PROFISSÃO MILITAR - SERVIÇO E SERVIDÃO
General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva
As Forças Armadas são o braço armado da nação, por ela constituídas com a missão de protegê-la interna e externamente. A nação nelas confia, pois crê, piamente, que seus soldados são preparados para guardá-la de eventuais inimigos externos e, algumas vezes, de grupos internos hostis à liberdade, à democracia, à coesão e à paz social. A nação nunca se sentiu ameaçada pelos seus soldados, embora algumas mentes radicais e ideológicas assim tentem convencê-la.


Ora, a carreira das armas se traduz em serviço ao Estado, cumprindo o arcabouço legal que rege a profissão. Porém, acima desse nobre serviço, existe uma intangível servidão do soldado à nação, esta sim detentora primária de sua lealdade, acima de tudo e de todos, aí incluídas pessoas, organizações, partidos e grupos de qualquer natureza. Acima do serviço está a servidão incondicional à nação, servidão que prevalece, inclusive, sobre a obediência às leis quando isso implicar em riscos à sobrevivência da Pátria. Aspecto difícil de explicar, mas fácil de perceber, pois de fato, sempre foi assim. Até quando? Até a sociedade amadurecer e se engrandecer moralmente, obrigando, com toda firmeza, as lideranças política, jurídica e legislativa a governarem pelo bem comum e não pelo delas próprias.
O militar faz um juramento quando ingressa no Exército e eu destaco o trecho que diz: “--- dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria ---". O juramento não tem tempo de duração. Portanto, na reserva ou reformado, o militar continua servindo ao cultuar e propagar os valores que fazem da servidão militar a grandeza da missão do soldado. A ela continuamos vibrantemente algemados, cientes de que o nosso compromisso nunca foi entre nós e pessoas ou entidades de qualquer natureza, mas sim entre nós e a Pátria.

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