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Os governadores venezuelanos da oposição condenaram a determinação do presidente Hugo Chávez de tomar o controle dos portos e aeroportos do país, e prometeram resistência. "Não temos medo. Podem nos atacar, mas nós temos o povo do nosso lado", disse o governador de Zulia, Pablo Perez, em Maracaibo, um dos principais portos de exportação de petróleo. Neste domingo, 300 soldados chegaram ao porto de Cabello, em Carabobo.

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Chávez ocupa 1º porto da oposição

Guarda Nacional controla agora operações e vigilância em Puerto Cabello

CARACAS. A Guarda Nacional da Venezuela iniciou ontem a tomada de portos e aeroportos controlados pela oposição. Seguindo uma ordem dada pelo presidente Hugo Chávez no domingo, as forças de segurança tomaram as entradas e saídas do porto de Puerto Cabello e iniciaram a vigilância interna, incluindo os pátios das operadoras comerciais. Segundo jornais locais, não houve resistência e os funcionários estão trabalhando normalmente.

 

SIP faz duras críticas ao presidente venezuelano

Todos os portos e aeroportos que são alvos da ordem de Chávez estão localizados em estados nas mãos de governos opositores. O anúncio de domingo foi feito alguns dias depois de o Congresso ter aprovado a Lei de Descentralização, que permite ao governo central assumir estradas, portos e aeroportos que considere de interesse nacional. Tendo como base a lei, Chávez ordenou a tomada dos portos de Maracaibo e Puerto Cabello, situados, respectivamente, nos estados de Zulia e Carabobo.

O estado de Zulia é governador pelo opositor Pablo Pérez, do partido Um Novo Tempo (UNT), enquanto à frente do estado de Carabobo está Enrique Salas, do partido de oposição Projeto Venezuela. Após a aprovação das reformas, os dois governadores declararam que tentariam defender as atribuições que até o momento tinham sobre essas instalações portuárias.

- Nada justifica o que está sendo feito. Vamos recorrer contra essa medida na Justiça - disse o governador do estado Carabobo, Henrique Salas Feo.

Chávez foi ontem novamente alvo de duras críticas da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que ao final de um encontro no Paraguai o acusou de endossar ataques contra meios de comunicação e jornalistas. A SIP acusou o presidente de humilhar oficialmente a imprensa, retórica que levou a violentos ataques aos repórteres da rede de TV Globovisión em outubro e contra jornais do país. 


 

COLUNA

Klécio Santos

Asfixia chavista- Zero Hora

Era de se esperar que, assim que se visse fortalecido, Hugo Chávez reagisse aos inimigos internos. Um mês depois de conseguir o direito à reeleição ilimitada, Chávez assume o controle de portos, aeroportos e estradas. A intervenção militar é apenas a parte visível da nova orquestração do líder venezuelano. Com maioria no Legislativo, Chávez conseguiu aprovar uma lei que retira dos Estados e municípios o poder de recolher impostos sobre os meios de transporte. Na prática, tenta impor uma asfixia econômica aos governantes oposicionistas. Democracia, para o venezuelano, pressupõe o engessamento dos adversários. Ainda mais depois que a oposição passou a controlar, desde a última eleição, Estados de maior relevância econômica. Os desmandos de Chávez ganham vigor porque a oposição domina territórios importantes, mas não tem influência junto à opinião pública. Heterogênea, é incapaz de produzir um contraponto à cartilha do socialismo bolivariano. O que os une é apenas a confrontação com o chavismo. Falta construir um nome capaz de enfrentar Chávez nas urnas. É nesse vácuo que o caudilho encontra espaço para o autoritarismo. A reação do governador de Zulia, Pablo Pérez, pode ser um indicativo de que esse conformismo tem limites. Responsável pelo porto de Maracaibo, um dos maiores do país, Pérez desafiou Chávez publicamente. Ameaçado de prisão pelo presidente, o governador pretende resistir à ocupação. As consequências desse enfrentamento, porém, só convulsionam ainda mais a já dividida sociedade venezuelana.

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