo de Celso Daniel, teria sido arrecadador de propinas para o partido. 

Em junho de 2016, teve sua exoneração do cargo no SESI publicado no Diário Oficial, pelo governo de Michel Temer, mas não foi notificado formalmente de tal decisão.

 

 

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