Ministro Marco Aurélio Mello, um defensor da pátria.
Por Ana Prudente - "Raposa Serra do Sol"
        A displicência com que os ministros do Supremo Tribunal Federal trataram a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol marcará para sempre a vida de muitos brasileiros. Justiça se faça a um único membro daquele tribunal,  Ministro Marco Aurélio, que visivelmente estudou a matéria a fundo, analisando ponto a ponto do que em sua ótica, deveria ser debatido antes da decisão final sobre o modelo para demarcações de reservas indígenas no Brasil.
 
        Com um voto longo e bastante denso, o Ministro Marco Aurélio apresentou problemas que todos nós que acompanhamos a polêmica já víamos, porém, sem voz para sermos ouvidos. Afinal, na ótica dos ministros, somos apenas brasileiros e se não vivemos na área, não devemos nos meter. Até porque nem aqueles diretamente afetados tiveram oportunidade de serem ouvidos, muito menos levados em conta. E por ter sido o único voto contra a demarcação contínua da forma como estava se delineando, o Ministro Marco Aurélio ficou de fora das decisões finais.
        Ao serem interrompidos por um advogado com um "pela ordem" no inicio dos trabalhos, este que pedia para que a casa aceitasse algumas ponderações de ambos os lados, os ministros simplesmente concluíram que não havia mais necessidade alguma de ouvirem algo.
        A pressa em acabar logo com aquilo estava latente no comportamento daqueles que diziam: "deixa assim mesmo, concordo com V. Excia" ou "se precisar mais à frente, analisaremos caso a caso". O que importa é que todos aqueles que forem brancos deverão sair da área demarcada. O laudo? Pra que querer investigar um laudo assinado apenas por uma pessoa e que listava como membros de seu grupo de trabalho dois motoristas que constavam como técnicos e nem sabiam ? Bobagem, isso é só um detalhe bobo e daria muito trabalho travar o julgamento para tal investigação. E as indenizações dos produtores: "Ahhh, isso não é da nossa alçada, eles que se entendam com o governo na justiça". Mas um momento - A justiça não é aqui? Todos os brasileiros sabem que para receber algum pagamento do governo demora anos a fio! "Detalhe, detalhe, vamos em frente - qual o próximo item"?
        E deram super poderes para o Instituto Chico Mendes, que trabalha na mesma linha do CIR, do CIMI, da FUNAI, da Pastoral da Terra. Apenas se revezam nas decisões da terra que é mais deles do que dos índios. O que um ficou proibido de fazer, o outro o fará de comum acordo.
        Atenção médicos, pacientes, professores e alunos. Quitandeiro, carroceiro, agricultor, criador, produtor. Que todos vocês que são brancos abandonem suas vidas, suas casas, seus amigos e seus afazeres, saiam todos daí, mesmo que tenham nascido ou possuam antepassados enterrados neste lugar. Alô alô vereadores, prefeitos, juízes, advogados, todos os trabalhadores da máquina pública e profissionais liberais - comunicamos que a partir de agora sua cidade não existirá mais! Virem-se! Saiam para o resto do Brasil e vão procurar emprego e um lugar para morar, um dia o governo os indenizará. Levem seus filhos brancos e mestiços, um dia eles esquecerão dos amigos que tinham aqui. Crianças esquecem rápido!
        Pronto, dessa estamos livres, já decidimos o destino de todos. Afinal, quem mandou estes brancos nascerem no lugar onde seria demarcada a maior reserva indígena do país ou mesmo adquirirem terras por lá? Vamos embora, não aguento mais essa conversinha chata de demarcação de terra, tão longe daqui. Deste jeito ainda perco o capítulo da novela das 6 hoje também. E o último, que apague a luz!
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